Terremoto Venezuela: 164 mortos e estimativa de até 100 mil vítimas
Dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingem a Venezuela em 39 segundos. Balanço oficial aponta 164 mortos, mas serviço geológico dos EUA projeta até 100 mil vítimas
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- Doublet Earthquake: Dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingem a Venezuela em 39 segundos, considerados os piores em 100 anos.
- Balanço Divergente: Governo venezuelano confirma 164 mortos e 971 feridos, mas o USGS estima que o número de vítimas fatais pode ficar entre 10 mil e 100 mil.
- Destruição em Caracas: Prédios desabaram na capital, hotel de 8 andares caiu no litoral e o Aeroporto Simón Bolívar teve o teto parcialmente destruído.
- Governo Interino: Delcy Rodríguez, presidente interina desde a captura de Nicolás Maduro por militares americanos, decretou estado de emergência.
- Por que isso importa: A tragédia expõe a vulnerabilidade estrutural da Venezuela e testa a capacidade de resposta de um governo sob sanções internacionais e isolamento diplomático.
A Venezuela foi atingida na noite desta quarta-feira (24) pelos piores terremotos em mais de um século. Dois abalos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram em sequência, com apenas 39 segundos de diferença, em um fenômeno raro conhecido como "doublet earthquake". O balanço oficial aponta 164 mortos e 971 feridos, mas o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) projeta que o número de vítimas fatais pode ficar entre 10 mil e 100 mil.
Os tremores, com epicentro próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 168 quilômetros de Caracas, causaram destruição generalizada na capital e em outras cidades venezuelanas. Mais de 500 equipes de emergência trabalham para retirar sobreviventes dos escombros, enquanto a comunidade internacional oferece ajuda humanitária.
O "doublet earthquake" e a profundidade rasa
Os dois terremotos ocorreram pouco após as 19h no horário de Brasília, com menos de um minuto de diferença entre eles. O primeiro abalo, de magnitude 7,2, foi seguido por um segundo ainda mais intenso, de magnitude 7,5.
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O epicentro do tremor mais forte foi localizado próximo à cidade de El Guayabo, a uma profundidade de apenas 13 quilômetros. Por ser classificado como raso, o terremoto foi sentido com intensidade muito maior e causou danos significativamente superiores ao que seria esperado para um abalo de mesma magnitude em maior profundidade.
O USGS registrou os epicentros separados por apenas 5 quilômetros, caracterizando o evento como um "doublet earthquake" — uma ocorrência rara em que dois terremotos de grande magnitude atingem a mesma região em intervalo muito curto.
"A combinação de dois terremotos poderosos em 39 segundos, com epicentro raso e próximo a áreas densamente povoadas, criou as condições perfeiras para uma catástrofe de proporções históricas."
Após os tremores principais, o governo venezuelano registrou pelo menos 20 réplicas nas horas seguintes, mantendo a população em estado de alerta e dificultando os trabalhos de resgate.
Destruição em Caracas e o colapso de infraestruturas
Relatos de autoridades e moradores indicam que prédios e casas desabaram em Caracas e em outras cidades venezuelanas. Imagens que circulam nas redes sociais mostram equipes de resgate trabalhando nos escombros de um edifício que desabou na capital, enquanto familiares procuram informações sobre pessoas que poderiam estar presas sob os destroços.
No litoral, um hotel de pelo menos oito andares desabou completamente. As imagens do edifício reduzido a entulho ilustram a força dos tremores e a vulnerabilidade das estruturas construídas sem padrões antissísmicos adequados.
O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, principal terminal aéreo do país, foi fechado após parte do teto desabar, complicando a chegada de ajuda humanitária e equipes de resgate internacionais.
Hospitais da capital foram mobilizados para atender os feridos, e funcionários foram convocados para reforçar o plantão da noite. A rede de gás e eletricidade foi desligada em várias áreas para evitar explosões e incêndios secundários.
O governo interino e a resposta de Delcy Rodríguez
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência após os terremotos e anunciou a suspensão de aulas e de todos os serviços não essenciais para que as autoridades se concentrem no resgate das pessoas soterradas.
Rodríguez assumiu o poder em janeiro de 2026, após uma operação militar dos Estados Unidos capturar o ex-presidente Nicolás Maduro e sua esposa. A situação política do país permanece instável, com questionamentos sobre a legitimidade do governo interino e a influência americana nos rumos da nação.
Em pronunciamento na televisão estatal, Rodríguez afirmou que equipes de resgate, segurança e assistência civil foram mobilizadas para atender as áreas afetadas. Ela agradeceu à comunidade internacional pelo apoio recebido e informou que os primeiros socorristas estrangeiros devem chegar nas próximas horas.
Dezenas de chefes de Estado e de governo se solidarizaram e se colocaram à disposição para enviar ajuda humanitária, produtos médicos e equipes de resgate. Além do Brasil, a lista inclui países que já sofreram terremotos devastadores, como os Estados Unidos, a Turquia, o México e Portugal.
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou solidariedade e disse ter mandado todas as agências do governo americano ajudarem. A China, que era a principal compradora do petróleo venezuelano antes da captura de Maduro, afirmou que vai fazer o que for possível para auxiliar nas operações de resgate.
A discrepância: 164 mortos ou até 100 mil?
A divergência entre o balanço oficial venezuelano e as projeções do USGS levanta questões sobre a real dimensão da tragédia. Enquanto o governo de Delcy Rodríguez confirma 164 mortos e 971 feridos até o momento, o serviço geológico americano estima que o número de vítimas fatais pode ficar entre 10 mil e 100 mil.
Essa discrepância pode ser explicada por diversos fatores: a dificuldade de acesso às áreas mais afetadas, o colapso de comunicações, a demora na identificação de corpos e a possibilidade de que milhares de pessoas ainda estejam soterradas sob os escombros.
O USGS utiliza modelos estatísticos baseados na magnitude do terremoto, na densidade populacional da área atingida e na qualidade das construções para projetar o número de vítimas. No caso da Venezuela, a combinação de um terremoto raso, próximo a uma capital densamente povoada e com edifícios antigos ou construídos sem padrões antissísmicos, eleva drasticamente a estimativa de mortos.
Tremores sentidos no Norte do Brasil
A Rede Sismográfica Brasileira informou que os terremotos foram registrados por estações de monitoramento no país e sentidos por moradores de cidades da Região Norte. Houve relatos de tremores em Belém, Manaus, Boa Vista e Macapá, além de outros municípios desses estados.
Segundo o sismólogo Bruno Collaço, do Centro de Sismologia da USP, é relativamente comum que terremotos dessa magnitude sejam percebidos a grandes distâncias. "Apesar do susto que podem causar nas pessoas por aqui, a distâncias como essa não há chance de danos para as cidades brasileiras", afirmou.
O alerta de tsunami e a geologia venezuelana
Inicialmente, o Sistema de Alerta de Tsunamis dos Estados Unidos emitiu um aviso para Porto Rico e para as Ilhas Virgens americanas e britânicas. O alerta também mencionava a possibilidade de ondas perigosas em Aruba, Curaçao e Bonaire.
O aviso foi cancelado cerca de uma hora depois, após monitoramento indicar que não havia risco de tsunami.
A Venezuela fica em uma área de intensa atividade sísmica, na região de encontro entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul. O país já registrou terremotos devastadores no passado. Em 1812, por exemplo, um tremor atingiu Caracas e Mérida e deixou cerca de 30 mil mortos.
Cenário: A tragédia e o isolamento político
O que os terremotos na Venezuela revelam não é apenas a força da natureza, mas a vulnerabilidade de um país que enfrenta uma crise humanitária prolongada, sanções internacionais e instabilidade política. A capacidade de resposta do governo interino de Delcy Rodríguez será testada nos próximos dias, quando a janela de sobrevivência para soterrados se fechar e a real dimensão da tragédia se tornar clara.
A ajuda internacional, embora oferecida por dezenas de países, esbarra nas restrições impostas pelas sanções econômicas e na desconfiança mútua entre Caracas e Washington. A tragédia pode ser uma oportunidade para reabrir canais diplomáticos ou apenas mais um capítulo na longa lista de crises que assolam a nação sul-americana.
Resta saber se as estimativas do USGS se confirmarão e se a Venezuela terá condições estruturais e políticas para enfrentar a reconstrução. A resposta a essa pergunta definirá não apenas o futuro de um país, mas o destino de milhões de venezuelanos que já vivem sob o peso de uma das maiores crises humanitárias do século XXI.
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