Painel Rondônia

Bancos exigem que Ambipar desista de foro no RJ para negociar — e levantam debate institucional sobre segurança jurídica

Bradesco, Itaú e Santander condicionam acordo com Tércio Borlenghi Júnior à renúncia à “manobra jurídica” que levou disputa à Justiça fluminense — argumento dos credores envolve impacto para o mercado

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Os principais credores da Ambipar — com destaque para Bradesco, Itaú e Santander — apresentaram uma exigência pouco usual para negociar com o controlador Tércio Borlenghi Júnior e evitar a recuperação judicial: que ele renuncie expressamente ao uso do foro do Rio de Janeiro nas ações relacionadas à empresa.

Para essas instituições, o caso transcende Ambipar e configura uma questão institucional de peso. Como um interlocutor que representa esse grupo de bancos definiu, trata-se de uma “manobra jurídica chicana escandalosa”, com personagens conhecidos, que atinge “diretamente a segurança jurídica no Brasil”, e os bancos não podem “compactuar com ela”.

Até então, a sede da Ambipar sempre esteve em São Paulo. Mas em setembro, os advogados da companhia optaram por ajuizar disputas junto à Justiça fluminense, estratégia que despertou forte reação dos credores.

Caso de policia

Um fato que ganhou atenção nos últimos dias: a Polícia Civil de São Paulo acolheu uma queixa apresentada pela Ambipar e abriu investigação a respeito da atuação de três ex-diretores da empresa. O episódio reforça o clima de tensão entre empresa, credores e autoridades.

Também recentemente, a Ambipar obteve liminar na Justiça do Rio de Janeiro que suspendeu a aceleração de dívidas por parte de credores — incluindo casos associados a bancos como o Deutsche Bank — sob o argumento de risco financeiro iminente. A empresa alegou que, sem essa proteção judicial, poderia enfrentar um “rombo financeiro” de mais de R$ 10 bilhões.

Esse movimento de buscar decisões tutelares no Rio foi interpretado pelos bancos como sintoma claro de que a escolha do foro fluminense não é mera conveniência, mas parte estratégica de um plano de litígios sofisticados.

O embate institucional

Do ponto de vista dos credores, a exigência é mais do que retórica: implica em um princípio de ordem pública do direito empresarial brasileiro. Se cada companhia puder eleger o foro mais favorável para suas disputas, sacramentando decisões judiciais favoráveis que fugiriam da jurisdição natural, a previsibilidade dos conflitos pode implodir.

Para esses bancos, permitir o foro remoto em casos corporativos equivaleria a abrir uma “brecha jurídica” que poderia estimular disputas forenses em locais distantes, onde interesses locais ou decisões judiciais favoráveis possam ser obtidos com menos controle.

Por outro lado, a Ambipar, ao deslocar litígios para o Rio, alega possuir fundamento jurídico para tal opção — seja por fluxos societários ou convenções contratuais. Mas até agora não tornou pública uma justificativa sólida que convença os credores de que não se trata de manobra defensiva.

Consequências possíveis

A importância para o mercado

A alegação dos bancos de que o caso ambipar “transcende o caso Ambipar” merece atenção: se prevalecerem decisões que reconheçam como abusivas escolhas de foro vinculadas a disputas empresariais, poderá se firmar jurisprudência mais rígida em matéria de competência. Isso pode trazer impactos sobre operações de crédito, garantias contratuais, cláusulas de arbitragem e outras dinâmicas societárias.

Em outras palavras: não se trata apenas de uma disputa entre credores e controladores, mas de definir até que ponto empresas em dificuldades poderão valer-se de artifícios processuais para deslocar litígios.


Chamada para ação:
O que você acha dessa pressão dos bancos sobre o foro da Ambipar? A exigência é legítima ou exagerada? Deixe seu comentário, compartilhe o texto e vamos debater juntos.

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Com informações do Globo, Valor e Reuters