CFM cobra investigação rigorosa sobre intoxicações por metanol em bebidas adulteradas em São Paulo
Alerta para fiscalização urgente: Três mortes confirmadas e suspeitas de envolvimento do crime organizado exigem ação imediata das autoridades

Em meio a uma série de casos graves de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas falsificadas, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, emitiu uma nota pública nesta terça-feira (30 de setembro de 2025) cobrando das autoridades uma apuração rigorosa das responsabilidades. Os episódios, concentrados na capital paulista e na Grande São Paulo desde junho, já resultaram em três mortes confirmadas e pelo menos dez internações, afetando pessoas de diferentes perfis sociais – de jovens em adegas periféricas a frequentadores de bares em bairros nobres como os Jardins.
A crise, que ganhou repercussão nacional, expõe falhas na cadeia de fiscalização de produtos e levanta suspeitas de ligações com o crime organizado, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo entidades empresariais.
Os incidentes começaram a ser reportados com maior intensidade em agosto, quando quatro jovens – dois homens e duas mulheres – passaram mal após consumir gim comprado em uma adega na Cidade Dutra, zona sul de São Paulo, no dia 30 de agosto. Um deles, um rapaz chamado Rafael (sobrenome não divulgado), permanece em coma há mais de um mês no Hospital do Campo Limpo.
Em outro caso chocante, a designer de interiores Rhadarani Domingos perdeu completamente a visão após ingerir três caipirinhas de frutas vermelhas com vodca em um bar de bairro nobre, durante uma comemoração de aniversário no dia 19 de setembro. “Eu não estou enxergando nada”, relatou ela em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, descrevendo o “estrago bem grande” causado pela substância. Wesley, um homem de 31 anos, também sofreu cegueira temporária e um acidente vascular cerebral (AVC) após consumir bebida similar, e segue internado.
As mortes confirmadas incluem um homem de 54 anos, morador da região da Mooca/Aricanduva, na zona leste da capital, que apresentou sintomas em 9 de setembro e faleceu em 15 de setembro; outro de 48 anos, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista; e um terceiro de 45 anos, cuja morte em 28 de setembro está sob investigação pelo 1º Distrito Policial.
Segundo o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, seis casos de intoxicação foram confirmados desde junho, com dois óbitos iniciais, e outros dez sob análise na capital. O Ministério da Saúde, por meio do ministro Alexandre Padilha, classificou a situação como “anormal”, destacando que o país registra em média 20 casos anuais de intoxicação por metanol, mas quase metade ocorreu em São Paulo apenas em setembro.
Em sua nota, José Hiran Gallo enfatizou a gravidade do problema: “Os recentes casos de intoxicação pelo consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol soam o alerta para a necessidade urgente do reforço da fiscalização e combate a esquemas de falsificação desse tipo de produto que geram riscos de adoecimento, sequelas e mortes para os brasileiros”. Ele defendeu que as autoridades, incluindo a Polícia Federal (PF) e a Polícia Civil, apurem com rigor as irregularidades, buscando punições exemplares para evitar repetições.
Gallo não descartou as suspeitas de envolvimento do crime organizado, apontadas pela Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares de São Paulo (Fhoresp), que estima que 36% das bebidas alcoólicas vendidas no Brasil são falsificadas, adulteradas ou contrabandeadas. “Todas as possibilidades devem ser apuradas com celeridade para trazer mais segurança para todos”, alertou o presidente do CFM.
A resposta das autoridades tem sido acelerada. O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), sob o ministro Ricardo Lewandowski, emitiu no sábado (27) uma recomendação urgente a bares, restaurantes, distribuidoras e aplicativos de entrega em São Paulo e regiões vizinhas, orientando a suspensão de lotes suspeitos e o reforço na rastreabilidade de produtos, conforme o Código de Defesa do Consumidor. Nesta terça, Lewandowski anunciou que a PF abriu inquérito para investigar a origem do metanol, uma substância altamente tóxica, incolor e inflamável, frequentemente desviada de usos industriais como solventes e combustíveis. “Tudo indica que há distribuição para além do estado de São Paulo”, afirmou o ministro, sinalizando risco de expansão para outros estados.
Na esfera estadual, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), em coletiva de imprensa nesta terça, anunciou medidas emergenciais de fiscalização e cooperação policial, mas negou evidências de participação do crime organizado no momento. Uma força-tarefa, envolvendo a Coordenadoria de Vigilância em Saúde da Prefeitura de São Paulo, interditou um bar nos Jardins e apreendeu 117 garrafas sem rótulos em outros dois estabelecimentos na Mooca e na zona oeste. A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad/MJSP) ativou o Sistema de Alerta Rápido (SAR) para monitorar novas ocorrências.
Para a população, Gallo reforçou orientações práticas: comprar bebidas apenas em estabelecimentos confiáveis, recusar produtos com lacres violados, rótulos com erros de impressão ou sem dados como CNPJ, número de lote e validade. Os sintomas de intoxicação por metanol surgem entre seis e 24 horas após o consumo e incluem dor de cabeça intensa, náuseas, confusão mental, visão turva repentina ou cegueira, vômitos, vertigem e tremores. “Em caso de identificação desse quadro, deve-se buscar imediatamente os serviços de emergência médica”, recomendou. O metanol, quando metabolizado, produz formaldeído e ácido fórmico, substâncias que danificam o sistema nervoso e ótico, podendo levar à morte em doses pequenas.
O presidente do CFM também prestou solidariedade aos profissionais de saúde na linha de frente: “Aos médicos, em especial emergencistas, oftalmologistas, neurologistas e intensivistas, que estão oferecendo assistência às vítimas e atendendo na linha de frente dos prontos-socorros, externo meu reconhecimento e gratidão pelo trabalho realizado e recomendo atenção a protocolos e diretrizes clínicas divulgadas pelas sociedades de especialidades visando aperfeiçoar sua atuação”.
Essa crise não é isolada: casos semelhantes foram reportados em São Paulo em 2022, 2023 e 2024, geralmente ligados a destilação clandestina ou uso de álcool industrial. Especialistas alertam para a necessidade de campanhas educativas e investimentos em vigilância sanitária, especialmente em um país onde o consumo de bebidas alcoólicas é culturalmente enraizado. A adulteração, conhecida como “batismo”, envolve a diluição de marcas famosas como gim e vodca com metanol para baratear custos, colocando em risco não só a saúde, mas a confiança no mercado.
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