Por que Lula lidera a eleição e perde a avaliação de governo?
Levantamento BTG/Nexus traz o presidente na frente no 1º e no 2º turno, mas com aprovação negativa — um retrato da eleição movida mais pela polarização que pelo entusiasmo
📋 Em resumo ▾
- A pesquisa BTG/Nexus divulgada em 14 de setembro mostra Lula com 42% no 1º turno, à frente de Flávio Bolsonaro, com 37%.
- No 2º turno, Lula vence todas as simulações — mas contra Flávio o placar é de 47% a 46%, empate técnico dentro da margem de erro.
- No mesmo levantamento, o governo Lula tem aprovação negativa: 47% aprovam e 49% desaprovam.
- Outros institutos divergem: no mesmo período, Datafolha e AtlasIntel repetem o quadro apertado, mas Gerp e o agregador da BBC já apontam Flávio à frente no 2º turno.
- Por que isso importa: a um mês do 1º turno, a disputa está tecnicamente indefinida — e movida menos pelo entusiasmo com Lula do que pela polarização que organiza os dois campos.
O presidente Lula (PT) lidera a corrida presidencial de 2026, mas o retrato mais recente da disputa carrega uma contradição que define a eleição. Segundo a pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (14), o petista aparece com 42% das intenções de voto no primeiro turno, à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL), com 37% — e, ao mesmo tempo, comanda um governo cuja gestão é mais reprovada do que aprovada.
O quadro do primeiro turno
No cenário estimulado, quando os nomes são lidos ao entrevistado, Lula e Flávio se destacam de um pelotão distante. Atrás dos dois aparecem o escritor Augusto Cury (6%), o governador de Goiás Ronaldo Caiado (5%), Renan Santos (2%) e o governador de Minas Romeu Zema (1%). Brancos, nulos e indecisos somavam o restante.
A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, o que mantém a liderança de Lula fora do empate técnico no primeiro turno — mas não garante a mesma folga na etapa decisiva.

O empate que aparece no segundo turno
É no segundo turno que o quadro fica apertado. A Nexus testou Lula contra cinco adversários, e o presidente vence todos — mas as margens variam muito conforme o oponente. Contra Caiado, Lula faz 47% a 41%; contra Zema, 49% a 38%; contra Renan Santos, 48% a 37%; contra Cury, 45% a 42%.
O cenário mais competitivo, como esperado, é contra Flávio Bolsonaro: 47% a 46%, uma diferença de um ponto que está integralmente dentro da margem de erro. Na prática, um empate técnico.
Contra Flávio Bolsonaro, o placar de segundo turno é de 47% a 46% — empate técnico. Contra qualquer outro nome da oposição, a vantagem de Lula cresce.
A contradição: liderar a eleição, perder a avaliação
O dado que dá densidade à leitura não está nas simulações de voto, mas na avaliação do governo. No mesmo levantamento, 47% aprovam a gestão de Lula e 49% desaprovam. Na avaliação por conceitos, "ótimo ou bom" soma 37%, contra 44% de "ruim ou péssimo".
É uma combinação incomum: um presidente que lidera a disputa pela reeleição enquanto sua própria gestão é reprovada pela maioria. A explicação aparece nos números de polarização da pesquisa — os "bolsonaristas convictos" (30%) já superam ligeiramente os "lulistas convictos" (28%), mas a rejeição a Flávio é o que limita seu teto no segundo turno. Lula, nesse quadro, é sustentado menos pelo entusiasmo com seu governo e mais por ser o polo alternativo à direita bolsonarista.
Some-se a isso o diagnóstico do país: para os entrevistados, o principal problema do Brasil é a segurança pública (34%), à frente de saúde (28%) e corrupção (27%) — um terreno historicamente mais confortável para a direita.

Um instituto não é a eleição
Nenhuma leitura séria de pesquisa se apoia em um único instituto, e o quadro de setembro ajuda a calibrar. No mesmo período, o Datafolha mediu 38% a 32% para Lula no primeiro turno e um segundo turno de 46% a 44%, também dentro da margem. A AtlasIntel apontou virtual empate no segundo turno (46,4% a 46,2%). Já a Gerp inverteu o favoritismo, dando a Flávio 47% a 40% no segundo turno, e o agregador da BBC News Brasil chegou a registrar o senador à frente na média — sinal de que a corrida entrou em zona de indefinição estatística.

O que a foto de setembro realmente diz
A um mês do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, a mensagem das pesquisas não é qual candidato vai ganhar, mas que ninguém está ganhando com folga. Lula parte na frente, porém sem o conforto que um presidente candidato à reeleição gostaria de ter — e carregando o peso de uma gestão que a maioria reprova. Flávio herda o capital político do sobrenome, mas também a rejeição que vem com ele. Entre um presidente reprovado e um herdeiro rejeitado, a eleição de 2026 pode se decidir menos por quem convence mais e mais por quem afasta menos. E essa é uma disputa cujo vencedor as pesquisas de hoje ainda não conseguem cravar.

Versão em áudio disponível no topo do post.
