Trump chama Noruega de “país de merda” por não ganhar o Nobel
Em comício em Michigan, Trump disse que não quer imigrantes da Noruega porque o país não lhe deu o Prêmio Nobel da Paz; chanceler norueguês rebateu a fala
📋 Em resumo ▾
- Trump atacou a Noruega em comício em Port Huron (Michigan), no domingo (25), véspera das eleições legislativas de meio de mandato dos EUA, marcadas para 3 de novembro.
- Ele chamou o país de “país de merda” e disse não querer imigrantes noruegueses nos Estados Unidos, relacionando a fala à decisão do Comitê do Nobel de não lhe conceder o prêmio da Paz.
- Neste ano, o Nobel da Paz foi concedido à juíza sul-africana Navi Pillay, ex-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos; Trump chamou a escolha de “vergonhosa e constrangedora”.
- O chanceler da Noruega, Espen Barth Eide, respondeu que o Comitê do Nobel é independente do governo norueguês.
- Por que importa: é a segunda vez em dois anos que Trump reage com irritação a uma escolha do Nobel da Paz, e repete um padrão de linguagem vulgar sobre países que já havia usado em 2018, no primeiro mandato, sobre o Haiti e países africanos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou a Noruega neste fim de semana e disse que não quer imigrantes do país nos Estados Unidos porque não recebeu o Prêmio Nobel da Paz. A fala ocorreu em comício de campanha em Port Huron, Michigan, no domingo (25), véspera das eleições legislativas de meio de mandato marcadas para 3 de novembro.
“País de merda”: o que Trump disse
Trump classificou o país europeu como “país de merda” e relacionou a declaração à decisão do Comitê do Nobel de não lhe conceder a honraria:
“Francamente, a Noruega é uma porcaria. A Noruega se tornou um país de merda, na verdade.”
O presidente americano declarou que receberia de bom grado imigrantes de determinados países, mas não da Noruega, “porque não ganhei o Prêmio Nobel”. Segundo o relato do evento, ele completou: “Então, não quero ninguém da Noruega”.
A obsessão de Trump com o Nobel da Paz
Trump, que iniciou seu segundo mandato presidencial em janeiro de 2025, nunca escondeu o desejo de ganhar o Prêmio Nobel da Paz. Neste ano, a juíza e ex-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos Navi Pillay, da África do Sul, foi escolhida para receber a honraria. Trump classificou a decisão como “vergonhosa e constrangedora”.
No ano passado, quando a líder da oposição venezuelana María Corina Machado recebeu o Prêmio Nobel da Paz, Trump já havia demonstrado irritação por não ter sido reconhecido com a honraria.
Noruega reage e lembra independência do comitê
O ministro das Relações Exteriores da Noruega, Espen Barth Eide, respondeu nesta segunda-feira (26) às declarações de Trump e ressaltou que o Comitê do Nobel atua de forma independente do governo norueguês. Em entrevista à rádio pública NRK, ele declarou:
“Ele sabe muito bem que o Comitê do Nobel é independente. Nós o lembramos disso, caso alguém tivesse alguma dúvida, e isso continua sendo assim.”
O episódio não é inédito: em 2018, durante seu primeiro mandato, Trump já havia sido alvo de duras críticas por usar expressões vulgares semelhantes para se referir ao Haiti e a alguns países africanos.
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