O eleitor mediano sumiu da corrida presidencial de 2026?
Roberta Muramatsu, professora do Mackenzie, utiliza a teoria econômica para analisar se as candidaturas de moderação ainda têm fôlego em um Brasil de picos ideológicos
📋 Em resumo ▾
- • O Teorema do Eleitor Mediano prevê que vencerá quem ocupar o centro ideológico.
- • O erro comum é confundir a "mediana" com a "média" em um eleitorado polarizado.
- • Candidaturas de moderação testam se temas como segurança e corrupção ainda atraem o centro.
- • Por que isso importa: Se a distribuição de votos tem dois picos (esquerda/direita), a mediana se desloca e a moderação pode perder o apelo estratégico.
O eleitor mediano sumiu da corrida presidencial de 2026?
(*) Roberta Muramatsu
A corrida presidencial segue a todo vapor, trazendo uma pergunta que creio valer uma quantia milionária: o Teorema do Eleitor Mediano da ciência econômica explica a conjuntura política do Brasil? O tal teorema, enunciado inicialmente pelo economista escocês Duncan Black, na década de 1940, prevê que candidatos com chance de vitória devem mirar em campanhas voltadas para o centro do espectro ideológico. A lógica é a seguinte: em uma democracia com regra de maioria, aquele que se distancia do meio dá votos de bandeja para o seu rival ocupar o espaço.
O matemático Harold Hotelling, em 1929, ofereceu um raciocínio rigoroso e visualmente impactante sobre o assunto. Considere dois sorveteiros em uma faixa de praia. Cada um deles, de maneira experimental, tenta várias opções para deixar o seu carrinho ou quiosque, mas a competição acirrada faz com que os dois percebam que o ponto mais lucrativo deve ser mesmo o centro da praia. Ainda que na política a analogia seja válida, vale o alerta de que nem a praia e nem a política real têm consumidores distribuídos de maneira uniforme. Tampouco podemos imaginar que os mais de 155 milhões de eleitores brasileiros tenham preferências organizadas como a famosa “curva do sino.”
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