Eleições 2026

Saúde e violência dominam pauta em RO enquanto Rogério lidera com rejeição recorde

Levantamento de agosto mostra senador do PL com 24% no governo de Rondônia, três pontos à frente de Adailton Fúria (PSD), mas com 27% de rejeição — índice mais alto entre os principais candidatos. Saúde e violência são os problemas mais citados pelos eleitores

Saúde e violência dominam pauta em RO enquanto Rogério lidera com rejeição recorde
📷 Reprodução
📋 Em resumo
  • Pesquisa Quaest (21-24/08) mostra Marcos Rogério (PL) liderando com 24% para governador de Rondônia
  • Adailton Fúria (PSD) aparece em segundo com 21%; Hildon Chaves (União) e Expedito Netto (PT) empatam com 10%
  • Marcos Rogério lidera também em rejeição: 27% dizem "conhece e não votaria" — índice mais alto entre os quatro principais
  • Saúde (37%) e violência (13%) são os problemas mais citados pelos eleitores rondonienses
  • 42% dos eleitores dizem que apoio de Flávio Bolsonaro a nenhum candidato "não muda nada"
  • Por que isso importa: A liderança de Marcos Rogério é numérica, mas frágil: quase metade do eleitorado ainda não se decidiu, a rejeição é alta e o teto de crescimento do candidato do PL pode estar próximo do limite
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Marcos Rogério (PL) lidera a disputa pelo governo de Rondônia, mas carrega um problema que nenhum outro candidato principal tem em igual proporção: rejeição. É o que revela a pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (26), que mostra o senador com 24% das intenções de voto no cenário estimulado — três pontos à frente de Adailton Fúria (PSD), que tem 21%. Atrás deles, Hildon Chaves (União Brasil) e Expedito Netto (PT) empatam com 10% cada.

O levantamento, realizado entre os dias 21 e 24 de agosto de 2026 com 804 entrevistados em todo o estado, foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números RO-05711/2026 e BR-00490/2026. A margem de erro é de ±3,0 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Os dados obrigatórios de divulgação completam o retrato metodológico: a pesquisa foi contratada pelo Banco Genial, o estatístico responsável é Felipe Nunes e o registro no TSE foi feito em 19 de agosto de 2026. O universo pesquisado compreende eleitores de 16 anos ou mais, em todas as regiões do estado, com amostragem estratificada por município, sexo, idade, escolaridade e renda familiar.

Marcos Rogério lidera, mas a rejeição é o maior obstáculo

A pesquisa Quaest traz um dado que desenha o perfil de vulnerabilidade de Marcos Rogério. Quando perguntados se conheciam o candidato e votariam nele, 40% responderam "conhece e votaria" — o maior índice de positividade entre os candidatos. Mas 27% responderam "conhece e não votaria" — também o maior índice de rejeição entre os quatro principais postulantes ao Palácio Rio Madeira.

A comparação com os adversários é reveladora. Adailton Fúria (PSD) tem 35% de "conhece e votaria" e apenas 18% de "conhece e não votaria". Hildon Chaves (União) tem 20% de positividade e 22% de rejeição. Expedito Netto (PT) tem o segundo maior índice de rejeição — 40% —, mas também o menor índice de conhecimento: 43% dos eleitores dizem não conhecer o candidato petista.

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"A rejeição de Marcos Rogério é um sinal de que o eleitorado já o conhece e já se posicionou. Isso pode ser vantagem em um primeiro turno, onde a base fiel é decisiva, mas vira problema em um eventual segundo turno, onde a candidatura precisa atrair votos além do núcleo duro."

— Análise do Painel Político

A rejeição de Rogério não é novidade. Em julho, o Real Time Big Data já registrava 43% de eleitores que disseram que não votariam de maneira alguma no senador. Na pesquisa Quaest de agosto, o índice de "conhece e não votaria" caiu para 27% — uma melhora aparente, mas que pode ser explicada pela mudança de metodologia: a Quaest pergunta sobre conhecimento e intenção, enquanto o Real Time perguntava sobre rejeição absoluta. O que não mudou é a posição relativa: Marcos Rogério continua sendo o candidato mais rejeitado entre aqueles que têm chances reais de ir ao segundo turno.

O comparativo com pesquisas anteriores: a trajetória de queda de Rogério

Quando se cruza a Quaest de agosto com levantamentos anteriores, o quadro que emerge é de retração consistente de Marcos Rogério — e de crescimento de Adailton Fúria e Hildon Chaves.

Em maio, o Instituto Veritá (4-8/05, 1.220 entrevistados, margem de erro de 3,0 pontos) colocava Marcos Rogério com 42,5% das intenções de voto — quase o dobro do registrado pela Quaest. Na ocasião, Adailton Fúria tinha 22,2% e Hildon Chaves aparecia com 21,7%.

Em junho, o IHPEC (11-24/06, 3.197 entrevistados, margem de erro de 2,5 pontos) já mostrava uma queda: Rogério com 31,54%, Fúria com 27,48% e Hildon Chaves com apenas 8,17%.

Em julho, o Real Time Big Data (14-15/07, 1.600 entrevistados, margem de erro de 2,0 pontos) confirmou a tendência: Rogério caiu para 36%, Fúria subiu para 28% e Hildon Chaves recuperou fôlego com 13%.

O IAP (1-9/07, 2.500 entrevistados, margem de erro de 2,45 pontos) mostrou Rogério com 39,79%, Fúria com 28,28% e Hildon com 15,16%.

Já o Instituto Phoenix (15-18/08, 961 entrevistados, margem de erro de 3,2 pontos) — pesquisa divulgada uma semana antes da Quaest — registrou Rogério com 28,2%, Fúria com 19,35% e Hildon Chaves com 16,65%.

A tabela comparativa desenha uma trajetória clara:

comparativo

Comparativo- Arte -Painel Político

A conclusão é inequívoca: Marcos Rogério perdeu 18,5 pontos percentuais desde maio. A queda não é linear — houve recuperação entre junho e julho —, mas a tendência de agosto é de retração acentuada. Adailton Fúria, por outro lado, oscila entre 19% e 28%, sem uma trajetória clara de crescimento ou queda. Hildon Chaves oscila ainda mais: de 21,7% (Veritá, maio) a 8,17% (IHPEC, junho), passando por 16,65% (Phoenix, agosto) e caindo para 10% na Quaest.

Hildon Chaves na disputa

A convenção da Federação União Progressista, realizada em 3 de agosto em Porto Velho, homologou Hildon Chaves (União Brasil) como candidato oficial ao governo de Rondônia. O ex-prefeito de Porto Velho (2017-2024) tem como vice o deputado estadual Cirone Deiró e integra a mesma federação que lançou Silvia Cristina e Mariana Carvalho ao Senado.

O prazo para convenções partidárias encerrou-se em 5 de agosto e o início oficial da campanha eleitoral foi em 16 de agosto. Todos os nomes que aparecem na pesquisa Quaest — Marcos Rogério, Adailton Fúria, Expedito Netto, Hildon Chaves, Samuel Costa (PSB) e Pedro Abib (MDB) — são candidatos registrados ou em processo de registro junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO).

A oscilação de Hildon Chaves nas pesquisas — de 21,7% em maio a 10% em agosto — pode ser explicada em parte pela consolidação do campo. Em maio, ainda havia especulação sobre a candidatura de Confúcio Moura (MDB) e de Fernando Máximo (PL) ao governo. Com a desistência de ambos e a oficialização dos nomes, o eleitorado se concentrou nos candidatos com maior estrutura. Hildon Chaves, que depende fortemente do eleitorado de Porto Velho, pode ter visto parte de sua base migrar para Adailton Fúria, que construiu capital político em Cacoal e no interior do estado.

Saúde e violência: os problemas que o próximo governador terá de enfrentar

A pesquisa Quaest perguntou aos eleitores qual é o principal problema de Rondônia. A resposta foi categórica: saúde lidera com 37% das citações, seguida de violência com 13%. Infraestrutura aparece em terceiro com 9%, corrupção com 7% e desemprego com 4%.

A combinação de saúde e violência — que somam 50% das respostas — desenha a pauta central da campanha. Nenhum candidato pode ignorar esses dois temas. Marcos Rogério, advogado de formação, tenta capitalizar a pauta da saúde. Adailton Fúria, prefeito de Cacoal, destaca investimentos em segurança pública durante sua gestão municipal. Hildon Chaves, ex-prefeito de Porto Velho, investiu em UBS e em melhorias significativas no setor, mas ainda tem muito a ser feito.

A avaliação do governo atual — do governador Marcos Rocha (União) — também pesa no cenário. A pesquisa Quaest mostra que 46% dos eleitores aprovam o governo, 34% desaprovam e 20% não sabem ou não responderam. Quando perguntados se Marcos Rocha merece ser reeleito ou merece eleger um sucessor, 38% responderam "sim", 45% responderam "não" e 17% não souberam responder.

A maioria dos eleitores (44%) considera que o próximo governo deve "mudar totalmente" o que vem sendo feito. Outros 34% defendem mudar "apenas o que não está bom". Apenas 17% querem a continuidade.

O eleitorado indeciso e o peso de Flávio Bolsonaro

A pesquisa Quaest traz dois dados que alteram a interpretação do cenário eleitoral. O primeiro é o índice de indecisos: 22% dos eleitores ainda não escolheram um candidato e 10% dizem que votarão branco, nulo ou não votarão. Somados, os indecisos e os abstencionistas representam 32% do eleitorado — um contingente maior do que a votação de qualquer candidato individual.

O segundo dado é sobre o peso político de Flávio Bolsonaro (PL), senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Quaest perguntou aos eleitores se o apoio de Flávio a um candidato mudaria seu voto. O resultado: 36% disseram que o apoio "aumenta a chance de votar no candidato", 19% disseram que "diminui a chance" e 42% responderam que "não muda nada".

O dado é um sinal de alerta para Marcos Rogério. Embora o senador do PL seja alinhado ao bolsonarismo, o apoio de Flávio Bolsonaro não é um ativo decisivo para quase metade do eleitorado. Para 19%, é até um passivo. Isso limita a capacidade de Rogério de usar o nome de Flávio como motor de campanha — e explica por que o candidato tem investido mais em uma narrativa própria, focada em gestão e desenvolvimento, do que em alinhamento explícito ao clã Bolsonaro.

A preferência por aliados políticos também revela um eleitorado fragmentado: 43% querem um governador aliado de Flávio Bolsonaro, 23% preferem um aliado de Lula e 30% querem um governador independente.

Os cenários de segundo turno: onde a rejeição de Rogério pesa

A pesquisa Quaest simulou seis cenários de segundo turno. Os resultados mostram que, embora Marcos Rogério lidere o primeiro turno, sua vantagem se dilui quando o confronto fica mano a mano.

Contra Adailton Fúria, Rogério venceria com 40% contra 29% — mas 31% do eleitorado estaria indeciso, branco ou nulo. Contra Expedito Netto, a vantagem é maior: 49% a 23%. Contra Hildon Chaves, Rogério teria 47% contra 20%.

Mas o cenário mais revelador é o confronto entre Adailton Fúria e Hildon Chaves: Fúria venceria com 37% contra 23%, mas 40% do eleitorado estaria indeciso, branco ou nulo. Isso indica que, sem Rogério no segundo turno, uma fatia expressiva do eleitorado não se sente representada por nenhum dos dois.

A comparação com pesquisas anteriores de segundo turno mostra que a vantagem de Rogério está encolhendo. Em julho, o Real Time Big Data mostrava Rogério vencendo Fúria por 44% a 40% — margem de apenas quatro pontos. A Quaest de agosto amplia essa vantagem para 11 pontos (40% a 29%), mas o eleitorado indeciso sobe de 16% para 31%. Em outras palavras: Rogério vence no papel, mas não convence.

Confira a calculadora eleitoral

O que está em jogo: liderança frágil e eleitorado em aberto

A pesquisa Quaest desenha um cenário de alta volatilidade para o governo de Rondônia. Marcos Rogério lidera, mas sua liderança é numérica, não hegemônica. Em quatro meses, ele perdeu quase metade de sua intenção de voto (de 42,5% em maio para 24% em agosto). A rejeição de 27% é um teto de vidro que dificulta o crescimento. E o apoio de Flávio Bolsonaro — que poderia ser um diferencial — é neutro para 42% do eleitorado.

Adailton Fúria, em segundo lugar, tem a vantagem da baixa rejeição (18%) e da capacidade de atrair eleitores que rejeitam Rogério. Mas oscila entre 19% e 28% há quatro meses, sem conseguir consolidar uma trajetória de crescimento clara.

Hildon Chaves, em terceiro, tem o desafio de reconstruir a base que perdeu desde maio. A queda de 21,7% (Veritá) para 10% (Quaest) é preocupante, mas ainda há espaço para recuperação: 58% dos eleitores dizem não conhecê-lo, o que significa que há um universo de 58% do eleitorado que ainda pode ser conquistado — ou perdido.

Expedito Netto, com 10%, enfrenta o desafio oposto: 40% de rejeição e apenas 17% de "conhece e votaria". O candidato do PT precisa não apenas crescer, mas reverter um índice de rejeição que é o segundo maior entre os principais postulantes.

A eleição ao governo de Rondônia será decidida no detalhe. Com 32% de eleitores indecisos ou abstencionistas, nenhum candidato tem vaga garantida no segundo turno. A pergunta que a campanha precisa responder nos próximos 40 dias não é quem lidera hoje — é quem consegue converter o eleitor que ainda não escolheu. E se a história recente de Rondônia serve de parâmetro, a diferença entre a vitória e a derrota pode ser de menos de trinta mil votos.


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