Queda de avião em Vinhedo: Saiba o que diz a notificação do Cenipa sobre o acidente que matou 62 pessoas
Registro aberto por órgão da Aeronáutica não estabelece prazo para conclusão do caso: 'Complexidade da ocorrência'

Três dias depois da queda do avião da VoePass em Vinhedo (SP), que teve 62 vítimas fatais, a notificação do acidente entrou no sistema do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cipa) da Força Aérea Brasileira (FAB). A ocorrência foi registrada como "perda de controle em voo": "No trajeto entre Cascavel, PR, e Guarulhos, SP, a aeronave perdeu altura subitamente e colidiu contra o solo", diz o texto.
O registro ressalta que mudanças podem acontecer ao longo da investigação e que a "conclusão terá o menor prazo possível, dependendo sempre da complexidade da ocorrência e, ainda, da necessidade de descobrir os possíveis fatores contribuintes. Quando concluída a investigação, o Relatório Final será publicado no site do Cenipa".
Em casos de acidentes aéreos, cabe ao Cenipa, órgão central do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SIPAER) da FAB, conduzir as investigações para, a partir delas, buscar a prevenção de acidentes. "Nesse sentido, as investigações realizadas pelo CENIPA não buscam o estabelecimento de culpa ou responsabilização, tampouco se dispõem a comprovar qualquer causa provável de um acidente, mas indicam possíveis fatores contribuintes que permitem elucidar eventuais questões técnicas relacionadas à ocorrência aeronáutica", explica a notificação. "Dessa maneira, o CENIPA propõe, por meio da emissão das Recomendações de Segurança, a implementação de medidas com o objetivo de evitar a recorrência de eventos semelhantes, buscando o aprimoramento da segurança de voo", diz também.

O processo de investigação é minucioso. E leva tempo. No caso do acidente que matou a cantora Marília Mendonça em 5 de novembro de 2021, o relatório final saiu em maio de 2023. Para chegar até ele, órgão lançou em campo equipes formadas por engenheiros, pilotos, psicólogos, médicos etc. Para analisar o material recolhido no local dos acidentes, o Cenipa possui um laboratório, o LabData.
Os destroços do avião da Voepass começaram a ser retirados no domingo (11) do local do acidente. Um guindaste entrou no condomínio Recanto Florido, local da queda, e içou peças da aeronave, que foram colocadas em um caminhão e transportados para São Paulo.
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Segundo a Força Aérea Brasileira, os motores da aeronave seguirão para análises na sede do Quarto Seripa (Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), em São Paulo. A FAB informou ainda que esta primeira fase da investigação deve ser concluída nesta segunda.
Em nota, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos (Cenipa) disse que, terminada a fase inicial, seguirá para a análise das "atividades relacionadas ao voo, ao ambiente operacional e aos fatores humanos, bem como um estudo pormenorizado de componentes, equipamentos, sistemas e infraestrutura".
As causas do acidente são investigadas pelo Cenipa, que deve emitir relatório preliminar sobre o desastre em 30 dias. Peritos vão investigar qual a potência aplicada nos motores no momento do acidente. O resultado vai basear um laudo a ser emitido pelos investigadores. Especialistas estrangeiros chegaram ao Brasil neste domingo para ajudar nesta tarefa.
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As caixas-pretas com as informações sobre o voo chegaram a Brasília neste sábado e já estão em análise. O trabalho de investigação irá se concentrar primeiro na identificação do material de voz da cabine, segundo o brigadeiro Marcelo Moreno, do Cenipa. O segundo passo será dos dados de voo que estão gravados no Flight Data Recorder (FDR), um dos dispositivos que fazem parte da caixa-preta, segundo ele.
A avaliação do material será crucial para determinar as causas da queda. Enquanto o FDR registra os dados técnicos do voo, como altitude, velocidade e movimentos dos controles da aeronave, o Cockpit Voice Recorder (CVR), outro dispositivo da caixa-preta, traz as conversas na cabine.