A epidemia do crime e seus danos sociais e econômicos
Por Fernando Valente Pimentel*

A operação Fim da Linha do Ministério Público de São Paulo, desencadeada em abril, com a prisão de integrantes do crime organizado e focada no uso de empresas de ônibus urbanos para a lavagem de dinheiro, enfatizou a gravidade dos problemas do Brasil referentes à segurança pública. Enfrentamos uma “epidemia” que mata milhares de pessoas por ano, causa imensos prejuízos materiais, afasta investimentos nacionais e estrangeiros, prejudica o turismo e provoca imensos danos à economia e à imagem global de nosso país.
Em agosto do ano passado, escrevemos artigo, publicado em vários jornais, intitulado “O amargo preço da violência”, no qual alertávamos sobre a premência de políticas de Estado mais amplas e eficazes de combate à criminalidade, problema crônico e grave, que intimida e dissemina o terror em nossa sociedade. Os números são de um cenário de guerra: em 2022, segundo dados de 2023 do Monitor da Violência, o País teve 40,8 mil mortes causadas por homicídios, latrocínios e lesões corporais. Além do flagelo irreparável das vidas roubadas, o Brasil perdeu, em 2022, R$ 410 bilhões em decorrência do mercado ilegal, segundo o Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP).
Em consequência dessa grave situação, as empresas gastam R$ 171 bilhões anuais com sistemas e medidas de segurança privada. O valor representou 1,7% do PIB nacional em 2022, último ano com os dados totais disponíveis. A informação consta de estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), inserido no seu Atlas da Violência. O problema é muito complexo e não tem solução pronta, mas exige mobilização mais robusta e responsável do poder público, incluindo a União, estados e municípios.
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