Violência policial em SP: 13 PMs são afastados após jogarem homem de ponte em Cidade Ademar
Caso chocante expõe brutalidade policial e se soma aos mais de 600 casos de violência policial registrados em São Paulo apenas em 2023

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) determinou o afastamento imediato de 13 policiais militares após a divulgação de um vídeo que mostra um agente jogando um motociclista de uma ponte na zona sul de São Paulo. O incidente, ocorrido na madrugada de segunda-feira (2) no bairro Vila Clara, região de Cidade Ademar, provocou forte reação das autoridades e da sociedade civil.
Cronologia do caso
O motociclista teria fugido de uma abordagem inicial em Diadema, região do ABC paulista
Os policiais envolvidos pertencem ao 24º Batalhão de Diadema
As imagens mostram um PM arrastando o homem até a beirada da ponte antes de jogá-lo
A SSP instaurou inquérito policial militar (IPM) para apurar os fatos
Repercussão e medidas tomadas
O governador Tarcísio de Freitas e o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, repudiaram publicamente o ato. O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, classificou as imagens como "estarrecedoras e absolutamente inadmissíveis".
Contexto da violência policial em SP
O caso se soma a um cenário preocupante de violência policial no estado. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública:
Em 2023, a polícia paulista matou 384 pessoas nos primeiros nove meses do ano
Houve um aumento de 86% nas mortes por intervenção policial durante operações em SP
A Operação Escudo, realizada no litoral paulista, resultou em 28 mortes em agosto de 2023
O estado registrou mais de 600 denúncias de violência policial em 2023
Medidas de controle
O Ouvidor das Polícias de São Paulo solicitou:
Acesso às câmeras corporais dos PMs envolvidos
Afastamento imediato de todos os policiais envolvidos
Investigação rigorosa do caso
"A missão da Polícia Militar difere em muito desse tipo de atitude", declarou o secretário Derrite, que determinou que os policiais afastados cumprirão expediente na Corregedoria da PM até a conclusão das investigações.
O Ministério Público de São Paulo, através do Grupo de Atuação Especial de Segurança Pública, anunciou que irá acompanhar o caso para garantir a "punição exemplar" dos responsáveis.
Nota da SSP
Em nota oficial, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que "repudia veementemente a conduta ilegal e instaurou um inquérito para apurar os fatos e responsabilizar todos os agentes. A Polícia Militar reitera seu compromisso com a legalidade e não tolera desvios de conduta."
O caso evidencia a necessidade urgente de reformas nas práticas policiais e no treinamento dos agentes, além de maior transparência e controle sobre as ações da corporação.
