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Planilha de Adilsinho cita Ramagem e Castro com depósitos

PF encontra registros de quatro pagamentos ao ex-deputado Ramagem e doação de R$ 3,2 milhões a Castro em operação que mira Máfia do Cigarro no Rio

Planilha de Adilsinho cita Ramagem e Castro com depósitos
📷 Sérgio Lima/Poder360
📋 Em resumo
  • O nome do ex-deputado Alexandre Ramagem aparece em planilha do bicheiro Adilsinho apreendida pela PF na 5ª fase da Operação Unha e Carne.
  • Documentos registram quatro depósitos totalizando R$ 109.888 ao "DEP RAMAGEM" em setembro, sem menção ao ano.
  • O ex-governador Cláudio Castro também é citado com suposta doação de R$ 3,2 milhões, segundo apuração do blog.
  • A operação mira a Máfia do Cigarro e conexões com poderes Executivo e Legislativo do Rio, com sequestro de R$ 22 milhões.
  • Por que isso importa: A planilha expõe a suposta contabilidade paralela da contravenção, onde políticos são tratados como "clientes" com depósitos mensais
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O nome do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) aparece em uma planilha do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apreendida pela Polícia Federal (PF) durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (2). O documento, que reúne supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de dinheiro, cita nominalmente agentes políticos do Rio de Janeiro.

De acordo com informações obtidas pelo blog do Otávio Guedes, no G1, no arquivo nomeado como "planilha 2" aparecem quatro depósitos para o "cliente" identificado como "DEP RAMAGEM" e "DEP ALEXANDRE RAMAGEM". Os registros indicam mês e dia dos pagamentos, além dos valores:

  1. 02/09 - DEP RAMAGEM - R$ 39.708,00
  2. 06/09 - DEP RAMAGEM - R$ 30.000,00
  3. 21/09 - DEP ALEXANDRE RAMAGEM - R$ 18.100,00
  4. 29/09 - DEP ALEXANDRE RAMAGEM - R$ 22.080,00


O total dos quatro depósitos soma R$ 109.888. Nas planilhas não há menção ao ano dos depósitos, mas a regularidade dos valores e a identificação como "DEP" sugerem pagamentos mensais vinculados ao mandato parlamentar.

Quem é Alexandre Ramagem

Ramagem foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Jair Bolsonaro e depois foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro. Ele perdeu o mandato e foi demitido do posto de delegado da Polícia Federal após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos, um mês e 15 dias em regime fechado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

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Ramagem fugiu para os Estados Unidos no mês em que foi condenado e é alvo de um pedido de extradição encaminhado pelo governo brasileiro. Ele entrou com pedido de asilo político, que está sendo analisado pelo governo norte-americano.

Apesar da citação nos materiais apreendidos, o ex-deputado não foi alvo da ação desta quinta-feira, mas é investigado, junto com outros que aparecem na lista. A Polícia Federal está aprofundando as investigações. A reportagem procurou a assessoria de Ramagem e aguarda um posicionamento do ex-deputado.

"Quando um bicheiro trata um ex-deputado federal como 'cliente' em sua planilha, a linha entre o crime organizado e a representação política deixa de ser tênue — ela simplesmente não existe mais."

Cláudio Castro e a doação de R$ 3,2 milhões

O nome do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) também aparece na lista atribuída ao bicheiro Adilsinho. De acordo com a apuração do repórter Mohamed Saigg, a lista cita uma doação de R$ 3,2 milhões para o candidato Cláudio Castro.

O ex-governador cassado concorreu em 2022 à reeleição. Castro governou o Rio de Janeiro de 2021 a 2026, quando renunciou um dia antes do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que determinaria a cassação e inelegibilidade dele. Cláudio Castro também não foi alvo da ação desta quinta-feira.

Em nota, a defesa dele disse ser "mentirosa qualquer ilação" de que o ex-governador tenha recebido pagamentos de Adilsinho. Os advogados afirmaram que uma citação ao nome de Castro "não comprova recebimento de valores, irregularidade eleitoral ou prática de qualquer ato ilícito".

A Operação Unha e Carne e a Máfia do Cigarro

A Polícia Federal deflagrou a 5ª fase da Operação Unha e Carne nesta quinta-feira (2) para investigar esquemas de lavagem de dinheiro da cúpula do jogo do bicho e possíveis conexões com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.

O pastor e empresário Márcio Poncio foi preso preventivamente em um flat na Barra da Tijuca, sendo investigado por suposta ligação com a denominada "Máfia do Cigarro". A máfia é descrita como um esquema que controla a venda de cigarros falsificados em quase metade dos municípios do Rio de Janeiro, gerando prejuízos bilionários em sonegação fiscal.

Além de Poncio, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, expediu mandados de prisão contra Adilsinho e o ex-deputado Rodrigo Bacellar, que já se encontravam presos por fases anteriores da mesma operação.

A decisão judicial também determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões, baseando-se em planilhas da Operação Fumus de 2021 que indicavam pagamentos indevidos e "mesadas" para pelo menos 20 políticos do estado.

O contexto da ADPF das Favelas

A 5ª fase da investigação deriva de uma determinação do STF no âmbito da ADPF das Favelas, que ordena a apuração de vínculos entre grupos criminosos e agentes públicos. Nas fases anteriores, a Operação Unha e Carne investigou o vazamento de informações sigilosas para a facção Comando Vermelho, o escândalo da Ceperj e fraudes em contratações na Secretaria Estadual de Educação.

As investigações anteriores envolveram figuras como o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto e o deputado Thiago Rangel, apontando para uma possível cadeia de proteção institucional ao crime organizado.

"A Operação Unha e Carne não investiga apenas crimes financeiros — ela investiga a simbiose entre o crime organizado e as instituições democráticas do Rio de Janeiro."

O que vem pela frente

A Polícia Federal deve continuar a investigação, ouvindo testemunhas e analisando outros documentos apreendidos. A expectativa é de que novos nomes apareçam nas planilhas e que a contabilidade paralela da contravenção seja totalmente decifrada.

Enquanto isso, os citados nas planilhas precisam responder publicamente: os depósitos foram realizados? Qual a origem dos recursos? Houve contrapartida política?

A Operação Unha e Carne deixa claro que a contravenção no Rio de Janeiro não opera nas sombras — ela possui planilhas, contadores e "clientes" identificados nominalmente. A pergunta que fica é quantos desses "clientes" ainda ocupam cargos públicos ou influenciam decisões políticas no estado.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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