Operação Dreno da PF apura desvio de verba de campanha em três cidades de Rondônia
Ação da Polícia Federal apreendeu R$ 56,3 mil em espécie e mirou a Prefeitura e a casa do prefeito de Nova Mamoré, Marcélio Brasileiro (PL), que preside a associação dos municípios do estado
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- A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (9) a Operação Dreno, que apura desvio de recursos do Fundo Eleitoral nas campanhas municipais de 2024 em Rondônia.
- Foram cumpridos mandados em Ji-Paraná, Nova Mamoré e Porto Velho, com apreensão de cerca de R$ 56,3 mil em espécie.
- Em Nova Mamoré, a Prefeitura e a casa do prefeito Marcélio Brasileiro (PL) foram alvos.
- A investigação começou pela análise de uma prestação de contas e mira uma empresa de contabilidade de campanhas.
- Por que isso importa: o prefeito alvo preside a Associação Rondoniense dos Municípios (Arom), o que dá dimensão política à operação
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (9) a Operação Dreno, para aprofundar a investigação sobre possível apropriação e desvio de recursos públicos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) — o chamado Fundo Eleitoral — usados nas eleições municipais de 2024 em Rondônia. A ação cumpriu medidas judiciais em três cidades — Ji-Paraná, Nova Mamoré e Porto Velho — e resultou na apreensão de aparelhos eletrônicos, documentos e aproximadamente R$ 56,3 mil em espécie.
Em Nova Mamoré, os alvos foram a sede da Prefeitura e a residência do prefeito Marcélio Brasileiro (Marcélio Rodrigues Uchôa), do PL. A movimentação das equipes federais numa cidade pequena chamou a atenção de moradores, que acompanharam a ação à distância.
Como a investigação começou
Segundo a PF, o ponto de partida foi a análise de uma prestação de contas eleitoral, que revelou movimentações financeiras consideradas atípicas. O foco recaiu sobre uma empresa responsável pela prestação de serviços contábeis a campanhas: ela teria recebido valores expressivos de origem eleitoral e, na sequência, feito transferências para pessoas físicas e jurídicas relacionadas. Outras operações financeiras também passaram a ser analisadas, para verificar se os pagamentos de fato correspondem aos serviços declarados nas contas de campanha. Em Porto Velho, uma empresa de eventos também foi alvo da ação.
O peso político do alvo
Dois fatos elevam a relevância da operação para além do município. O primeiro: o prefeito Marcélio Brasileiro preside a Associação Rondoniense dos Municípios (Arom), entidade que reúne e representa as prefeituras do estado — posição de articulação política considerável em Rondônia.
O segundo, e mais sensível em ano eleitoral: Marcélio é aliado e um dos articuladores da campanha do senador Marcos Rogério (PL) ao governo de Rondônia — o candidato que lidera as pesquisas na disputa deste ano. Nas semanas anteriores à operação, o prefeito organizou eventos com Marcos Rogério, como o "Pacto pela Educação" realizado na Assembleia Legislativa, e integrou a agenda pública do candidato. A operação, portanto, atinge um nome próximo da principal candidatura ao Executivo estadual — ainda que a apuração, até aqui, se refira ao uso de recursos nas eleições municipais de 2024, e não à campanha estadual em curso.
O que ainda não se sabe
Até a publicação, a PF não havia divulgado se houve prisões, quem são formalmente os investigados, nem o valor total que se suspeita ter sido desviado. Também não foi informado o nome da empresa de contabilidade nem o teor completo dos mandados. Vale o registro de rigor: trata-se de uma operação de busca e apreensão, fase de investigação — não há, neste momento, acusação formalizada nem condenação. O prefeito Marcélio Brasileiro, o senador Marcos Rogério e os demais citados não foram indiciados até aqui e têm direito a se manifestar e a responder no curso do processo. Não há, tampouco, qualquer indicação de que a campanha estadual de 2026 seja objeto da investigação.
O Painel Político acompanha a apuração e atualizará esta matéria conforme a Polícia Federal e a Justiça divulguem novos detalhes. O caso se soma a um pano de fundo mais amplo: o escrutínio crescente sobre o uso do dinheiro público em campanhas — recurso criado para reduzir a influência do poder econômico nas eleições e que, quando escorre para destinos que a prestação de contas não explica, vira alvo. Daí, aliás, o nome da operação.
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