Poder e Bastidores

Txai Suruí faz apelo por 'justiça' no assassinato de Ari, do povo Uru Eu Wau Wau

Ativista de Rondônia é uma das maiores defensoras da Floresta, com reconhecimento global

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A ativista Txai Suruí divulgou nesta sexta-feita em suas redes sociais um apelo para que seja feita justiça no caso do assassinato do líder indígena Ari, do povo Uru Eu Wau Wau, ocorrido em abril de 2020 na cidade de Tailândia, em Rondônia.

Ari Uru-eu-wau-wau de 33 anos foi encontrado morto na manhã de um sábado na Linha 625 de Tarilândia, distrito de Jaru (RO). Segundo a Associação de Defesa Etnoambiental (Kanindé), Ari trabalhava no grupo de vigilância do povo indígena Uru-eu-wau-wau.

Ele era primo de Awapu Uru-eu-wau-wau, liderança indígena que já sofreu diversas ameaças de morte

Ari, do povo Uru Eu Auw Auw foi assassinado

O boletim de ocorrência foi registrado como homicídio doloso, segundo relato policial, os agentes foram informados por testemunhas de um acidente de trânsito com possível vítima fatal.

Quando os policiais militares chegaram ao local o indígena já havia morrido. Ao lado do corpo estava uma motoneta.

No local do crime não foram encontrados sinais de luta entre vítima e o suspeito.

Segundo a Associação de Defesa Etnoambiental (Kanindé), Ari trabalhava no grupo de vigilância do povo indígena Uru-eu-wau-wau. A função do grupo consiste, principalmente, em registrar e denunciar extrações ilegais de madeira dentro da aldeia.

A Anistia Internacional emitiu nota na época e pediu em nota esclarecimentos e investigações sobre morte de indígena.

O réu

A Polícia Federal prendeu João Carlos da Silva em julho de 2022. Ele é dono de um bar que Ari frequentava. Segundo a investigação da PF, os dois teriam se desentendido e o suspeito chegou a dizer a algumas pessoas que iria matar Ari caso ele passasse pelo bar, pois o achava chato.

Ainda conforme a Polícia Federal, o réu tem um comportamento violento e já possuía um histórico criminal de homicídio, tentativa de homicídio e violência doméstica.

“O que concluímos é que o autor do crime, pelo simples fato de não gostar do Ari, decidiu matar o indígena", afirmou, à época, o delegado Jorge Florêncio de Oliveira.

Desta forma, o Ministério Público Federal (MPF) fez um pedido de declínio que foi acatado pela Justiça Federal, se baseando no relatório final da PF sobre a morte. O caso voltou para a Justiça Estadual.

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Txai Suruí

Indígena e única brasileira a discursar na abertura oficial da Conferência da Cúpula do Clima (COP26), Txai Suruípassou a ser um nome internacional desde a segunda-feira (1°). Isso porque, diante de todo o mundo, a jovem expôs o avanço da mudança climática na Amazônia.

Nascida dos Povos Suruí em Rondônia, Walelasoetxeige Suruí (ou Txai Suruí) tem 27 anos e é filha de Almir Suruí, 50, uma das lideranças indígenas mais conhecidas por lutar contra o desmatamento na Amazônia.

Atualmente a jovem é formada no curso de direito --antes mesmo da formação, Txai já trabalhava na parte jurídica da Associação de Defesa Etnoambiental (Kanindé), entidade que defende a causa indígena em Rondônia.