Eleições 2026

"Carregamos nas costas a promiscuidade da Suprema Corte", diz Lula a aliados

Um dia após ficar atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, Lula disse a aliados que sofre os efeitos da crise no STF e defendeu debates diretos com o adversário no segundo turno

"Carregamos nas costas a promiscuidade da Suprema Corte", diz Lula a aliados
📷 Reprodução YT
📋 Em resumo ▾
  • Em reunião com a coordenação de campanha, nesta segunda-feira (5/10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse estar "carregando nas costas a promiscuidade" instalada no Supremo Tribunal Federal (STF)
  • Lula classificou Flávio Bolsonaro (PL) como "a cara do sistema", apesar do discurso antissistema do adversário, e defendeu debates diretos no segundo turno
  • O presidente defendeu que a sociedade discuta o critério de indicação de ministros ao STF e a possibilidade de mandato para os cargos, dizendo que "ninguém está acima da lei, nem os ministros da Suprema Corte"
  • Por que isso importa: a fala mostra como o presidente tenta reposicionar sua candidatura após terminar o primeiro turno atrás do adversário, numa disputa inédita desde a redemocratização
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Em reunião com a coordenação de sua campanha, nesta segunda-feira (5/10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse estar "carregando nas costas a promiscuidade" instalada no Supremo Tribunal Federal (STF). A fala, feita um dia após o petista terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), foi transmitida ao vivo e repercutida por diversos veículos.

"Depois dessas denúncias"

Lula associou diretamente a crítica ao STF às denúncias envolvendo ministros do tribunal e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que agravaram a crise interna da Corte nas últimas semanas.

"Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessas denúncias", disse Lula, em fala recebida com aplausos pela coordenação de campanha.

Indicações ao Supremo e o critério de escolha

Lula também defendeu que a sociedade discuta os critérios de indicação de ministros ao STF e a possibilidade de instituir mandato para o cargo — hoje vitalício, com aposentadoria compulsória aos 75 anos.

"Vamos ter que discutir com a sociedade qual é o critério para indicar um candidato ao Supremo. (...) Ninguém está acima da lei, nem os ministros da Suprema Corte", afirmou o presidente.

A fala ocorre num momento em que o próprio Lula enfrentou resistência do Congresso para suas indicações: em abril deste ano, o Senado rejeitou por 34 votos a 42 a indicação do então advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga na Corte — a primeira rejeição de um indicado ao STF em 132 anos, segundo registros históricos. Em seu atual mandato, Lula já havia indicado ao tribunal Cristiano Zanin, seu ex-advogado nos processos da Lava Jato, e Flávio Dino, ex-ministro da Justiça do governo.


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"A cara do sistema" e os debates do 2º turno

Na mesma reunião, Lula voltou a classificar Flávio Bolsonaro como "a cara do sistema", apesar do discurso antissistema do adversário, e afirmou que apenas sua própria candidatura representaria, de fato, uma alternativa antissistema.

"Esse país que teve um candidato que ganhou as eleições antissistema e ele é a cara do sistema. (...) Porque aqui só tem um candidato que é antissistema, que somos nós. Não tem outro candidato", disse Lula.

O presidente também defendeu a realização de debates na TV no segundo turno, argumentando que a nova etapa da disputa permite um confronto direto com o adversário: "Agora é tête-à-tête. Agora é um contra um. É cada um poder explicar qual é o debate." Lula não participou de nenhum debate do primeiro turno, incluindo o da TV Globo — de maior audiência —, tendo concedido, no mesmo horário, entrevista a um podcast no YouTube.

O cenário da disputa

Lula e Flávio Bolsonaro chegam ao segundo turno com diferença estreita, na disputa presidencial mais acirrada desde a redemocratização. Flávio ficou atrás de Lula nas pesquisas durante parte da campanha, passou a aparecer em empate técnico nos levantamentos finais e terminou o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula — resultado já confirmado pelo TSE. Será a oitava vez em que a Presidência é decidida em segundo turno desde a redemocratização; as únicas exceções ocorreram em 1994 e 1998, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) venceu já no primeiro turno.

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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