Poder e Bastidores

Oposição argentina avança com impeachment de Milei por publicação sobre criptomoeda

Criador da criptomoeda $LIBRA confessa uso de informação privilegiada e retém US$ 110 milhões enquanto aguarda orientações do governo argentino. Caso põe em xeque credibilidade do presidente

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A oposição argentina insiste no impeachment do presidente do país, Javier Milei, após sua publicação sobre uma criptomoeda, informou o partido União pela Pátria.

"A participação de Milei em um crime relacionado à fraude de criptomoeda é extremamente séria. Este é um escândalo sem precedentes", disse o partido em um comunicado.

Na noite da sexta-feira (14), Milei usou suas redes sociais para demonstrar seu apoio a um projeto de criptomoeda que prometia "incentivar o crescimento da economia argentina financiando pequenas empresas e empreendimentos argentinos", o "Viva La Libertad Project".

A publicação provocou críticas ao presidente, já que muitos decidiram investir na moeda e perderam dinheiro.

Depois do ocorrido, Milei apagou a postagem, dizendo que não estava familiarizado com os detalhes do projeto e, portanto, decidiu parar de divulgar informações sobre ele.

Mais cedo, a imprensa argentina havia levantado o alerta sobre conversas que aconteciam nos bastidores.

Escândalo

Em meio a um dos maiores escândalos financeiros do governo Milei, o empresário Hayden Mark Davis, um dos criadores da criptomoeda $LIBRA, revelou em entrevista ao youtuber Coffeezilla detalhes sobre o controverso projeto que resultou em perdas significativas para investidores em todo o mundo. O caso, que ganhou proporções internacionais, expõe fragilidades no relacionamento entre o governo argentino e o mercado cripto.

Como funcionou o esquema

O esquema se desenvolveu em várias etapas:

  1. Lançamento oficial: A criptomoeda $LIBRA foi promovida pelo próprio presidente Javier Milei em sua conta no X (antigo Twitter) como parte de um suposto projeto piloto para digitalização das operações públicas argentinas.

  2. Manipulação de preços: Em questão de horas, o valor da moeda saltou de US$ 0,30 para US$ 5,00, seguido de uma queda abrupta que retornou ao valor inicial, caracterizando uma prática conhecida como "pump and dump".

  3. Uso de informação privilegiada: Davis confessou que sua equipe realizou operações de "sniping" - prática que utiliza robôs para comprar grandes quantidades de criptomoedas no momento exato do lançamento, aproveitando informações privilegiadas.

Prejuízos e consequências

Conexões internacionais

O escândalo ganhou ainda mais relevância após a revelação de que Davis também esteve envolvido em operações similares com outras criptomoedas, incluindo a $MELANIA, associada à ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump. Em sua defesa, Davis alega que o projeto era uma "prova piloto" que "saiu terrivelmente errado" e nega que tenha sido uma fraude intencional.

Ultimato ao governo

Em um movimento controverso, Davis deu um prazo de 48 horas ao governo argentino para apresentar um plano sobre como proceder com os US$ 110 milhões retidos. "Este é um incidente internacional, não é uma fraude qualquer. É um plano que saiu muito mal, a nível presidencial", declarou o empresário durante a entrevista.

Posicionamento oficial

O governo argentino iniciou uma investigação através da Oficina Anticorrupção para apurar possíveis delitos cometidos, incluindo o uso da imagem presidencial para promover o projeto. A administração Milei ainda não se pronunciou oficialmente sobre o ultimato de Davis.

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O que é o "sniping"

O "sniping" é uma prática comum no mercado de criptomoedas que envolve o uso de programas automatizados (bots) para realizar compras instantâneas assim que uma nova moeda é lançada. Esta técnica permite que investidores com informações privilegiadas adquiram grandes quantidades de tokens a preços baixos, antes que o público em geral tenha acesso.