Eleições 2026

O que é verdade no debate da Band? Aos Fatos checou as principais falas de Lula e Flávio

Levantamento em tempo real da agência de checagem identificou dezenas de afirmações distorcidas, exageradas ou falsas nos dois lados durante o confronto deste domingo na Band.

O que é verdade no debate da Band? Aos Fatos checou as principais falas de Lula e Flávio
📷 Reprodução
📋 Em resumo ▾
  • A agência de jornalismo de checagem Aos Fatos fez verificação em tempo real das falas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) durante o primeiro debate do 2º turno, na Band, neste domingo (18).
  • Entre as checagens mais relevantes: o dado de que 73% dos presos votaram em Lula no 1º turno foi classificado como distorcido por Flávio; a afirmação de Lula de que prendeu pessoalmente o banqueiro Daniel Vorcaro foi classificada como imprecisa.
  • Flávio também errou ao dizer que a Polícia Federal não investiga o filho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), segundo a Aos Fatos.
  • Lula acertou em afirmações sobre indicadores econômicos do seu governo, como o número de microempreendedores individuais (MEIs) e o pagamento da dívida ao FMI.
  • A checagem aponta ainda imprecisões de Flávio sobre segurança pública, como a alegação de que a criminalidade “explodiu” no governo Lula.
  • Por que isso importa: debates eleitorais são palco frequente de dados fora de contexto e afirmações imprecisas; a checagem independente ajuda o eleitor a separar fato de retórica antes da votação do próximo domingo (25).
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A agência de checagem Aos Fatos fez a verificação em tempo real das principais afirmações feitas por Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) durante o primeiro debate direto do 2º turno, promovido pela Band neste domingo (18). O levantamento, assinado pelos jornalistas Bianca Bortolon, Luiz Fernando Menezes e Luiza Vezzá, identificou dezenas de declarações dos dois candidatos, classificadas entre verdadeiras, falsas, imprecisas ou distorcidas. A checagem completa está disponível no site da Aos Fatos.

O que a checagem encontrou nas falas de Flávio Bolsonaro

Segundo a Aos Fatos, Flávio Bolsonaro fez uma série de afirmações incorretas ou sem comprovação durante o debate. Um dos pontos mais sensíveis foi a cobrança sobre o fato de 73% dos presos terem votado em Lula no 1º turno: segundo a checagem, trata-se de um dado distorcido, já que o percentual se refere às seções eleitorais localizadas em presídios e unidades socioeducativas — não ao total de presos do país, como a fala sugeriu.

A agência também apontou como incorreta a afirmação de Flávio de que a Polícia Federal não investiga Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente conhecido como Lulinha — segundo a Aos Fatos, há sim investigação em curso sobre ele, no âmbito do caso das fraudes do INSS. Já a alegação de que Lula teria participado das fraudes do INSS foi classificada como sem evidências, assim como a afirmação de que um condenado pelo mensalão integra o atual governo.

Outras falas de Flávio classificadas como falsas ou imprecisas pela checagem incluem: a afirmação de que a criminalidade “explodiu” no governo Lula; a alegação de que a atual gestão tem o recorde histórico de empresas fechadas; a afirmação de que Lula e a primeira-dama Janja gastaram R$ 7 bilhões em viagens; e a sugestão de que o governo Lula trata abusadores sexuais de crianças como doentes, e não como criminosos — declaração que a Aos Fatos classificou como falsa.

A Aos Fatos também verificou a afirmação de Flávio de que foi o ministro André Mendonça, do STF, quem decretou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master — segundo a checagem, a afirmação não procede da forma como foi colocada; Mendonça integra a 2ª Turma do STF, que votou para manter a prisão preventiva de Vorcaro, mas a decisão não é atribuível a ele isoladamente. É importante destacar que Vorcaro responde a investigação em andamento por suspeita de fraude no sistema financeiro, sem condenação definitiva até o momento, e que o próprio Flávio mencionou a decisão judicial para argumentar que o Judiciário agiu de forma independente no caso.

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Por outro lado, a checagem confirmou como corretas algumas afirmações de Flávio, como o dado de que o governo atual deixa R$ 11 trilhões em dívida pública.

O que a checagem encontrou nas falas de Lula

Do lado de Lula, a Aos Fatos confirmou como verdadeiras diversas afirmações sobre indicadores econômicos de seus mandatos — como a obtenção do grau de investimento pelo Brasil em dois momentos distintos entre 2007 e 2010, o crescimento do PIB em 7,5% em 2010, a criação da figura do Microempreendedor Individual (MEI), hoje com 17,5 milhões de inscritos, e o pagamento da dívida do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI), deixando reservas de R$ 270 bilhões ao fim do mandato anterior.

A checagem também confirmou a afirmação de Lula de que Flávio foi o único deputado estadual a votar contra a extensão da licença-maternidade, em 2009, e de que o atual governo já devolveu mais de R$ 3,5 bilhões a aposentados vítimas de descontos indevidos do INSS, embora a recuperação integral dos valores ainda dependa de decisões judiciais em curso.

Entre os pontos em que Lula errou ou exagerou, segundo a Aos Fatos, está a afirmação de que ele próprio havia prendido o banqueiro Daniel Vorcaro — classificada pela checagem como imprecisa, já que a prisão foi determinada pelo Poder Judiciário, não por decisão do presidente. A Aos Fatos também considerou falsa a afirmação de Lula de que seu governo é responsável pela maior demarcação de terra indígena da história do país, e apontou como incorreta a declaração de que a economia só voltou a crescer acima de 3% após seu retorno à Presidência.

A checagem ainda contabilizou, segundo o próprio levantamento da Aos Fatos, 43 declarações falsas atribuídas a Flávio Bolsonaro desde o início da campanha até setembro deste ano — dado citado pelo próprio Lula durante o debate.

Por que a checagem importa

Segundo a Aos Fatos, o exercício de checagem em tempo real tem como objetivo oferecer ao eleitor parâmetros para avaliar o teor das afirmações feitas pelos candidatos durante os debates, especialmente em temas sensíveis como segurança pública, economia e processos judiciais em curso — casos em que a distorção de dados ou a omissão de contexto pode influenciar a percepção pública sobre fatos ainda não encerrados pela Justiça.

Checagem: Aos Fatos (Bianca Bortolon, Luiz Fernando Menezes e Luiza Vezzá) — íntegra disponível em aosfatos.org.

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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