Poder e Bastidores

Cartórios poderão cobrar dívidas: projeto do governo Lula, relatado por Marcos Rogério, divide opiniões

Proposta promete desafogar o Judiciário e agilizar cobranças, mas levanta preocupações sobre privatização da justiça

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O governo federal incluiu entre suas prioridades legislativas para 2025 o Projeto de Lei 6.420/2019, que pretende transferir aos cartórios o poder de cobrar dívidas - função atualmente exercida pelos oficiais de justiça. A proposta, de autoria da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), promete revolucionar o sistema de execução de dívidas no Brasil, mas divide opiniões entre especialistas.

Principais pontos do projeto:

Prós do projeto:

  1. Eficiência e agilidade

    • Redução do tempo médio de cobrança (atual: 4 anos e 9 meses)

    • Desburocratização do processo de execução

    • Desafogamento do sistema judiciário

  2. Economia

    • Potencial economia de R$ 65 bilhões para os cofres públicos

    • Maior possibilidade de recuperação de créditos

    • Impacto positivo no crescimento econômico

  3. Modernização

    • Alinhamento com práticas internacionais, especialmente da União Europeia

    • Sistema eletrônico padronizado

    • Capacitação específica dos agentes

Contras e preocupações:

  1. Privatização da justiça

    • Transferência de poder judicial para entes privados

    • Possível conflito de interesses na cobrança

    • Risco de abuso de poder

  2. Custos para o devedor

    • Possível aumento nos custos de cobrança

    • Nova estrutura de emolumentos a ser definida

    • Impacto sobre pessoas de baixa renda

  3. Garantias processuais

    • Necessidade de garantir ampla defesa e contraditório

    • Complexidade na transição do sistema

    • Possíveis questionamentos constitucionais

O projeto encontra-se atualmente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, após ter recebido relatório favorável do senador Marcos Rogério (PL-RO). A proposta conta com o apoio da Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg) e prevê salvaguardas importantes, como a manutenção da execução judicial para casos específicos, incluindo pensão alimentícia.

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A efetividade do atual sistema de cobranças judiciais é questionável, com apenas 15% de sucesso nas execuções. O novo modelo promete maior eficiência, mas sua implementação demandará cuidadosa regulamentação para garantir o equilíbrio entre a agilidade nas cobranças e a proteção dos direitos dos devedores.