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Frigol Rondônia: Parcerias aceleram meta de R$ 7,5 bi em 2027

Parcerias em Rondônia permitem à Frigol diversificar exportações, mitigar cotas chinesas e manter crescimento mesmo com menor abate. Meta revisada mira R$ 7,5 bilhões a partir de 2027

Frigol Rondônia: Parcerias aceleram meta de R$ 7,5 bi em 2027
📷 Divulgação Frigol
📋 Em resumo
  • Frigol projeta receita acima de R$ 7,5 bilhões a partir de 2027 com forte apoio de operações em Rondônia
  • Contratos de industrialização com RioBeef e DistriBoi aceleram acesso a mercados como EUA e Canadá
  • Diversificação reduz dependência da China, que responde por 64,8% das exportações no 1º tri
  • Lucro líquido cresce 11 vezes no primeiro trimestre de 2026 apesar da queda de 5,3% no abate
  • Por que isso importa: Rondônia consolida-se como hub estratégico do agronegócio brasileiro, conectando o Norte a mercados premium e ampliando a resiliência do setor
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A Frigol, quarto maior frigorífico do país, divulgou nesta terça-feira (12) seu balanço do primeiro trimestre de 2026 e confirmou a meta ambiciosa de superar R$ 7,5 bilhões em receita bruta a partir de 2027. O principal vetor de crescimento são as parcerias firmadas em Rondônia, que permitem expansão rápida sem investimento em novas unidades próprias e abrem portas para os Estados Unidos e outros mercados premium.

No consolidado de 2025, a empresa registrou R$ 4,5 bilhões em receita bruta. Para 2026, a projeção revisada é de R$ 6,5 bilhões. O CEO Luciano Pascon (CEO da Frigol) afirmou à Bloomberg Línea que o novo orçamento, aprovado pelo conselho em abril, incorpora exatamente esses cenários de diversificação.

Retorno de Pascon e o “olhar para dentro de casa”

Luciano Pascon, que já comandou a companhia entre 2016 e 2020, reassumiu o posto em janeiro de 2025. Uma das primeiras decisões foi reavaliar processos internos, pessoas e decisões comerciais.

“Tem muita variável, mas as variáveis normalmente dentro do processo produtivo são as mesmas. É a questão de identificarmos aquelas que são as prioridades, aquelas que são maiores alavancas para o resultado”, disse Pascon.

Ele destaca que pequenos ganhos operacionais — como melhor aproveitamento do tempo de produção e gestão de insumos — geram impacto relevante em escala industrial.

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“Muitas vezes a gente deixa alguns centavos na mesa e, na hora que multiplica por alguns milhões de quilos, tanto no mês e depois no ano, vê o quanto isso está impactando os resultados da companhia”, afirma o executivo.

Rondônia no centro da estratégia

As três novas plantas em Rondônia operam por meio de contratos de industrialização firmados com a RioBeef e a DistriBoi. Nesse modelo, a Frigol não é proprietária das unidades, mas controla a compra de gado, a estratégia comercial e a venda da carne processada.

O formato permitiu à companhia ampliar rapidamente a presença no estado e acelerar o acesso a mercados estratégicos. O primeiro embarque para os Estados Unidos ocorreu em abril, via planta de Rolim de Moura.

“Rondônia também nos coloca no radar talvez no próximo movimento do Japão”, disse Pascon.

Segundo o CEO, as condições sanitárias de Rondônia abrem ainda o Canadá e posicionam a Frigol para eventuais novas aberturas asiáticas. Sem essas parcerias, a redução no abate teria sido de 14,2% no primeiro trimestre, em vez dos 5,3% registrados (cerca de 150 mil bovinos abatidos).

A empresa mantém três plantas próprias: Lençóis Paulista (SP), Água Azul do Norte (PA) e São Félix do Xingu (PA). O balanço reforça que as operações em Rondônia estão alinhadas à estratégia de expansão geográfica.

Desempenho financeiro e pressão sobre o volume

No primeiro trimestre de 2026, a Frigol registrou R$ 999,2 milhões em receita líquida, alta de 2,8% ante o mesmo período de 2025. O lucro líquido atingiu R$ 11,1 milhões — crescimento de 11 vezes em relação ao R$ 1 milhão registrado um ano antes. O Ebitda foi de R$ 33,3 milhões, com margem de 3,3%.

A melhora ocorreu mesmo com a menor oferta de gado e pressão sobre o preço da arroba. A companhia atribui o resultado à eficiência operacional e à diversificação comercial.

Exportações: menos China, mais diversificação

As exportações representaram 46% da receita bruta no período, ante 51% um ano antes. A China segue como principal destino (64,8% das receitas externas), seguida por Israel, Hong Kong e Europa. A participação de outros mercados subiu para 17,4%, contra 13% no primeiro trimestre de 2025 e apenas 6% em 2024.

O volume exportado para Indonésia e Filipinas cresceu 255% na comparação anual. Pascon não prevê mudança rápida na política chinesa de cotas — o Brasil já atingiu metade da cota anual e deve completá-la até meados do ano.

“O boi China me traz pelo menos uns 30% a mais [do que a venda para o mercado interno]”, disse o executivo.

A Frigol busca habilitações em todos os mercados possíveis, mesmo que a decisão final de venda dependa de preço e rentabilidade.

Mercado doméstico e linhas de valor agregado

O Brasil respondeu por 54% da receita bruta no primeiro trimestre, ante 49% um ano antes. A companhia tem reforçado produtos de maior valor agregado e ampliado presença em grandes atacarejos com o projeto Açougue Completo.

Pascon ressalta que a estratégia combina eficiência interna, gestão de pessoas e busca constante pelos melhores mercados.

Versão em áudio disponível no topo do post.

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