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Richarlisson mostra documentos e acusa Flávio e Willer Tomaz de 'roubarem' sua ilha

Jogador reafirma que foi Flávio Bolsonaro quem articulou a tomada da mansão em Angra e aponta que advogado filho de ministro do STJ atuou no caso; acusações ainda não comprovadas judicialmente

Richarlisson mostra documentos e acusa Flávio e Willer Tomaz de 'roubarem' sua ilha
📷 Reprodução/Instagram
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  • Richarlison sustenta que foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) quem articulou a perda da posse de sua mansão na Ilha Comprida (Angra dos Reis), com o advogado Willer Tomaz atuando, na descrição do jogador, como testa de ferro (laranja) na operação.
  • O jogador relata que a disputa judicial foi perdida depois que o grupo de Tomaz contratou como advogado Luis Felipe Salomão Filho, filho do ministro do STJ e corregedor nacional de Justiça Luis Felipe Salomão — fato confirmado por reportagens anteriores, embora o advogado tenha atuado apenas na fase do TJRJ, segundo ele próprio.
  • O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve, em junho de 2025, decisão favorável à empresa de Tomaz; não há indicação pública de que o ministro Luis Felipe Salomão tenha participado desse julgamento.
  • Willer Tomaz nega irregularidades, diz que Richarlison “comprou a ilha de invasores” e moveu ação para tentar impedir novas publicações do jogador sobre o caso — pedido rejeitado pela Justiça do DF.
  • Por que importa: a acusação de que Flávio teria sido o verdadeiro interessado na propriedade, usando Tomaz como intermediário, ecoa o padrão já apurado em outro caso — o da Best Bet — em que o senador é suspeito de usar Tomaz para ocultar participação em negócios.
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O atacante Richarlison, do Tottenham, voltou a public​ar nas redes sociais uma versão mais direta da disputa pela posse de uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ): segundo o jogador, quem de fato articulou a perda do imóvel foi o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — não apenas seu amigo, o advogado Willer Tomaz, que teria atuado como intermediário na operação.

“Quem queria a ilha era o Flávio”, diz o jogador

Em diferentes publicações nas últimas semanas, Richarlison tem insistido que foi Flávio quem demonstrou interesse direto na propriedade a partir de 2020 e que Tomaz apareceu depois, formalizando a transferência de posse em nome próprio ou de empresas ligadas a ele. É essa a base da caracterização de Tomaz como “laranja” feita pelo jogador — uma hipótese ainda não confirmada judicialmente, mas que dialoga com outra investigação em curso: a Polícia Federal já pediu ao STF a abertura de inquérito para apurar se Tomaz atuou como testa de ferro de Flávio também na casa de apostas Best Bet, com movimentações bancárias que uma perícia da própria PF descreve como possível “ponto de concentração, circulação e redistribuição de recursos em favor de terceiros”.

“Flávio Bolsonaro e o tal do Willer Tomaz foram lá e, em 24 horas, pegaram a posse da ilha” — Richarlison, em vídeo publicado em suas redes sociais.

Reportagens publicadas por outros veículos confirmam que Flávio visitou a mansão em 2021 acompanhado de Tomaz e que, segundo relato do antigo proprietário a esses veículos, foi esse contato que levou à apresentação de Tomaz ao imóvel — mas a assessoria do senador nega qualquer vínculo formal com o processo judicial, afirmando que ele não é parte na ação e que seu papel se limitou ao de testemunha.

O advogado filho do ministro do STJ

Richarlison afirma que o caso estava sendo vencido por seu grupo na Justiça de Angra dos Reis até Tomaz contratar como advogado Luis Felipe Salomão Filho — filho do ministro do Superior Tribunal de Justiça e corregedor nacional de Justiça Luis Felipe Salomão. Esse vínculo familiar é real e foi documentado por colunista do Metrópoles ainda em 2022, quando o advogado deixou o caso. Segundo ele próprio informou à época, sua atuação estava limitada por acordo ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) — ou seja, não há registro público de que tenha atuado na fase do processo que chegou ao STJ.

Esse ponto exige máxima precisão: Richarlison associa a contratação desse advogado a uma mudança na sentença a favor de Tomaz, sugerindo uso de influência. Não há, porém, nenhuma indicação pública de que o ministro Luis Felipe Salomão tenha participado do julgamento do caso no STJ, nem de que a atuação de seu filho — circunscrita, segundo ele, ao TJRJ — tenha irregularidade comprovada. O STJ confirmou, em junho de 2025, decisão favorável à empresa de Tomaz, e os processos relacionados ao imóvel foram posteriormente encerrados após desistência dos autores, segundo apuração de outro veículo.

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A versão de Willer Tomaz

Tomaz nega as acusações de Richarlison e, em nota enviada a outros veículos, afirmou que o jogador “comprou a ilha de invasores” e nunca chegou a figurar formalmente como parte nos processos judiciais — quem teria litigado, segundo o advogado, foi a empresa Sport 70, ligada ao ex-empresário do jogador, Renato Velasco, que acumulou derrotas em todas as instâncias, incluindo o STJ. Tomaz desafiou publicamente Richarlison a apresentar, em 72 horas, documentação anterior a julho de 2022 que comprove posse do imóvel em seu nome, prometendo devolver os direitos sobre a propriedade caso o jogador consiga.

Mais recentemente, Tomaz recorreu à Justiça do Distrito Federal pedindo que Richarlison fosse impedido de publicar novos conteúdos sobre o caso. O pedido de urgência foi rejeitado, com a Justiça apontando risco de censura prévia às manifestações do jogador.

O que ainda não está provado

Até o momento, não há decisão judicial reconhecendo fraude processual na transferência de posse do imóvel, nem qualquer apuração formal que confirme a hipótese de que Willer Tomaz tenha agido como testa de ferro de Flávio Bolsonaro nesse caso específico — diferente do que ocorre no inquérito já aberto sobre a Best Bet, onde a suspeita de interposição de pessoa é objeto de investigação formal da PF. A narrativa de Richarlison é consistente com o padrão de atuação que já vem sendo apurado em outras frentes envolvendo Tomaz, mas, no caso da ilha, segue sendo, por ora, a versão de uma das partes em litígio civil já encerrado nas instâncias que percorreu.

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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