Poder e Bastidores

Sebrae nacional vira palco de escândalo de assédio e falta de controle das contas

Problemas começaram na gestão do ex-presidente Carlos Melles (PL-MG) e não estão sendo resolvidos pelo atual gestor da entidade, Décio Lima (PT-MG)

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Décio Lima é atual presidente nacional do Sebrae

O Sebrae Nacional vem se transformando em um palco de escândalos envolvendo a ex-diretoria e a atual, que se omite em buscar resolver os problemas. Denúncias de assédio pipocam na justiça do Trabalho e mais recentemente surgiram suspeitas graves sobre as contas da entidade, que estariam sem nenhum controle.

Uma auditoria externa contratada pelo Sebrae emitiu um relatório sobre as demonstrações contábeis do ano passado e apontou que não é "possível obter evidência de auditoria apropriada e suficiente para fundamentar" sua opinião sobre as contas do Sebrae. O trabalho foi feito pela firma britânica Grant Thornton.

Uma investigação da Controladoria-Geral da União(CGU ) encontrou indícios de fraudes, superfaturamento e desvios em convênios do Sebrae Nacional firmados entre 2019 e 2020, e recomendou uma apuração interna para descobrir se há o mesmo problema com outros contratos.

A Grant Thornton justificou sua "abstenção de opinião" sobre as contas de 2023 citando a apuração da CGU. Segundo os auditores, houve também uma apuração interna sobre os três convênios investigados pela CGU, que levou a sanções aos responsáveis e a medidas para recuperar os recursos perdidos pelo Sebrae.

No entanto, até o momento da publicação do relatório de auditoria, 28 de junho deste ano, o Sebrae não havia aberto nenhum procedimento para apurar se houve problemas semelhantes em outros convênios, segundo a Grant Thornton.

Além disso, não foram executadas, pela administração, "auditorias forenses ou investigações adicionais sobre os casos detectados que, em nosso julgamento, deveriam ter sido realizadas para suportar as devidas conclusões sobre os assuntos".

De forma geral, os auditores avaliam que não há mecanismos de controle suficientes sobre a fiscalização do dinheiro dos convênios para onde vão os recursos do Sebrae, o que torna impossível dar uma opinião sobre as contas de 2023

O ex-deputado e presidente do Sebrae, Carlos Melles

Assédio moral

Até 2023 o Sebrae era dirigido por Carlos Melles (PL-MG), que tentou se reeleger mas foi derrotado por Décio Lima (PT-MG). Melles foi acusado de assédio moral contra os funcionários. A maioria dos relatos foi feita por mulheres e uma apuração interna foi aberta pela entidade.

Entre as queixas dos denunciantes, o atual gerente-adjunto do Sebrae, Carlos Eduardo Santiago foi apontado como perseguidor de colaboradores que se destacam, levando pessoas da equipe a pedirem a troca de unidade, ainda que sua formação e perfil estejam ligados à unidade que ele gerencia, e diversos afastamentos médicos. Santiago, conhecido como “Cadu” é afilhado do Chefe de Gabinete, Alessandro Machado, e foi protagonista de duas demissões controversas e ilegais. A primeira uma colaboradora em tratamento de câncer – o sindicato teve acesso ao laudo médico, demissão já irregular e também desligou uma funcionária, cujo trabalho é tido como irrepreensível tecnicamente internamente e pelo mercado. Ambas foram listadas em justificativas pífias, relatando “motivos comportamentais”. Cadu, derrubou recentemente o gerente Ivan Hussni, ex-diretor do Sebrae SP, de quem era adjunto, com apoio do padrinho. 

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Diego Wander, Edileide Epaminondas e Ana Rodrigues, também gerentes e ex-gerentes são descritos como fonte de adoecimento da maioria dos integrantes de seus times por meio de manipulação e estigmatização segundo os integrantes de suas equipes ouvidos pelo sindicato. As histórias são muitas, mas um chama atenção: a demissão de um colaborador cuja esposa estava em tratamento de um câncer e que foi demitido por “não estar motivado”, absurdo que faz questionar que padrão de gestores a empresa disponibiliza ao país.

Quick também é acusado, pelos ouvidos pelo sindicato, de favorecer aliados, como Eduardo Curado, conhecido como “passador de slides do diretor”, foi de analista no gabinete de Bruno para gerente nacional, cargo que é remunerado com um dos maiores salários da entidade às exceção das diretorias, mais de 25 mil reais, sem um processo seletivo interno.

Todas as unidades da chamada Diretoria Técnica enfrentam interferências nas avaliações dos colaboradores por parte de Alessandro Machado, conhecido como “Tchê”, que também, segundo denunciantes, é acusado de “passar o rodo” nas colaboradoras e de agir de forma truculenta com os colegas. Essa queixa, segundo os colaboradores, chegou à Ouvidoria do Sebrae, mas não teve desdobramentos públicos.

Segundo as denúncias feitas ao sindicato o serviço de psicologia oferecido aos colaboradores do Sebrae Nacional alertou reiteradamente sobre a piora da saúde mental dos colaboradores à Unidade de Gestão de Pessoas, gerenciada por José Caetano de Andrade Minchillo, ex-Banco do Brasil e também indicado sem processo seletivo, mas nenhuma medida foi tomada em relação ao assédio moral. Esse mesmo gerente respondeu a uma colaboradora que buscou ajuda na gestão de pessoas, em evidente estado de crise de pânico, que “seria prejudicada se não fizesse a tarefa que estava determinada” ignorando o estado de incapacidade apresentado, segundo mensagem eletrônica que o sindicato teve acesso.

Na gestão de Quick e Machado, vários funcionários foram afastados por questões de saúde mental, o maior número já registrado no Sebrae. Uma funcionária afastada descreveu a situação como “uma tortura mental”, outra, também em afastamento médico disse que “morreria se não saísse da unidade que trabalha”.

O jornalista Márcio Michelasi, do blog Probeleza, relatou os detalhes da gestão (clique aqui para ler na íntegra).

Em 17 de junho deste ano, a justiça determinou a reintegração da Coordenadora do Sebrae Nacional, Andrezza Torres que havia sido demitida, segundo informações, “demissão açodada (e desrespeitosa) causou muita indignação, um grande sentimento de injustiça porque Torres, publicitária de formação, com várias especializações que perpassam das ciências humanas às tecnológicas (com vivência até no vale do silício), é um grande legado ao setor da beleza que merecia todo o respeito ao legado construído em nome do Sebrae”.

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