Painel Econômico

Petrobras acha gás pela 3ª vez em bloco na Colômbia em 2026

Poço Sandia-1 confirma novo volume de gás a 9 km de Copoazu-1, enquanto Colômbia projeta déficit de até 58% no abastecimento em 2027.

Petrobras acha gás pela 3ª vez em bloco na Colômbia em 2026
📋 Em resumo
  • Petrobras informou à CVM, nesta segunda-feira (3/8), a descoberta de gás no poço Sandia-1, no Bloco GUA-OFF-0, águas profundas da Colômbia — terceira confirmação na mesma província em quatro anos.
  • O poço fica a 42 km da costa, em lâmina d'água de 1.251 metros, e a apenas 9 km do poço Copoazu-1, anunciado em março, e 18 km dos poços Sirius, que somam reservas de 6 trilhões de pés cúbicos.
  • Colômbia vive crise de abastecimento de gás: reservas caíram 16,8% em um ano e o país tem estoque garantido para apenas 5,9 anos de consumo (ANH).
  • Estudo da Andesco projeta déficit de gás de até 39% em 2026 e 58% em 2027, com importações de GNL respondendo por parcela crescente do consumo nacional.
  • Por que isso importa: o achado reforça a estratégia da Petrobras de recompor reservas fora do pré-sal e pode, no longo prazo, abrir caminho para exportação de gás colombiano ao Brasil.
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A Petrobras comunicou nesta segunda-feira (3/8) a descoberta de uma nova acumulação de gás no poço exploratório Sandia-1, no Bloco GUA-OFF-0, em águas profundas da Colômbia. É a terceira confirmação de gás na mesma província em pouco mais de quatro anos, e a segunda em menos de cinco meses — um ritmo que consolida a área como a mais promissora fronteira exploratória da estatal fora do pré-sal brasileiro.

Segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o poço Sandia-1 está a aproximadamente 42 quilômetros da costa colombiana, em lâmina d'água de 1.251 metros. A perfuração começou em 12 de junho de 2026 e atingiu a profundidade final em 29 de julho. Os intervalos com presença comprovada de gás ainda passam por avaliação com perfis de poço e serão caracterizados por análises laboratoriais.

Um cluster de poços em raio de 18 km

O Sandia-1 fica a apenas 9 quilômetros do poço Copoazu-1 — anunciado em 18 de março deste ano — e a 18 quilômetros dos poços Sirius-1 (descobridor) e Sirius-2 (avaliação), que já haviam confirmado gás na região. A proximidade entre os quatro poços é o dado mais relevante para o mercado: mostra que o hidrocarboneto não está confinado a uma única estrutura geológica, mas distribuído por uma província contínua.

O Copoazu-1, por sua vez, havia sido perfurado a partir de 11 de novembro de 2025, a 36 quilômetros da costa e 964 metros de lâmina d'água. Na ocasião, a Petrobras destacou que os "intervalos portadores de gás foram constatados por meio de perfis elétricos e amostragem de fluido, confirmando presença de gás em outro objetivo além do objetivo principal" (Petrobras, comunicado à CVM), sem, no entanto, divulgar estimativa de volume.

"A descoberta poderia ser vista como algo aditivo ao complexo Sirius — descoberto pela mesma parceria em 2022 — mais do que transformadora por si só", avaliou a consultoria Rystad Energy sobre o achado de Copoazu-1.

Sirius: a maior descoberta colombiana em 30 anos

O consórcio formado por Petrobras e Ecopetrol confirmou, em dezembro de 2024, que o campo Sirius — batizado inicialmente de Uchuva — guarda mais de 6 trilhões de pés cúbicos de gás in place (VGIP), volume que pode ampliar em 200% as reservas atuais do país (Petrobras/Ecopetrol). A descoberta original ocorreu em 2022, com o poço Uchuva-1, e foi confirmada em 2024 pelo Uchuva-2.

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O investimento estimado pelo consórcio é de US$ 1,2 bilhão na fase exploratória e mais US$ 2,9 bilhões na fase de desenvolvimento da produção (Petrobras/Ecopetrol). A produção de Sirius está prevista para começar em 2030, e parte do gás já foi comercializada em contratos firmados no fim de 2024. O projeto, porém, chegou a ser suspenso por decisão da Justiça colombiana, que exigiu consulta prévia ao Conselho Indígena de Taganga antes da continuidade das operações — decisão contra a qual Ecopetrol e o governo colombiano recorreram.

Colômbia enfrenta contagem regressiva no gás

O contexto que valoriza cada novo poço é a crise energética colombiana. Levantamento da Agência Nacional de Hidrocarbonetos (ANH) mostrou que as reservas de gás do país caíram 16,8% no último ano, deixando a nação com estoque garantido para apenas 5,9 anos de consumo no ritmo atual — e petróleo para 7,4 anos (ANH).

Estudo do Cree encomendado pela Andesco projetou déficit de gás natural de até 39% em 2026 e 58% em 2027 (Andesco/Cree). O presidente da associação, Camilo Sánchez, afirmou que os números "não respondem a especulações, mas a tendências verificáveis em produção, consumo e reservas" — rebatendo o governo do presidente Gustavo Petro, que classificou os alertas do setor como estratégia de pressão das empresas.

A produção de gás colombiana caiu quase 15% na comparação anual em março de 2026, e acumula queda de 38% frente a uma década atrás. O país, autossuficiente até 2016, hoje importa parcela crescente do combustível na forma de GNL — fatia que já respondia por 18% do fornecimento total no fim de 2025, com projeção de alta adicional em razão do fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do gás natural comercializado no mundo.

Recorde de produção e estratégia de longo prazo

A descoberta na Colômbia ocorre em meio a um trimestre de recorde para a Petrobras. A companhia registrou produção média de 3,336 milhões de barris de óleo equivalente por dia no segundo trimestre de 2026, alta de 3,4% ante o trimestre anterior e de 14,1% na comparação anual (Petrobras). A produção própria de petróleo e líquidos de gás natural somou 2,689 milhões de barris por dia, avanço de 4,1% no trimestre.

Em nota, a estatal reafirmou que a atuação no Bloco GUA-OFF-0 "está alinhada à estratégia de longo prazo da companhia, visando à recomposição das reservas de petróleo e gás por meio de exploração de novas fronteiras" (Petrobras, comunicado à CVM). No bloco, a Petrobras opera via sua subsidiária Petrobras International Braspetro B.V. – Sucursal Colômbia (PIB-COL), com 44,44% de participação, enquanto a Ecopetrol detém os 55,56% restantes.

O que vem a seguir

Análise do portal eixos.com.br sobre o achado de Copoazu-1 apontou que a Petrobras mira, a princípio, o abastecimento do próprio mercado colombiano, mas mantém a possibilidade de exportar gás no futuro — inclusive para o Brasil — a depender do êxito da campanha exploratória em curso. A confirmação de um terceiro poço produtivo em menos de um ano reforça essa hipótese, mas a resposta definitiva ainda depende de estudos de reservatório e da liberação judicial pendente para o desenvolvimento de Sirius.

Versão em áudio disponível no topo do post.

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