PF descobre tentativa de cooptação de bancos no escândalo das Americanas "assunto azedou"
Mensagens revelam pressão sobre funcionários do Itaú e Santander para manipular documentos e ocultar rombo bilionário; MPF já denunciou 13 pessoas por organização criminosa

A Polícia Federal (PF) trouxe à tona um capítulo explosivo no escândalo da Americanas, revelando mensagens que expõem uma tentativa descarada de diretores da varejista de cooptar funcionários de grandes bancos brasileiros, como Itaú e Santander, para encobrir uma fraude contábil que gerou um rombo superior a R$ 20 bilhões.
As conversas, obtidas em um grupo de WhatsApp intitulado "Auditoria 2016", mostram como os executivos da empresa pressionaram bancários para manipular documentos e ocultar informações de auditorias externas, em um esquema que começou anos antes de o caso explodir, em 2023.
A trama para esconder o rombo
As mensagens, datadas de janeiro de 2017, detalham como os diretores da Americanas articularam a omissão ou alteração de dados sobre operações de risco sacado – um tipo de empréstimo comum no varejo, usado para pagar fornecedores.
A fraude consistia em registrar essas operações de forma incorreta nos balanços da empresa, mascarando o verdadeiro tamanho da dívida. Em uma das conversas, Fábio Abrate, ex-diretor financeiro da Americanas e delator premiado, revela que o Santander havia encontrado uma "solução" com "pequenas alterações" em cartas enviadas às auditorias, sugerindo que o Itaú seguisse o mesmo padrão. "Sugiro eles não mandarem para o auditor", escreveu Abrate, evidenciando a intenção de burlar os controles externos.
Tensão, desespero e "rezadinhas"
Conforme as negociações avançavam, o tom das mensagens no grupo ficava mais tenso. Um integrante alertou que a KPMG, responsável pela auditoria externa, estava "levantando diversos pequenos pontos" e exigindo explicações e documentos adicionais. "Realmente tá desesperador, precisamos encerrar", respondeu outro membro. Em 7 de fevereiro de 2017, Carlos Padilha, um dos 13 denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF), sugeriu uma "rezadinha" para resolver os impasses, ao que outro participante retrucou: "Isso já estamos fazendo, mas vamos intensificar". O desespero reflete a pressão para manter o esquema em segredo.
"Assunto azedou" com o Itaú
As conversas mostram que o Itaú resistiu mais às investidas da Americanas. Em 2 de fevereiro de 2017, Abrate escreveu que o "assunto azedou", explicando que o banco não aceitava falar diretamente com os auditores. "Itaú não é Santander. Assunto azedou muito. Podemos ter efeitos colaterais", alertou. Dias depois, ele voltou a reclamar da postura do banco, destacando o desconforto de áreas como produtos e jurídico, que "não querem aprovar sozinhos". A resistência do Itaú parece ter sido um obstáculo significativo para os planos da varejista.
Delação escancara o papel dos bancos
Fábio Abrate, em sua delação premiada, foi categórico: sem a colaboração de funcionários dos bancos, a fraude não teria alcançado tamanha proporção. Ele apontou que bancários e diretores da Americanas atuaram juntos para esconder as dívidas de risco sacado, enganando auditores e investidores. A PF reforça essa tese, afirmando que a "audácia" do grupo criminoso era tamanha que cooptaram funcionários do Itaú e Santander para garantir a continuidade das fraudes.
O que dizem os bancos
O Santander se defendeu em nota, afirmando que não tinha "ingerência, supervisão ou responsabilidade" sobre os balanços da Americanas e que foi "vítima" das fraudes, repudiando qualquer insinuação de irregularidade. Já o Itaú negou participação na fraude, destacando que sempre forneceu informações corretas às auditorias e reguladores, incluindo alertas sobre as operações de risco sacado. Segundo o banco, os documentos enviados "sinalizavam a exposição da companhia", contradizendo o depoimento de Abrate.
Investigação em curso
A PF agora mira os funcionários do Itaú e Santander, buscando esclarecer o grau de envolvimento deles no esquema. Com base nas mensagens e na delação de Abrate, a investigação promete avançar sobre os bastidores de um dos maiores escândalos corporativos do Brasil. O MPF já denunciou 13 pessoas por organização criminosa, incluindo Carlos Padilha, e novos desdobramentos devem surgir em breve, mantendo o caso no centro das atenções.
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