Eleições 2026

Adailton Fúria é questionado sobre inquérito do rejeito de asfalto

No debate da SIC TV, Hildon Chaves cobrou o adversário sobre um inquérito de 2021; Fúria respondeu que a chácara é do pai e disse ter sido inocentado

Adailton Fúria é questionado sobre inquérito do rejeito de asfalto
📷 Eu Ideal
📋 Em resumo
  • No debate da SIC TV para o Governo de Rondônia, o candidato Hildon Chaves (União Brasil) cobrou o adversário Adailton Fúria (PSD) sobre o Inquérito Policial nº 252/2021.
  • A investigação apurou o uso de estrutura pública para espalhar rejeito asfáltico doado pelo DNIT em uma chácara ligada à família de Fúria, em Cacoal, quando ele era prefeito.
  • O relatório final da Polícia Civil, de outubro de 2022, concluiu que Fúria tinha ciência do procedimento e que houve uso indevido de veículo e servidor públicos — e encaminhou o caso ao Ministério Público.
  • Fúria nega irregularidade: diz que a propriedade é do pai ("ele tem um CPF, eu tenho outro"), que se tratava do programa "Porteira Adentro" e que foi inocentado; segundo o próprio debate, o inquérito foi arquivado e desarquivado várias vezes.
  • Por que isso importa: o episódio virou munição eleitoral a menos de duas semanas do 1º turno (4 de outubro) e expõe uma disputa sobre o uso de material público doado — com a palavra final ainda pendente.
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O candidato ao Governo de Rondônia Hildon Chaves (União Brasil) cobrou o adversário Adailton Fúria (PSD), durante o debate da SIC TV na noite de segunda-feira (21), sobre o Inquérito Policial nº 252/2021. A investigação, da época em que Fúria era prefeito de Cacoal, apurou o uso de estrutura pública para espalhar rejeito asfáltico doado pelo DNIT em uma chácara ligada à sua família. Fúria negou irregularidade, afirmou que o imóvel é do pai e disse ter sido inocentado.

O que Hildon cobrou — e como Fúria respondeu

No confronto, Hildon associou o caso à experiência dos dois em pavimentação: disse ter asfaltado centenas de quilômetros em Porto Velho e afirmou que, em Cacoal, "sobrou material para asfaltar uma propriedade da própria família" de Fúria. E foi direto: "O senhor colocou esse rejeito lá no sítio do seu pai".

Fúria negou e separou sua responsabilidade da do pai.

"Ele é uma pessoa, ele tem um CPF, eu tenho outro. Você tem que trazê-lo aqui e fazer o debate com ele." — Adailton Fúria (PSD), no debate da SIC TV

O candidato afirmou ainda ter sido "inocentado pela Justiça" e atribuiu o episódio a denúncias "caluniosas e políticas" em período eleitoral. Hildon rebateu que o inquérito teria sido "arquivado e desarquivado" três vezes.

O que diz o inquérito da Polícia Civil

A apuração começou com uma denúncia do vereador Paulo Henrique Silva (Cacoal), em setembro de 2021, segundo a qual caminhões e servidores da prefeitura teriam espalhado rejeitos retirados de obras da BR-364 em uma chácara do então prefeito. A Polícia Civil confirmou que o imóvel está registrado em nome de Romilton Dias Ferreira, pai de Fúria, e relatou ter encontrado no local indícios de espalhamento recente do material.

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Conforme o relatório, um motorista confirmou ter feito quatro viagens até o endereço a pedido de um secretário municipal, e câmeras de monitoramento registraram um caminhão da Secretaria de Agricultura transportando produto semelhante ao rejeito. A investigação apurou também que, das 15 solicitações de doação feitas ao DNIT, nenhuma previa uso em área particular — e que a doação seria "vinculativa", ou seja, atrelada à finalidade declarada.

A conclusão do delegado — e a divergência interna

No relatório final, datado de 25 de outubro de 2022, o delegado Edson Florêncio de Souza concluiu que o espalhamento ocorreu em propriedade da família do prefeito, que Fúria tinha ciência do procedimento e que houve uso indevido de veículo e servidor públicos para interesse particular. O caso foi encaminhado ao Ministério Público.

Vale um registro de equilíbrio: o próprio relatório aponta que um Delegado Regional anterior havia entendido que o ato era legal e queria encerrar a investigação; o delegado que assinou a conclusão discordou. Ou seja, mesmo dentro da polícia não houve consenso — o que reforça que se trata de conclusão de autoridade policial, e não de decisão da Justiça.

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A defesa de Fúria: "Porteira Adentro" e a propriedade do pai

A versão de Fúria, tanto no depoimento quanto no debate, é a de que a distribuição do rejeito integrava o programa municipal "Porteira Adentro" (Lei 3.217/PMC/2013), como substituto do cascalho, mais econômico do que buscá-lo a dezenas de quilômetros. Ele afirmou que a faixa onde o material foi descarregado é sua, mas que o pedido partiu de um terceiro — que aluga o espaço para eventos — sem que ele tivesse sido comunicado. A prefeitura, à época, sustentou que a entrega seguia as regras do programa. Fúria também disse ter as contas aprovadas por cinco anos consecutivos pelo Tribunal de Contas do Estado, sem ressalvas.

O relatório policial, por outro lado, registra que no local não haveria produção rural — apenas eventos automobilísticos, que, segundo o delegado, seriam promovidos pelo próprio Fúria —, o que, na avaliação da autoridade, descaracterizaria o enquadramento no programa.

O status do caso: arquivado e desarquivado

Aqui é preciso precisão. O que existe é um relatório policial que concluiu pelo uso indevido e foi enviado ao Ministério Público em 2022. Desde então, conforme mencionado no próprio debate, o inquérito teria sido arquivado e reaberto mais de uma vez. Fúria afirma ter sido "inocentado", mas arquivamento não equivale a absolvição, e não há, até aqui, registro público de condenação ou de denúncia levada a julgamento. A palavra final, portanto, segue pendente.

O rejeito de asfalto virou combustível de campanha a poucos dias do 1º turno, mas por baixo da troca de acusações há uma questão concreta e ainda sem desfecho: se material público doado e servidores da prefeitura foram usados em benefício particular. O relatório da polícia diz que sim, na leitura de seu delegado; Fúria diz que não, apontando a propriedade do pai e as regras de um programa municipal. Com o inquérito indo e voltando das gavetas e a definição do Ministério Público ainda incerta, é provável que o eleitor de Rondônia dê seu veredito antes que a Justiça dê o dela.


Versão em áudio disponível no topo do post.

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