Quando o silêncio fala alto: o caso Banco Master, o poder institucional e a ausência do contraditório
Liquidação extrajudicial, pressão institucional e cobertura seletiva expõem fragilidades no debate público sobre o sistema financeiro brasileiro

A liquidação extrajudicial do Banco Master S.A. tornou-se um retrato incômodo de como poder regulatório, interesses econômicos e cobertura jornalística podem se alinhar sem o devido escrutínio público. O que deveria ser um procedimento técnico rigorosamente fundamentado passou a carregar zonas de sombra que não podem — e não devem — ser ignoradas.
A decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de instaurar uma inspeção no Banco Central do Brasil, apontando insuficiência documental na justificativa da liquidação, desmonta a narrativa de que tudo estaria plenamente esclarecido. Não está. E se não está claro para o órgão máximo de controle externo, tampouco está para a sociedade.
A liquidação extrajudicial é o último recurso do arcabouço regulatório. Ela só se justifica quando a insolvência é incontestável, documentada e impossível de ser revertida por qualquer outro instrumento. Não é um gesto administrativo trivial, nem pode ser tratada como tal.
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