Vorcaro negocia devolução de bilhões para fechar delação sobre fundos de pensão
Ex-banqueiro do Master teme dilapidação de patrimônio oculto e corre contra o tempo para formalizar acordo com PF e PGR; prejuízo em previdências estaduais e municipais supera R$ 3 bilhões
📋 Em resumo ▾
- Daniel Vorcaro assinou termo de confidencialidade com PF e PGR como primeiro passo para formalizar delação premiada.
- Proposta inclui ressarcimento integral aos fundos de pensão estaduais e municipais que perderam mais de R$ 3 bilhões em títulos do Master.
- Rioprevidência (R$ 2,6 bilhões) e Amprev do Amapá (R$ 400 milhões) concentram as maiores exposições; títulos não tinham garantia do FGC.
- Investigadores apuram esquema com quatro núcleos: fraude financeira, corrupção institucional, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça.
- Por que isso importa: O acordo pode redefinir responsabilidades fiscais de estados e municípios, além de expor conexões políticas em ano eleitoral.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro (fundador do Banco Master) negocia um acordo de colaboração premiada que prevê a devolução de valores suficientes para cobrir rombos superiores a R$ 3 bilhões em fundos de pensão estaduais e municipais. A proposta, a ser apresentada ainda nesta semana à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), surge em meio a pressa do empresário, que teme a dilapidação de patrimônio oculto em estruturas financeiras no Brasil e no exterior.
O nó financeiro: quanto Vorcaro pode devolver?
Ainda não há consenso sobre o montante exato que Vorcaro está disposto a ressarcir. Fontes próximas às negociações indicam que a defesa do ex-banqueiro pretende incluir no acordo o "ressarcimento de todos os fundos de pensão" afetados pela crise do Master.O Ministério da Previdência Social confirmou que pelo menos três estados e 15 municípios aplicaram R$ 1,87 bilhão em letras financeiras emitidas pelo banco entre outubro de 2023 e dezembro de 2024. Mas o prejuízo real é maior: o Rioprevidência, fundo do Rio de Janeiro, teve exposição total de R$ 2,6 bilhões ao adquirir também outros tipos de papéis do Master."A proposta dele vai incluir o ressarcimento de todos os fundos de pensão", disse fonte a par das discussões, ouvida em caráter reservado.No Amapá, feudo eleitoral do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a Amapá Previdência (Amprev) aplicou R$ 400 milhões. O Amazonas investiu R$ 50 milhões. Todos esses recursos foram direcionados a letras financeiras — títulos de alto risco sem proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Isso significa que, com a liquidação do Master pelo Banco Central em novembro de 2024, os investidores públicos ficaram sem garantia de ressarcimento automático.
Pressa tem nome: patrimônio oculto em risco
A urgência de Vorcaro não é apenas jurídica. É financeira. Segundo apurações de veículos de imprensa, o ex-banqueiro estima que mais de R$ 10 bilhões em ativos estejam dispersos em uma rede complexa de fundos administrados por gestoras independentes, no Brasil e no exterior.Com Vorcaro preso desde 4 de março de 2026 e seus principais colaboradores também sob custódia, há risco real de que gestores, credores ou terceiros com acesso a essas estruturas comecem a mover ou dilapidar os recursos antes que um acordo seja homologado."Quanto mais se prolongarem as tratativas com a PF e a PGR, maior o risco de dilapidação do patrimônio que poderia lastrear um acordo", avalia interlocutor do caso em Brasília.O liquidante do Master, Eduardo Bianchini, indicado pelo Banco Central, calcula que pelo menos R$ 4,8 bilhões em bens e fundos ligados a Vorcaro já teriam sido desviados antes da intervenção federal.
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