Caso Gritzbach: nova operação mira mandante do assassinato de delator do PCC
Polícia Civil de São Paulo deflagra operação contra João Cigarreiro, apontado como mentor intelectual da morte de Vinicius Gritzbach; 116 policiais participam da ação que visa cumprir 22 mandados

Em uma operação de grande escala deflagrada na manhã desta quinta-feira (13), a Polícia Civil de São Paulo mobilizou 116 agentes para cumprir um mandado de prisão e 21 mandados de busca e apreensão contra Emílio de Carlos Gongorra Castilho, conhecido como João Cigarreiro, suspeito de ser o mandante do assassinato do empresário Vinicius Gritzbach.
O crime, que chocou o país em novembro de 2024, ocorreu na área de desembarque do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
A investigação revelou uma complexa trama envolvendo delação premiada, corrupção policial e vingança no submundo do crime organizado. Gritzbach, que havia firmado acordo de delação premiada com o Ministério Público, expôs esquemas de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) e denunciou policiais envolvidos em atividades ilícitas.
A trama por trás do crime
De acordo com as investigações, João Cigarreiro, identificado como traficante de drogas ligado ao PCC, mantinha uma relação próxima com a vítima e com Ancelmo Santa Fausta, conhecido como "Cara Preta", um importante membro da facção criminosa. O rompimento entre Cigarreiro e Gritzbach teria ocorrido após o assassinato de Cara Preta em 2021, quando Cigarreiro passou a suspeitar que o empresário estava envolvido na morte para se livrar de uma dívida milionária em criptomoedas.
Desdobramentos da investigação
Atualmente, 26 pessoas estão presas em conexão com o caso, incluindo 22 policiais civis e militares. Três suspeitos são apontados como executores diretos do assassinato. A força-tarefa constituída para investigar o crime também determinou que outras três pessoas ligadas a Cigarreiro sejam ouvidas pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
Linha do tempo do caso
Março de 2024: Investigação tem início após denúncia anônima sobre vazamento de informações sigilosas por policiais para beneficiar criminosos do PCC.
2021: Assassinato de Ancelmo Santa Fausta (Cara Preta), gerando tensão entre João Cigarreiro e Vinicius Gritzbach.
2024 (Primeiro Semestre): Gritzbach firma acordo de delação premiada com o Ministério Público, revelando esquemas de lavagem de dinheiro e denunciando policiais corruptos.
8 de novembro de 2024: Vinicius Gritzbach é executado no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Novembro-Dezembro 2024: Prisão de 22 policiais e outros suspeitos envolvidos no caso.
13 de fevereiro de 2025: Operação policial visa prender João Cigarreiro, apontado como mandante do crime.
Impacto nas investigações
O caso Gritzbach expôs as complexas relações entre o crime organizado e agentes públicos em São Paulo, revelando um extenso esquema de corrupção que permitia o vazamento de informações estratégicas para beneficiar membros do PCC. A atual operação representa mais um capítulo importante nas investigações que já resultaram em dezenas de prisões e continua descobrindo novas ramificações do crime organizado no estado.
A Polícia Civil mantém as investigações em andamento, e novas prisões podem ocorrer nos próximos dias.
