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União Brasil destina mais de R$ 700 mil a Ieda Chaves e candidatos negros e pardos, menos de 10% desse valor

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Via Painel Político

Um velho ditado árabe diz que os juros deixam os ricos mais ricos e os pobres mais pobres. Esse mesmo raciocínio parece também se aplicar ao fundo eleitoral, que teria por princípio o raciocínio exatamente inverso: equilibrar economicamente o pleito, distribuindo-se os recursos entre os candidatos com critério objetivo e livre de compadrismos e outros vínculos não-republicanos.

De acordo com os dados disponibilizados no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), há grandes disparidades na distribuição aos candidatos das verbas oriundas do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas (FEFC). O União Brasil, partido criado com a fusão do Democratas (DEM) e do Partido Social Liberal (PSL) se destaca nesse aspecto: enquanto a primeira-dama de Porto Velho, Ieda Chaves,
candidata a deputada estadual, foi contemplada pelo partido com mais de R$ 700 mil, coube a outra estreante nas urnas, Iza Celesti, de cor preta, apenas um décimo disso, tendo que se virar em sua campanha com apenas R$ 76.725,00.

Outro candidato de cor parda, Edson Welten, recebeu do União Brasil menos de 10% do que os dirigentes do partido direcionaram para Ieda Chaves. Enquanto Welten tem que fazer sua campanha com apenas R$ 61.355,00, Ieda Chaves foi quem mais recebeu ajuda financeira do partido, embora sua imagem pública seja de uma pessoa de alto poder aquisitivo.

Ela já ultrapassou até o momento a marca dos R$ 700 mil e há rumores dentro da legenda que receberá por estes dias mais um repasse. A candidata também recebeu R$ 100 mil de doação do marido, o prefeito de Porto Velho Hildon Chaves. No total, a campanha de Ieda consumiu até agora R$ 820.271,98 mil. A previsão de limites de gastos é de R$1.270.629,01.

Já há uma preocupação nacional quanto à discriminação que os partidos vêm praticando contra os candidatos negros e pardos na distribuição das verbas eleitorais. A prestação de contas parcial dos candidatos, conforme matéria publicada na mídia nacional, indica que a maioria dos partidos descumprem a proporção de 50% dos recursos para negros e de 34% para as mulheres.

O critério utilizado pela direção do União Brasil – se é que de fato há um critério – permanece uma incógnita. Negros e pardos receberam quantias ínfimas, talvez por serem estreantes, como se poderia alegar; mas há também nomes já experimentados nas urnas que ficaram no final da fila, todos bem abaixo do que foi repassado a Ieda Chaves, que declara um patrimônio de quase quarenta milhões
de reais e mantém um padrão de vida elevado, com viagens internacionais e uso de marcas famosas.

Segundo a legislação, cada legenda deve destinar um mínimo de 30% do Fundo Eleitoral para as candidaturas femininas, sejam proporcionais ou majoritárias.

A distribuição também deve ser proporcional ao número de mulheres negras e não negras e homens negros e não negros.

Loira ostentação

Em junho deste ano, a ex-prefeita Lidiane Leite, de Bom Jardim, cidade situada a 275 km de São Luís, no Estado do Maranhão, recebeu sua décima condenação por esquemas de corrupção enquanto era gestora municipal. Seu marido, Beto Rocha, também foi condenado por envolvimento nos mesmos crimes.

Lidiane Leite ficou conhecida nacionalmente como ‘loura ostentação’, por levar uma vida luxuosa nas redes sociais. Em fotos na internet, ela exibia uma vida de luxo, viagens, nada condizente com a preocupação que dizia ter com as questões sociais e muito menos com a a situação de miséria reinante em seu município. Seu caso se tornou emblemático, símbolo da frivolidade de quem tem apenas duas grandes preocupações na vida: o acesso fácil a verbas públicas e o tingimento das raízes dos cabelos quando eles crescem e começam a mostrar a verdadeira cor.

Lidiane Leite

A partir do incidente com Lidiane, a imagem tradicional da mulher branca, loura e com apelo à sensualidade passou a não ser mais tão valorizada quanto antes. O cidadão brasileiro despertou para a necessidade de buscar conteúdo nos candidatos, escapando, assim, ao encantamento com suas formas e apresentações pessoais, mormente quando derivadas de procedimentos estéticos pelos quais nem toda cidadã ou cidadão pode pagar.

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