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Câmara desafia STF e tenta blindar deputado Ramagem no caso do golpe

Presidente da Câmara, Hugo Motta, entra com ação contra decisão do Supremo que manteve Ramagem como réu em crimes graves da trama golpista; conflito institucional se intensifica em Brasília

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Mário Agra/Câmara dos Deputado

Em mais um capítulo da crescente tensão entre os Poderes em Brasília, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), protocolou nesta terça-feira (13) uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) contra a decisão do Supremo Tribunal Federal que manteve parcialmente a ação penal contra o deputado Delegado Ramagem (PL-RJ) no caso da tentativa de golpe de Estado.

A movimentação acontece após a Câmara ter aprovado, com expressivos 315 votos favoráveis, a suspensão integral da ação penal contra Ramagem. No entanto, o STF, por unanimidade, decidiu manter o parlamentar como réu nos crimes mais graves: tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

"A harmonia entre Poderes só ocorre quando todos usam o mesmo diapasão e estão na mesma sintonia", declarou Motta em suas redes sociais, defendendo que os votos dos 315 deputados sejam respeitados.

O centro da disputa jurídica

A controvérsia jurídica se concentra na interpretação do artigo 53 da Constituição Federal, que concede ao Congresso Nacional o poder de suspender ações penais contra parlamentares por crimes ocorridos após a diplomação. Na ação enviada ao STF, a Mesa da Câmara argumenta que:

  1. A Constituição concedeu ao Congresso prerrogativa plena para deliberar sobre a suspensão

  2. Não cabe ao Judiciário fazer interpretação restritiva da matéria

  3. O processo criminal pode ser suspenso integralmente, não apenas em partes

  4. A sustação vale para todo o processo penal, desde que contenha crimes pós-diplomação

Os crimes em questão

Ramagem responde como réu no núcleo 1 da trama golpista por crimes graves:

O papel de Ramagem na trama

Como ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ramagem é acusado de participar ativamente do esquema conhecido como "Abin Paralela", onde teria usado a estrutura do órgão para espionar ilegalmente desafetos do então presidente Bolsonaro. Sua posição no chamado "núcleo 1" da trama golpista o coloca ao lado de figuras centrais como:

A posição do STF

O Supremo, através de decisão unânime, estabeleceu limites claros:

  1. A suspensão só pode abranger crimes cometidos após a diplomação do parlamentar

  2. O benefício tem caráter personalíssimo, não se estendendo aos corréus

  3. Não alcança crimes considerados mais graves na denúncia

  4. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, enfatizou que a decisão da Câmara não pode beneficiar outros réus

Repercussão e próximos passos

A expectativa é que a ADPF seja julgada pelo plenário do STF, em mais um capítulo desta disputa institucional que promete novos desdobramentos.

Especialistas em direito constitucional avaliam que a Câmara realizou uma manobra jurídica na tentativa de suspender a íntegra do processo, não apenas em relação a Ramagem, mas potencialmente afetando todo o processo da tentativa de golpe de Estado que envolve outros 33 acusados.

Implicações institucionais

O embate entre Câmara e STF evidencia uma crescente tensão institucional, com potenciais desdobramentos para a estabilidade democrática do país. A decisão final sobre a ADPF poderá estabelecer importantes precedentes sobre os limites das prerrogativas parlamentares e a extensão do poder do Judiciário em casos similares.


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