Tecon 10: EUA sinalizam preocupação com presença chinesa em leilão estratégico de Santos
Diplomacia americana acende alerta sobre participação chinesa em megaterminal de Santos; entenda os impactos para a logística de exportação de Rondônia
📌 Em resumo
• Kevin Murakami, cônsul-geral dos EUA em São Paulo, sinalizou que Washington não vê com bons olhos a participação de empresas chinesas no leilão do Tecon 10, em Santos.
• O megaterminal, com investimentos previstos de R$ 6,4 bilhões, é considerado o maior arrendamento portuário da história do Brasil e deve ser leiloado até 30 de abril de 2026 .
• O Consulado americano negou pressão direta, mas reafirmou “preocupações estratégicas” relacionadas a soberania, segurança e competição geopolítica.
• Para Rondônia, a definição do operador do Tecon 10 impacta diretamente os custos logísticos de exportação de grãos, café e proteína animal.
• Por que isso importa agora: A disputa EUA-China por infraestrutura crítica na América Latina ganha novo capítulo no Brasil, com reflexos imediatos para produtores rurais e cadeias exportadoras de estados como Rondônia.

Em encontro com empresários do setor portuário na Baixada Santista, o cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami, indicou que não é do interesse de Washington que empresas chinesas vençam o leilão do megaterminal Tecon 10, no Porto de Santos. A declaração, feita no início de março de 2026, reacende o debate sobre a influência geopolítica em infraestrutura crítica — e coloca produtores de Rondônia, que dependem do porto para escoar sua produção, no centro da disputa.
O que está em jogo no Tecon 10
O Tecon Santos 10 é o maior projeto de expansão do Porto de Santos, o maior complexo portuário da América Latina. Com previsão de investimentos de R$ 6,4 bilhões, o terminal deve ampliar em 50% a capacidade de movimentação de contêineres do porto, saltando o Brasil da 45ª para a 15ª posição no ranking mundial do setor. A outorga mínima do leilão foi fixada em R$ 500 milhões, e a expectativa oficial é de que o certame ocorra até 30 de abril de 2026, na B3.
Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, entre 11 e 12 grupos — incluindo investidores chineses, norte-americanos, árabes e filipinos — já demonstraram interesse em participar da disputa. "Acho que vai ser um grande leilão. [...] o povo brasileiro vai ganhar, e a gente vai ter lá o porto sem concentração de mercado, de maneira democratizada", afirmou o ministro.
A mensagem diplomática e seus desdobramentos
“O terminal não deveria cair em ‘mãos indesejadas’” — frase atribuída a Kevin Murakami, cônsul-geral dos EUA em São Paulo, por participantes do encontro na Baixada Santista.
A expressão, interpretada como referência a grupos chineses, ecoa preocupações já manifestadas por diplomatas americanos em outros países da região. No Peru, o embaixador dos EUA em Lima, Bernie Navarro, classificou como “preocupante” a influência chinesa no Porto de Chancay, afirmando que “os Estados Unidos jamais permitiriam que um terceiro país administrasse ativos críticos do nosso território”.
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Procurado, o Consulado dos EUA em São Paulo negou que tenha havido pressão direta sobre o leilão brasileiro. Em nota, porém, reconheceu que o governo americano acompanha com atenção a participação de empresas chinesas em projetos de infraestrutura estratégica, citando "soberania, segurança, competição e alavancagem estratégica" como fatores de preocupação.
Modelo de leilão: disputa técnica com viés político
A definição das regras do certame também reflete tensões. O TCU recomendou que o leilão ocorra em duas fases, o que, na prática, poderia excluir armadores — incluindo gigantes europeus como Maersk e MSC — da rodada inicial. A Antaq, por sua vez, propôs modelo que restringiria apenas armadores já instalados em Santos.
Empresas chinesas, por outro lado, fazem lobby junto ao governo federal para garantir participação sem restrições. A indefinição sobre o modelo final adia a publicação do edital e alimenta especulações sobre interferência externa na condução do processo.
Contextualização estratégica: por que Rondônia deve acompanhar
Embora o Porto de Santos esteja em São Paulo, sua operação afeta diretamente a economia de Rondônia. O estado é um dos maiores exportadores de soja, café conilon e carne bovina do Norte do país, e a maior parte dessa produção escoa por Santos. Custos logísticos: A escolha do operador do Tecon 10 pode influenciar tarifas portuárias, eficiência na movimentação de contêineres e prazos de embarque — variáveis que impactam a competitividade do produto rondoniense no mercado internacional.
Segurança da cadeia: Tensões geopolíticas podem gerar instabilidade regulatória ou até sanções indiretas, afetando contratos e fluxos comerciais.
Oportunidades para o agro local: Um terminal moderno e bem gerido pode atrair novos compradores e reduzir gargalos históricos no escoamento da produção regional.
“Parte significativa do comércio bilateral entre Brasil e EUA passa pelo Porto de Santos”, reconheceu o próprio Consulado americano em nota. Para Rondônia, isso significa que decisões tomadas em Brasília e em São Paulo têm efeito cascata sobre o produtor local.
"Não é interesse do governo norte-americano que uma empresa chinesa vença o leilão" — interpretação de empresários presentes ao discurso de Kevin Murakami.
Cronologia resumida do Tecon 10:
2024–2025: Estudos técnicos e definição de parâmetros pelo Ministério de Portos e Antaq
Dez/2025: Governo federal anuncia previsão de leilão para a primeira quinzena de março de 2026
Jan/2026: Ministro Silvio Costa Filho confirma expectativa de realização até 30 de abril
Mar/2026: Declarações do cônsul Kevin Murakami reacendem debate geopolítico
Abr/2026 (previsto): Realização do leilão na B3
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A disputa pelo Tecon 10 vai além de uma simples licitação portuária. É um termômetro da capacidade do Brasil de conduzir processos estratégicos com autonomia, equilibrando interesses comerciais, soberania nacional e parcerias internacionais. Para Rondônia, a lição é clara: em um mundo cada vez mais multipolar, a logística de exportação deixou de ser apenas uma questão de infraestrutura — tornou-se uma variável geopolítica.
Fica a pergunta: o país está preparado para transformar essa tensão em oportunidade, garantindo que seus produtores — inclusive os de estados como Rondônia — saiam ganhando, independentemente de quem vença o leilão?

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