Eleições 2026

Pesquisa BTG/Nexus: Lula 40% e Flávio 34% no primeiro turno

6ª rodada da BTG/Nexus mostra estabilidade no 1º turno, mas revela que 29% do eleitorado ainda pode mudar de opinião, mantendo a corrida presidencial aberta até outubro

Pesquisa BTG/Nexus: Lula 40% e Flávio 34% no primeiro turno
📷 Marcelo Camargo/Agência Brasil
📋 Em resumo
  • No 1º turno, Lula registra 40% e Flávio Bolsonaro 34%, variações que se mantêm dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.
  • No 2º turno, a disputa segue estatisticamente empatada: Lula com 47% e Flávio com 44%, mantendo a diferença de 3 pontos.
  • A consolidação do voto recuou: 70% dos eleitores já decidiram, enquanto 29% afirmam que podem alterar sua escolha até outubro.
  • A polarização segue firme nas bases: 87% dos lulistas convictos e 77% dos bolsonaristas convictos já definiram seu voto.
  • Por que isso importa: A estabilidade numérica esconde uma volatilidade latente. Com quase um terço do eleitorado indeciso, os próximos meses serão decisivos para definir o vencedor.
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A corrida presidencial de 2026 entra em sua reta final com um cenário de estabilidade numérica, mas com sinais claros de volatilidade no comportamento do eleitorado. De acordo com a 6ª rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada em 13 de julho de 2026, a disputa mantém seu desenho tradicional, sem deslocamentos estruturais de última hora. No principal cenário estimulado, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 40% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 34%.

As oscilações em relação à rodada anterior, realizada no final de junho, são estatisticamente irrelevantes. Lula recuou dois pontos percentuais (de 42% para 40%), e Flávio Bolsonaro manteve exatamente os mesmos 34%. Dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, o quadro permanece inalterado, indicando que os eleitores ainda não absorveram novos elementos que justifiquem uma mudança massiva de preferência.

O primeiro turno e a resistência dos nomes de um dígito

Enquanto os dois principais polos de atração eleitoral se mantêm estáveis, o restante do campo político continua fragmentado na faixa de um dígito. O governador Ronaldo Caiado (União Brasil) alcança 5% das intenções de voto. Na sequência, Renan Santos e o governador Romeu Zema (NOVO) aparecem empatados tecnicamente, ambos com 4%.

Essa distribuição de votos reforça a dificuldade de qualquer nome fora da polarização principal em decolar sem um evento disruptivo ou uma aliança de grande porte. Até o momento, esses candidatos cumprem o papel de reter votos em seus redutos ou atrair eleitores insatisfeitos com os dois grandes blocos, mas sem demonstrar, nesta rodada, capacidade de rompimento do teto eleitoral.

"A estabilidade numérica não significa estagnação política. Ela indica que o eleitorado está em compasso de espera, avaliando os próximos movimentos das campanhas antes de tomar uma decisão definitiva."

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Segundo turno: o empate técnico que define a estratégia

Quando a simulação é reduzida a um confronto direto, a pesquisa desenha um cenário de extrema competitividade. No segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o petista lidera com 47% das intenções de voto, contra 44% do candidato do PL.

Na comparação com a rodada anterior, ambos os candidatos mantiveram exatamente os mesmos percentuais. A diferença de três pontos percentuais, considerando a margem de erro de 2 pontos, configura um empate técnico. Isso significa que, estatisticamente, qualquer um dos dois pode vencer a eleição neste momento. A disputa, portanto, não será decidida pela expansão das bases fiéis, mas pela capacidade de cada campanha de capturar o eleitorado indeciso e de gerenciar a rejeição.

PDFDocumento para downloadBTG-Nexus-Eleicoes-2026-Rodada-6Veja a sondagem completa:PDF · 2,4 MBBaixar

A volatilidade latente e o recuo na consolidação

O dado mais revelador desta 6ª rodada não está na intenção de voto em si, mas no grau de convicção do eleitor. O levantamento aponta um recuo sutil, mas significativo, na consolidação das preferências. Entre os entrevistados que escolheram um candidato no primeiro turno, 70% afirmam que sua decisão já está tomada e não deve mudar.

Esse número representa uma redução em relação aos 74% registrados na rodada anterior. Em contrapartida, o total de eleitores que dizem que ainda podem alterar sua escolha subiu para 29%.

Essa migração de "decididos" para "indecisos" ou "voláteis" é um sinal de alerta para as assessorias de campanha. Ela sugere que, apesar da estabilidade das porcentagens gerais, há uma fatia considerável do eleitorado que ainda não fechou seu ciclo de decisão e está aberta a argumentos, propostas ou, eventualmente, a erros de percurso dos candidatos.

A polarização como âncora das bases

Apesar da volatilidade no centro do espectro, as bases ideológicas permanecem blindadas. A força da polarização política continua sendo o pilar central do levantamento.

Entre os eleitores classificados pela metodologia da Nexus como "lulistas convictos", 87% afirmam já ter definido seu voto e que a decisão não vai mudar. No segmento dos "bolsonaristas convictos", esse percentual é de 77%.

Esses números demonstram que os grupos mais engajados em relação aos dois lados políticos seguem apresentando as maiores taxas de fidelidade eleitoral. O desafio para ambos os lados não é convencer esses eleitores, mas garantir que eles compareçam às urnas no dia da eleição, enquanto se disputa palmo a palmo o eleitorado que se declara "não polarizado" ou "Lula/Bolsonaro como alternativa".

Metodologia e Confiabilidade

O levantamento foi realizado pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, por telefone (via CATI), entre os dias 10 e 12 de julho de 2026. Foram entrevistados 2.003 eleitores em todo o território nacional, com distribuição proporcional por região. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com um intervalo de confiança de 95%. A pesquisa está devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07981/2026.

O que vem pela frente

A 6ª rodada da BTG/Nexus entrega um retrato de um país dividido, mas não paralisado. Os números mostram que a eleição de 2026 não será decidida por inércia. Com 29% do eleitorado sinalizando que pode mudar de voto, os próximos três meses serão um campo de batalha intenso pela narrativa, pela proposta e pela confiança.

A estabilidade de hoje é apenas um intervalo na tempestade. A campanha que conseguir traduzir suas propostas em segurança para esse eleitor volátil será a que, em outubro, transformará um empate técnico em uma vitória concreta.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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