Coluna Painel Político - No tabuleiro das eleições 2024, Cruz sai como vencedor e Máximo 'o que amarelou'
E ainda: Fernando Máximo pode ser a dor de cabeça que Marcos Rocha deveria evitar e Léo Moraes avalia candidatura e pode sacudir cenário político

Amarelou
Fernando Máximo está fora da corrida sucessória pela prefeitura de Porto Velho. Em entrevista concedida logo após a decisão, o deputado federal disse que ‘pode ter sido um livramento’, alegou ter recebido convites de praticamente todos os grupos políticos e que após avaliar bem, optou pela desistência. Na verdade, Máximo n˜!ao fez nenhuma escolha, fizeram por ele. Sua legenda, União Brasil que no Estado tem o governador Marcos Rocha como expoente, tinha assumido um compromisso de apoiar Mariana Carvalho, que na última hora migrou para a legenda. Sem espaço, não havia nada que Máximo pudesse fazer, a não ser arriscar perder o mandato de deputado e também ser derrotado na disputa pela prefeitura. Ele preferiu não pagar para ver.
Vem mais por aí
O resultado da saída de Máximo na disputa pela prefeitura também demonstra que as relações entre ele e o governador Marcos Rocha azedaram. Se antes caminhavam juntos, agora devem ser adversários na disputa ao Senado em 2026, projeto que Máximo já revelou a interlocutores. E nessa disputa, o deputado deve dar trabalho ao governador. Rocha vai para a eleição em 2026 com desgaste natural que os governadores reeleitos sofrem, além de outros nomes de peso que devem entrar na briga. Se Máximo souber aproveitar essa derrota com sabedoria, terá grandes chances de conseguir uma das duas cadeiras em 2026.
Além do mais…
Marcos Rocha deveria começar a se preocupar de verdade ao ter Fernando Máximo como possível adversário. Se o deputado, de fato estiver apto para disputar as eleições em 2026 poderá ser a ‘pedra no sapato’ dos governistas. Sem contar que se ele decidir virar oposição, pode ser um terremoto nas pretensões do governador. Máximo também deve ter feito outra conta, o fato de ser candidato agora em 2024, o colocaria numa posição de vitrine, e os adversários poderiam começar a olhar com muita atenção a sua passagem pela secretaria de Saúde. O Tribunal de Contas vem fazendo isso, e aos poucos está minando a estrada do deputado. A conferir.
Caminho livre?
Não é bem assim. Mariana conseguiu neutralizar Máximo na disputa, que vinha sendo apontado como um dos favoritos, mas isso não quer dizer que ela ‘já ganhou’. A ex-deputada deverá enfrentar dois novatos que sempre são um perigo para quem já teve mandato. Benedito Alves, ex-conselheiro do Tribunal de Contas de Rondônia e a ex-juíza de Direito Euma Tourinho devem disputar a prefeitura. E ainda tem o atual diretor do Detran, Léo Moraes que não definiu se vai ou não entrar na briga. Se Léo não disputar, seu apoio certamente fará diferença, já que tem um capital político considerável na capital.
Enquanto isso
O prefeito de Porto Velho Hildon Chaves vem trabalhando pesado na campanha de Mariana Carvalho, de forma até, digamos, incisiva demais. No perfil de Chaves nas redes sociais, Mariana aparece em várias postagens, em agenda de campanha. Vale lembrar que Hildon é prefeito, e a divulgação da pré-candidatura de Mariana em suas redes pode ser caracterizada como uso abusivo de poder político.
Não foi, mas levou
O presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia, Marcelo Cruz, que optou por não disputar a prefeitura, articulou uma manobra inteligente para garantir o capital político. Transferiu o comando do Solidariedade para o ex-conselheiro Benedito Alves, que vai para a disputa e de quebra ainda pode eleger pelo menos 8 vereadores na capital através dos partidos PRTB, Agir, DC e Solidariedade. Com quatro nominatas fechadas, o cenário na Câmara pode ficar bem diferente da composição. E de quebra, ele ainda trabalha para indicar o pai à vice em alguma chapa.
Igual jacaré
Enquanto acontecem todos esses movimentos no cenário eleitoral, o diretor do Detran Léo Moraes fica igual um jacaré na margem do lago, apenas observa e prepara um eventual bote de última hora. Como ele tem mais tempo que os demais, pode lançar sua candidatura no último minuto, sacudindo o cenário eleitoral. Além do mais, novas alianças podem surgir até o prazo final para registros de candidaturas, o que não está descartado. Inclusive quem é, pode deixar de ser…
Absolvido
O ex-deputado federal e ex-prefeito de Porto Velho, Carlinhos Camurça conseguiu ser absolvido pelo Superior Tribunal de Justiça em ação de improbidade que ele havia sido condenado pelo Tribunal de Justica de Rondônia. Camurça havia sido acusado de contratar pessoal para a Empresa de Navegação de Rondônia (Enaro) em período proibido pela legislação. O advogado Nelson Canedo, que representou o ex-prefeito, comprovou que não houve dolo específico, portanto, não cabia a condenação.
Buscas
A Polícia Civil de Rondônia está procurando o corpo de um adolescente que teve a cabeça decapitada e largada dentro de uma bolsa de bebê na porta de um condomínio onde ele morava em Porto Velho. Testemunhas disseram que o rapaz de 16 anos não tinha nenhuma ligação com criminosos. A policia intensificou as buscas para tentar localizar os restos mortais do rapaz.
Barbárie
Não é de agora que esse tipo de barbárie é registrada na região dos condomínios populares que são território de facções criminosas. Sucessivas operações policiais nessas áreas não conseguem inibir crimes dessa natureza. O problema não está no efeito, mas na causa. Se o governo não investir em políticas públicas, na presença do Estado de forma permanente nessas áreas, o crime organizado segue avançando. Não por acaso os foragidos de Mossoró estavam à caminho da capital de Rondônia, onde certamente teriam guarida. Os presídios rondonienses se transformaram em fábrica de mão de obra barata para essas organizações. E a violência impera. Em 2021, divulgamos aqui em Painel Político um vídeo que circulava em redes sociais mostrando a ousadia dessas facções.
Polêmica da semana
O fim de semana foi intenso na rede social X (ex-Twitter) por conta de postagens feitas pelo empresário sul-africano Elon Musk, que decidiu, por conta de interesses empresariais, atacar o ministro do STF Alexandre de Moraes. De acordo com reportagem do Intercept Brasil, o objetivo de Musk é desestabilizar o país para pressionar por conta de um negócio que ele está perdendo para os chineses da BYD, uma das maiores produtoras de lithium, metal usado na fabricação de baterias para carros elétricos que opera no Brasil, a Sigma Lithium. Os ataques a Moraes rapidamente ganharam repercussão junto aos políticos da chamada ‘extrema direita’. E pelo jeito, a confusão vai longe.
Regulamentação
Por conta do episódio, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco afirmou nesta segunda-feira (8) que a regulamentação das redes sociais é "inevitável" e "fundamental". Pacheco falou sobre o tema após uma reunião com ministros do governo e líderes governistas no Congresso para tratar da pauta de votações dos próximos dias. Pacheco mencionou um projeto de regulamentação das Redes Sociais que já foi aprovado em 2020 pelo Senado, mas travou na Câmara no ano passado, depois da pressão contrária das grandes empresas de tecnologia. Agora, com as declarações de Musk, ganhou força novamente na Câmara a tentativa de aprovar o PL das Regulação das Redes Sociais.
Vacina à caminho
Testes em humanos divulgados neste domingo (7), no encontro anual da Associação Americana para Pesquisa em Câncer (AACR), nos Estados Unidos, mostram que uma vacina contra o câncer de pâncreas pode "ensinar" o sistema imunológico a reconhecer e atacar um dos cânceres mais letais do mundo. Dentre os 16 pacientes que participaram do ensaio clínico de fase I, conduzido no Centro de Câncer Sloan Kettering Memorial, em Nova York, oito apresentaram uma resposta imune capaz de impedir o avanço do câncer por até 3 anos (18 meses). Nos demais pacientes, a doença voltou (teve recidiva) após 13 meses. A vacina usa a tecnologia mRNA, ou RNA mensageiro, e é produzida pela BioNtech, empresa que criou um imunizante contra a Covid-19 com a mesma técnica. Os pesquisadores identificaram moléculas na superfície tumoral dos pacientes e desenvolveram antígenos a partir delas. Isso também pode ser feito com superfície de vírus (como no caso do coronavírus causador da pandemia) e bactérias. Na divulgação do estudo, os pesquisadores apontaram que a tecnologia utilizada pela vacina foi capaz de "superar uma barreira fundamental para vacinas" contra o câncer que é gerar células T funcionais – tipo de célula do sistema imunológico capaz de produzir anticorpos para destruir células cancerosas.
