PF investiga Paulo Guedes por suspeita de crime contra o sistema financeiro
O ex-ministro da Economia prestou consultoria à OnilX, que é alvo de mais de cem ações de investidores. O inquérito corre sob sigilo em Curitiba. A defesa não respondeu
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- A Polícia Federal (PF) investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, dono da OnilX, por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
- O inquérito foi aberto em fevereiro de 2026, corre sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba e tem 12 investigados.
- Guedes prestou consultoria à OnilX, participou de reuniões com investidores e teve a imagem usada na divulgação da empresa, que prometia rendimentos de até 2,8% ao mês com criptomoedas.
- A OnilX é alvo de pelo menos 108 ações judiciais de investidores que dizem não conseguir resgatar o dinheiro. A empresa nega irregularidades.
- Por que isso importa: Guedes comandou a economia do país entre 2019 e 2022. Ele é investigado, não acusado, e o caso pode revelar como nomes conhecidos foram usados para atrair investidores.
A Polícia Federal (PF) investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, dono da OnilX, por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Os dois aparecem como investigados num inquérito aberto em fevereiro de 2026, que corre sob sigilo na Justiça Federal do Paraná. A informação foi revelada pela coluna de Tácio Lorran, no Metrópoles, com base em documento obtido pelo jornalista.
Situação jurídica: Guedes e Fábio Lino são investigados. Isso significa que a PF apura se houve crime. Nenhum dos dois foi indiciado, denunciado ou condenado.
O inquérito
- Aberto em: 10 de fevereiro de 2026;
- onde: 9ª Vara Federal de Curitiba;
- conduzido por: Polícia Federal no Paraná, com participação do Ministério Público Federal (MPF);
- assunto: crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, previstos na Lei 7.492/1986, conhecida como Lei do Colarinho Branco;
- investigados: segundo o Metrópoles, Guedes e Fábio Lino estão entre 12 investigados;
- andamento: em 21 de setembro houve despacho judicial e intimações envolvendo Fábio Lino, a PF e o MPF. Em outubro, o processo registrou novas petições e diligências policiais.
O que é a Lei 7.492: ela pune crimes como operar instituição financeira sem autorização, gestão fraudulenta e captação irregular de recursos do público. O Metrópoles não informou qual crime específico é investigado.
O papel de Guedes na OnilX
Em setembro, a mesma coluna revelou que Guedes atuou na linha de frente da OnilX. Segundo a reportagem, o ex-ministro:
- prestou consultoria à empresa;
- participou de reuniões estratégicas;
- recebeu potenciais investidores em conversas privadas;
- teve a imagem usada em materiais de divulgação.
Numa publicação da própria OnilX, Guedes apareceu ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa numa reunião descrita como de “alta relevância estratégica”. O ex-ministro foi apresentado como alguém que dava “suporte e visão” ao negócio.
Guedes também participou de palestras para investidores e assessores da empresa. Numa delas, para uma plateia de quase 500 pessoas, elogiou a OnilX e disse que ela teria papel central no avanço do mundo digital.
O que a PF suspeita, segundo o Metrópoles: que Guedes tivesse um contrato de marketing com a empresa. A reportagem não informa valores nem se ele recebeu pagamento.
Guedes citado nos processos
O nome do ex-ministro aparece em ações movidas por investidores:
- um casal que cobra R$ 876,5 mil da empresa disse à Justiça que manteve e aumentou os investimentos depois de uma reunião com Guedes na sede da OnilX, em abril. Quatro meses depois, segundo o casal, tentou resgatar o dinheiro e não conseguiu;
- em outro processo, uma assessora da empresa usou o nome de Guedes para convencer um cliente. Segundo mensagem anexada aos autos, ela disse que o ex-ministro “tá dentro da empresa” e que seria possível marcar uma reunião com ele para quem tivesse entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões para aplicar.
Atenção: são afirmações dos investidores e de uma funcionária nos processos. Não provam que Guedes sabia de irregularidades nem que participou delas.
Os problemas da OnilX
- Janeiro de 2026: a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que fiscaliza o mercado de investimentos, mandou suspender as ofertas públicas de intermediação de valores mobiliários do grupo;
- abril: a CVM manteve a ordem, mas esclareceu que ela não vale para a simples compra e venda de criptomoedas, como Bitcoin e Ethereum, quando não há promessa de rendimento;
- de 12 de junho a 10 de setembro: o Metrópoles identificou 108 ações judiciais contra o grupo. Investidores dizem ter dificuldade para resgatar valores aplicados em produtos ligados a criptomoedas. Alguns levantam suspeitas de pirâmide financeira.
A OnilX nega as acusações e afirma que atua regularmente no mercado de ativos virtuais.
Por que a promessa de rendimento importa: quando uma empresa promete retorno fixo sobre um investimento, como os 2,8% ao mês da OnilX, a operação pode ser considerada oferta de valor mobiliário, que precisa de autorização da CVM. Foi esse o motivo da suspensão.
Outros nomes
Segundo o site especializado Livecoins, o cantor Gusttavo Lima também aparece na lista de investigados do inquérito, que é pública no sistema da Justiça Federal. O papel dele não foi detalhado, e não há informação sobre o motivo da inclusão. O cantor não se manifestou.
O outro lado
Paulo Guedes é representado pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, que também aparecem entre os advogados de Fábio Lino no inquérito. A defesa não respondeu ao Metrópoles. A OnilX nega as acusações. O Painel Político procurou a defesa de Guedes, a OnilX e a assessoria de Gusttavo Lima e aguarda resposta.
O caso mostra um risco conhecido do mercado de criptomoedas: promessas de rendimento alto, sustentadas pelo prestígio de nomes famosos. Investidores dizem que mantiveram e aumentaram seus aportes depois de conversar com um ex-ministro da Economia. Se Guedes sabia ou não dos problemas da empresa, é o que a investigação vai ter de responder. Por enquanto, o que está comprovado é que a CVM suspendeu as ofertas da OnilX, que mais de cem investidores foram à Justiça e que o homem que comandou a economia do país emprestou o rosto e a voz ao negócio.
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