Vitória de Lula: André Esteves perde US$ 4,4 bilhões em um dia
Os dez brasileiros entre os 500 mais ricos do mundo tiveram a maior perda diária desde 2012. Banqueiros concentraram o prejuízo, e o real caiu 8%
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- Os dez brasileiros que estão entre as 500 pessoas mais ricas do mundo perderam juntos cerca de US$ 15 bilhões na segunda-feira (26), dia seguinte à vitória de Lula (PT) no 2º turno, segundo o Bloomberg Billionaires Index.
- Foi a maior perda diária do grupo desde a criação do índice, em 2012.
- André Esteves, fundador do BTG Pactual, foi quem mais perdeu: US$ 4,4 bilhões, cerca de 30% da fortuna dele.
- O real caiu cerca de 8%, e a bolsa chegou a suspender temporariamente as negociações.
- Por que isso importa: a perda bilionária não é dinheiro “sacado” do bolso dos empresários. É a desvalorização de ações. Mas a queda do real afeta todo mundo, porque pode encarecer produtos importados e pressionar a inflação.
Os dez brasileiros que estão entre as 500 pessoas mais ricas do mundo perderam juntos cerca de US$ 15 bilhões na segunda-feira (26/10), dia seguinte à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lula venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no 2º turno por uma diferença de 4,4 milhões de votos. Os dados são do Bloomberg Billionaires Index, ranking de fortunas da agência Bloomberg, e consideram as perdas até o meio-dia, horário de Nova York.
“a maior queda em um único dia desde a criação da lista, em 2012”
— Bloomberg Línea, sobre a perda acumulada pelos bilionários brasileiros
Por que o mercado reagiu assim
A queda foi atribuída à expectativa de investidores de que o novo mandato de Lula adote uma política fiscal menos restritiva, ou seja, com mais gastos públicos e menos controle das contas do governo. Na leitura do mercado, isso poderia limitar o espaço para o Banco Central cortar os juros.
A reação foi forte em vários indicadores:
- a bolsa chegou a suspender temporariamente as negociações;
- o real registrou queda de cerca de 8% frente ao dólar.
Os bancos e as instituições financeiras estão entre os ativos mais sensíveis a mudanças de expectativa sobre juros e contas públicas. Por isso, a desvalorização atingiu em cheio as fortunas de quem tem grande participação nesse setor.
Os banqueiros que mais perderam
Segundo o índice da Bloomberg:
- André Esteves, 58 anos, fundador do BTG Pactual, teve a maior perda individual: US$ 4,4 bilhões, cerca de 30% do patrimônio. A fortuna dele passou a ser estimada em US$ 11,3 bilhões. Durante a campanha, Esteves participou de um encontro com Flávio Bolsonaro.
- David Vélez, 45 anos, colombiano, controlador da Nu Holdings, empresa dona do Nubank, perdeu cerca de US$ 2,6 bilhões. A maior parte das operações do banco digital está no Brasil.
- Pedro Moreira Salles, 67 anos, e Fernando Moreira Salles, 80 anos, acionistas do Itaú Unibanco, perderam juntos cerca de US$ 2 bilhões.
Somados, os patrimônios desses quatro empresários do setor bancário chegam a cerca de US$ 45 bilhões. Segundo a Bloomberg, cerca de 18% desse valor foi perdido em um único dia.
A família Moreira Salles: dividida na política, unida na perda
A família Moreira Salles, considerada a mais rica do Brasil, tem quatro irmãos. Pedro e Fernando continuam acionistas do Itaú Unibanco. João e Walter venderam suas ações no banco em 2022.
Os irmãos têm posições políticas diferentes:
- João Moreira Salles, fundador da revista piauí, declarou apoio a Lula na campanha. Em artigo publicado na revista, criticou os empresários que participaram de um jantar com Flávio Bolsonaro, entre eles André Esteves.
- Walter Moreira Salles, cineasta premiado internacionalmente, também fez críticas ao senador.
Mesmo sendo apoiadores de Lula, João e Walter também perderam dinheiro com a queda do mercado: cerca de US$ 1,2 bilhão juntos até o meio-dia em Nova York. Os investimentos deles incluem uma mineradora de capital fechado e a Alpargatas, fabricante das sandálias Havaianas.
O que a perda significa, e o que não significa
Esses números medem a desvalorização das ações que os empresários têm. Eles não significam que os bilionários perderam esse dinheiro de fato, porque ninguém vendeu as ações nesse momento. Se o mercado se recuperar, a fortuna também volta a subir.
Já a queda do real tem efeito mais amplo. Uma desvalorização dessa dimensão tende a encarecer produtos importados e insumos cotados em dólar, como combustíveis, fertilizantes e eletrônicos. Isso pode pressionar os preços no Brasil e dificultar o controle da inflação.
O tamanho da perda chama atenção, mas é o retrato de um único dia, o primeiro depois de uma eleição apertada. Os próximos passos vão depender de duas coisas: dos primeiros sinais do governo Lula sobre gastos e metas fiscais e da forma como o Banco Central vai reagir a um real mais fraco. Se o mercado entender que as contas públicas continuarão sob controle, parte da perda pode ser recuperada nos próximos dias. Se não, a conta deixa de ser só dos bilionários e chega ao bolso de todos, pela inflação e pelos juros.
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