Argentina se recusa a informar PF se Flávio está no país
Autoridades argentinas alegaram que não passam dados de “pessoa politicamente exposta”. A PF suspeita de um avião à espera do senador, mas não há confirmação de que ele saiu do Brasil
📋 Em resumo ▾
- A Polícia Federal da Argentina se recusou, nesta terça-feira (27/10), a responder ao pedido da PF brasileira sobre se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está em Buenos Aires.
- Segundo a jornalista Natália Martins, do R7, as autoridades argentinas disseram que “não podem passar informações de pessoa politicamente exposta”.
- Fontes da PF suspeitam que haja um avião particular na Argentina pronto para levar Flávio aos EUA, mas que ainda não teria decolado.
- Não há confirmação de que Flávio saiu do Brasil. Ele também não está proibido de circular dentro do país. A proibição é de deixar o território nacional.
- Por que isso importa: os passaportes de Flávio estão retidos por ordem do STF. Uma saída do país seria descumprimento de decisão judicial. Por enquanto, a fuga é só uma suspeita
A Polícia Federal da Argentina se recusou, nesta terça-feira (27/10), a responder a um pedido de informações da Polícia Federal (PF) brasileira sobre a possível presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Buenos Aires. A informação é do Correio Braziliense. A PF apura rumores de que Flávio, derrotado no 2º turno da eleição presidencial, teria deixado o Brasil. Até agora, não há confirmação de que ele tenha saído do país.
Por que a Argentina não respondeu
Segundo a jornalista Natália Martins, do portal R7, as autoridades argentinas justificaram a recusa dizendo que:
“não podem passar informações de pessoa politicamente exposta”
— Autoridades argentinas, segundo o R7
“Pessoa politicamente exposta” é a classificação usada para quem ocupa ou ocupou cargo público relevante, como um senador. As autoridades argentinas não confirmaram nem negaram que Flávio esteja no país. Elas apenas se recusaram a informar. Essa recusa não é prova de que ele esteja lá.
A suspeita de um avião à espera
De acordo com fontes da PF ouvidas pelo Correio Braziliense, existe a suspeita de que um avião particular esteja na Argentina pronto para levar Flávio aos Estados Unidos, mas que ainda não teria decolado.
Isso é uma suspeita de fontes da corporação, e não uma informação oficial da PF. Mais cedo, também segundo fontes da PF ouvidas pelo Metrópoles, Flávio não tinha passado por nenhum ponto regular de migração brasileira. Essas fontes admitiam, porém, que seria possível cruzar a fronteira sem fiscalização.
O que o Infobae publicou — e o que não confirmou
A suspeita começou com uma reportagem do portal argentino Infobae, publicada na madrugada desta terça. O texto disse que Flávio teria atravessado a fronteira e embarcaria num jato rumo aos EUA. O Infobae escreveu em linguagem condicional (“teria”, “viajaria”), ou seja, não afirmou ter confirmado a viagem.
Mais cedo, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, negou ao Metrópoles que ele tenha deixado o Brasil: “Não saiu”.
O que Flávio pode e não pode fazer
Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou Flávio entregar seus passaportes à PF e o proibiu de sair do país. Na prática:
- Flávio pode viajar livremente dentro do Brasil. Não há restrição de circulação no território nacional.
- Flávio não pode deixar o Brasil. Se sair, estará descumprindo uma ordem do STF, o que pode levar a medidas mais duras.
- A retenção do passaporte é uma medida cautelar, tomada para garantir que o investigado continue disponível para a investigação. Não é pena nem condenação.
As investigações contra Flávio no STF
Segundo o Correio Braziliense, Flávio é investigado em dois inquéritos no Supremo:
- Um inquérito sobre o filme Dark Horse e a ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master;
- Um inquérito sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. Foi nesse caso que Moraes mandou recolher os passaportes.
Nos dois casos, Flávio é investigado: ele não foi indiciado, denunciado nem condenado. Investigado é a etapa inicial, em que a polícia apura se há indícios de crime.
Além disso, nesta terça, o ministro Flávio Dino, também do STF, mandou a PF abrir inquérito sobre suposta interferência estrangeira na eleição. A decisão cita conversas entre a rede americana Rockbridge Network e empresários brasileiros, mas não cita Flávio Bolsonaro nominalmente nas páginas a que o Painel Político teve acesso.
O outro lado
Flávio Bolsonaro não se manifestou diretamente sobre os rumores até a publicação. O Painel Político procurou a assessoria do senador e aguarda resposta.
Ao fim desta terça, o paradeiro de Flávio Bolsonaro é a pergunta que nem a PF consegue responder com certeza. De um lado, uma reportagem estrangeira em tom condicional e uma suspeita de avião à espera. Do outro, a negativa do coordenador de campanha e a ausência de qualquer registro oficial de saída. A recusa argentina não resolve a dúvida, só a prolonga. A forma mais simples de encerrar o caso está nas mãos do próprio senador: aparecer publicamente em território brasileiro. Até que isso aconteça, ou que a PF confirme o contrário, a fuga continua sendo hipótese, e não fato.
🔊 Versão em áudio disponível no topo do post