Poder e Bastidores

Candidata a prefeita do México é morta durante comício; ela havia pedido proteção e foi negado

As eleições mexicanas têm sido manchadas por violência política há anos, mas os números sugerem que a situação está piorando

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Uma candidata a prefeita do partido governista foi morta a tiros na segunda-feira (3) na região central do México durante um evento no primeiro dia de sua campanha, apesar de ter solicitado proteção às autoridades, sem receber resposta. Essa notícia possui informações da Agência Reuters.

Em um primeiro momento, um candidato à Câmara dos Vereadores foi tido como morto no mesmo incidente a tiros, mas o Ministério da Segurança posteriormente disse que ele estava desaparecido. Outras três pessoas foram feridas no ataque.

Na noite de segunda-feira, Gisela Gaytán havia acabado de apresentar seu plano estratégico de segurança em um comício em Celaya, Guanajuato, quando homens armados abriram fogo, matando-a instantaneamente.

A procuradoria-geral de Guanajuato disse que está investigando o assassinato. Nenhuma prisão foi realizada.

O motivo para que Gaytán se tornasse um alvo não está claro, mas o Estado de Guanajuato registrou alguns dos maiores números de homicídios no México nos últimos anos e foi palco de guerras por disputa de territórios entre grupos criminosos.

As eleições mexicanas têm sido manchadas por violência política há anos, mas os números sugerem que a situação está piorando. Dezenas de políticos e candidatos foram mortos antes das eleições de meio de mandato, em 2021.

Em meados de março, no atual processo eleitoral no México somavam 44 homicídios de candidatos, políticos, funcionários e seus familiares.

Sem um registro oficial, dados da organização Data Cívica apontam para o assassinato de pelo menos 10 candidatos ou aspirantes no primeiro bimestre de 2024, enquanto, apenas em fevereiro, houve 36 homicídios de violência política ao considerar também funcionários públicos e familiares dos políticos.

Bherta Gisela Gaytan

O presidente Andrés Manuel López Obrador (AMLO) falou durante coletiva sobre o assassinato da candidata de Morena à prefeitura de Celaya, Guanajuato, Gisela Gaytán. Da mesma forma, a Secretária de Segurança, Rosa Icela Rodríguez, confirmou que a candidata já tinha pedido proteção muito antes.

Vale ressaltar que apesar de a candidata ter solicitado proteção há muito tempo, não chegou porque o processo ficou preso no Instituto Eleitoral de Guanajuato, isso de acordo com a versão de Rosa Icela Rodríguez.

“Há uma resposta daquele instituto estatal dizendo que ainda não estava iniciando o processo. Palavras mais palavras menos", disse Rodriguez. Ao ser questionada sobre se o OPLE falhou, ela disse: “É parte das investigações, da desmarcação de responsabilidades. Temos estado em comunicação, a não protecção da candidata é parte das investigações. Além disso, assegurou que é seguro fazer campanha política em Guanajuato.

Da mesma forma e de acordo com a secretária de Segurança, o OPLE não concedeu proteção a Gisela Gaytán sob o argumento de que ainda não começava o processo eleitoral:

« No início de março, esse pedido foi enviado, foi enviado por Morena ao INE e o INE derivou em duas partes, uma para os candidatos federais e outra para os candidatos locais; há uma resposta daquele Instituto Eleitoral Estadual que ainda não iniciava o processo».