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Agente do FBI é preso por roubar US$ 925 mil em criptomoedas de alvos russos

Patrick Yaroch usou acesso a sistemas sigilosos para desviar fundos de carteiras ligadas à Rússia e confessou o esquema após meses de remorso.

Agente do FBI é preso por roubar US$ 925 mil em criptomoedas de alvos russos
📷 Divulgação
📋 Em resumo
  • Patrick Steven Yaroch, agente especial supervisor do FBI lotado na divisão de contrainteligência e espionagem, é acusado de transferir cerca de US$ 925 mil em criptoativos de carteiras associadas à Rússia para contas próprias.
  • Segundo o FBI, ele agiu por frustração com a suposta inércia da agência diante do uso dessas carteiras por um "alvo adversário" durante investigação no escritório de Boston.
  • O agente confessou o crime a um colega e a um funcionário do Departamento de Justiça, foi demitido e preso em 1º de agosto, e enfrenta acusações de transporte interestadual e recebimento de bens roubados.
  • Buscas em seu celular revelaram conversas com o ChatGPT sobre como fugir do país e recomeçar a vida na Europa com o dinheiro roubado.
  • Por que isso importa: o caso expõe fragilidades no controle de ativos digitais apreendidos por agências de segurança dos EUA e ocorre em meio a uma sequência de escândalos de corrupção na comunidade de inteligência americana.
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Um agente especial supervisor do FBI foi preso e indiciado por roubar cerca de US$ 925 mil (aproximadamente R$ 4,9 milhões) em criptomoedas de carteiras digitais que a própria agência monitorava. O agente stole mais de US$ 900 mil em criptomoeda de contas que a agência monitorava, depois de dizer que ficou frustrado com o que via como inação do governo diante do uso indevido dessas contas. Documentos judiciais foram tornados públicos nesta segunda-feira (3).

Patrick Steven Yaroch é descrito em afidávi apresentado à Justiça como agente especial supervisor na divisão de contrainteligência e espionagem do FBI. Ele estava com o órgão desde 2017 e, segundo o Protos, trabalhou na agência entre fevereiro de 2025 e julho de 2026, quando foi indiciado por recebimento e transporte interestadual de bens roubados.

Como o esquema começou

O FBI afirma que Yaroch, que possuía credencial de acesso sigiloso máximo (top secret), investigava um indivíduo de uma nação considerada adversária pelos Estados Unidos enquanto atuava em Boston, em uma equipe de investigações de segurança nacional. Duas fontes ouvidas pela NBC News identificaram essa nação: a nação adversária era a Rússia.

Segundo o FBI, Yaroch decidiu "tomar as coisas em suas próprias mãos". Ele usou sua credencial de acesso sigiloso máximo para entrar em bases de dados do governo e memorizar as senhas associadas às contas adversárias. A partir daí, ele criou uma carteira própria de criptomoeda e, entre o fim de 2024 e o início de 2025, moveu cerca de US$ 1 milhão em criptoativos dessas contas para sua carteira pessoal, ao longo de 10 a 12 transações.

"Ele foi para dentro dos sistemas do FBI e encontrou as chaves necessárias para transferir dinheiro das carteiras para si mesmo", registra o afidávit assinado por outro agente do FBI, segundo a NBC News.

A confissão que expôs o caso

O esquema veio à tona por iniciativa do próprio Yaroch. A investigação do FBI começou quando ele procurou, pelo aplicativo Signal, um funcionário anônimo do Departamento de Justiça na terça-feira; os dois marcaram um encontro para o dia seguinte, quando Yaroch confessou que suas ações estavam "o corroendo por dentro".

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Em 29 de julho, ele contatou a sede do FBI para marcar uma reunião sobre o que havia feito; durante a entrevista, revelou-se que o valor de sua carteira era de aproximadamente um milhão de dólares. No mesmo dia, quando agentes foram à sua residência recolher provas, ele entregou as frases-chave de suas carteiras de criptomoeda, mas cerca de meia hora depois retirou o consentimento, segundo o afidávit.

Ao ser interrogado, o agente foi direto. Um agente do FBI foi preso após supostamente roubar cerca de US$ 1 milhão em criptomoedas de "contas de criptomoeda adversárias", admitindo depois a investigadores federais que havia "estragado tudo".

Apreensão e cifras exatas

O valor total de todos os fundos transferidos foi de aproximadamente US$ 925.426,07. O Protos detalhou a distribuição dos ativos: ao obter o celular de Yaroch, o FBI conseguiu acesso à sua conta na corretora Kraken, que continha cerca de US$ 188.570,58 em valor, principalmente em USDC e dólares; além disso, a revisão do FBI revelou que ele havia transferido anteriormente cerca de US$ 1 milhão para a plataforma Suilend.

Questionado sobre a escolha da plataforma, Yaroch teria dito aos agentes que optou pelo serviço "simplesmente porque gostava que o logotipo fosse uma gota d'água" — detalhe que ilustra o caráter improvisado do esquema, apesar do acesso privilegiado a sistemas classificados.

ChatGPT, passaportes e planos de fuga

A perícia no celular do agente revelou um padrão de pesquisas que chamou atenção dos investigadores. No mês anterior à prisão, Yaroch teria perguntado ao ChatGPT: "Se você tivesse um balde de dinheiro (cerca de US$ 1 milhão) e quisesse deixar os EUA para se tornar residente ou cidadão de um país da União Europeia, o que você faria?"

A resposta da inteligência artificial foi personalizada ao seu perfil. "Aos 37 anos, com uma família jovem, o objetivo de eventualmente se aposentar por volta dos 40 e um claro interesse em construir, no futuro, um estilo de vida mais lento como vinicultor em lugares como Cilento ou a região do Dão, em Portugal…", teria respondido o chatbot, segundo o afidávit.

A busca na residência do agente, em Ashburn, na Virgínia, reforçou a hipótese de planos de deixar o país. Os investigadores apreenderam um documento legal português, além dos aparelhos eletrônicos de Yaroch e de seus passaportes pessoal e diplomático. O Washington Examiner acrescenta que a investigação do FBI também constatou que ele não havia reportado viagens anteriores a Portugal, Alemanha e Granada, como exigem as normas da agência.

Acusações formais e próximos passos

O FBI demitiu Yaroch, que foi preso na semana passada; a denúncia criminal lista acusações relacionadas a transporte interestadual de bens roubados e recebimento de bens roubados. A juíza federal Lindsey R. Vaala, do Distrito Leste da Virgínia, determinou a detenção temporária de Yaroch nesta segunda-feira, com audiência marcada para terça-feira.

Apesar da gravidade das acusações, o próprio afidávit registra uma ressalva importante sobre o alcance do esquema. A prestação de contas diz respeito ao fato de que ele nunca interagiu com ninguém associado às contas adversárias, incluindo entidades estrangeiras — ou seja, não há indícios, até o momento, de que o dinheiro tenha sido repassado a agentes estrangeiros ou usado para fins de espionagem reversa.

A instituição buscou minimizar danos institucionais em nota oficial. O FBI afirmou que "imediatamente tomou providências" assim que tomou conhecimento das alegações, que o indivíduo foi demitido e que "não tolera esse tipo de conduta".

Um padrão de falhas na comunidade de inteligência

O caso Yaroch não é isolado. A prisão do agente é a mais recente de uma série de acusações de corrupção que abalam a comunidade de inteligência dos EUA — em junho, autoridades prenderam o funcionário da CIA David Rush, acusado de roubar mais de US$ 40 milhões e converter o produto em barras de ouro, relógios de luxo e outros bens de valor.

Especialistas em criptoativos apontados pela imprensa especializada já apontam consequências mais amplas para a forma como o governo americano lida com ativos digitais apreendidos. O incidente deve intensificar pedidos por controles internos mais rígidos em agências que lidam com criptoativos apreendidos, já que órgãos de segurança dos EUA administram bilhões de dólares em criptomoedas, muitas vezes com práticas de custódia que carecem da transparência de um blockchain público.

O episódio também levanta uma questão operacional sensível: ao desviar fundos de carteiras monitoradas, o agente pode ter comprometido investigações em andamento. O roubo não apenas enriqueceu um agente corrupto — pode ter comprometido operações de inteligência em curso e alertado os alvos de que suas carteiras haviam sido acessadas.

O desfecho do caso dependerá agora da audiência marcada para esta terça-feira e da força das provas digitais reunidas pelo próprio FBI — a mesma agência que, neste episódio, teve de investigar um de seus próprios supervisores de contrainteligência.

Versão em áudio disponível no topo do post.

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