Amaggi compra 40% da FS Bioenergy por US$ 1 bi
Transação entre gigantes do agronegócio reforça aposta no etanol de milho e redesenha estratégias no setor de biocombustíveis
📋 Em resumo ▾
- Amaggi paga US$ 1 bilhão por 40% da FS Bioenergy, pioneira em etanol de milho
- Negócio depende de aprovação do CADE e prevê parcelamento em três anos
- FS tem dívida de R$ 10 bi e já havia negociado com Petrobras, sem sucesso
- Parceria une origem de grãos, logística e capital à produção de biocombustíveis
- Por que isso importa: movimento pode acelerar consolidação do setor de etanol de milho no Brasil e influenciar políticas de transição energética
Amaggi e FS Bioenergy fecham negócio de US$ 1 bilhão no etanol de milho. A transação, confirmada por fontes ao Brazil Journal, une duas forças complementares do agronegócio brasileiro e sinaliza uma aposta estratégica na expansão dos biocombustíveis renováveis. O acordo ainda aguarda aval do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
Estrutura do negócio e cronograma de pagamentos
A operação prevê uma tranche primária de US$ 100 milhões e uma parcela secundária a ser quitada em três parcelas anuais, com início no closing. A FS Bioenergy, controlada pelo grupo americano Summit Agricultural Group, é pioneira na produção de etanol de milho no Brasil e processa mais de 6 milhões de toneladas do grão por safra.
"Estou confiante no que estamos construindo juntos, especialmente no alinhamento de valores, na visão de longo prazo e na capacidade de execução que fundamentam este negócio", afirma Blairo Maggi, acionista e um dos fundadores da Amaggi.
Fundada em 2017, a FS registrou receita líquida de R$ 12,8 bilhões em 2025 e produz 2,6 bilhões de litros de etanol por ano. A companhia opera três usinas e deve inaugurar a quarta ainda em 2026.
Por que a Amaggi entrou agora no etanol de milho
A Amaggi, maior empresa brasileira de grãos e fibras, estuda há anos sua entrada no segmento de etanol de milho — setor impulsionado pela expansão da produção do grão no País e por políticas públicas favoráveis a combustíveis renováveis. Em setembro, a companhia anunciou uma joint venture com a Inpasa para construir três usinas em Mato Grosso, com investimento estimado em R$ 6,9 bilhões.
As tratativas, porém, foram encerradas pouco mais de um mês depois devido a divergências na governança entre os sócios. À época, a Amaggi informou que seguiria sozinha no plano de expansão. A entrada no capital da FS representa, portanto, uma aceleração estratégica dessa intenção.
Bastidores: Petrobras quase entrou, mas conselho barrou
Nos bastidores do mercado de biocombustíveis, a intenção da FS em buscar um sócio era conhecida. A empresa carrega um endividamento na casa dos R$ 10 bilhões. No final de 2025, uma negociação com a Petrobras avançou até a etapa de due diligence, com a estatal disposta a pagar US$ 1,3 bilhão por uma participação minoritária.
O conselho da Petrobras, contudo, barrou a operação. Para a FS, o desfecho com a Amaggi foi considerado mais favorável: além de ser uma das principais originadoras de grãos do Brasil, a companhia de Blairo Maggi oferece infraestrutura logística consolidada e custo de capital mais competitivo.
"A parceria reúne duas empresas com fortes sinergias", disse Bruce Rastetter, fundador da Summit Agricultural Group, destacando a busca histórica da Summit por liderança em combustíveis renováveis nos EUA e no Brasil.
Perfil do sócio americano e agenda de transição energética
Rastetter é um dos maiores empresários do setor de etanol de milho nos Estados Unidos, com fortes laços políticos com o governo Trump. Sua Summit Carbon Solutions tenta construir um duto de 3,5 mil km — com capex próximo a US$ 5 bilhões — para transportar carbono capturado no Meio-Oeste americano.
O projeto, que ligaria 57 usinas de etanol, enfrenta resistência de agências reguladoras, ambientalistas e produtores rurais. Recentemente, a companhia sinalizou revisão do escopo, com lançamento de uma versão reduzida e menos polêmica.
No Brasil, a FS inaugura em setembro sua primeira unidade de captura e armazenamento de carbono, na usina de Lucas do Rio Verde (MT), com capacidade para 423 mil toneladas de CO₂ por ano.
O que esperar nos próximos capítulos
A transação Amaggi-FS ainda depende de análise antitruste. Se aprovada, pode acelerar a consolidação do setor de etanol de milho no Brasil e influenciar a formulação de políticas públicas para biocombustíveis.
Com a união de origem de grãos, logística, capital e tecnologia de produção, o movimento também coloca pressão competitiva sobre outros players do segmento. Resta saber se a aposta no etanol de milho como vetor de transição energética se sustentará diante de mudanças regulatórias, oscilações de commodity e pressões ambientais.
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