Como o Xadrez de Alcolumbre e Bolsonaristas humilhou o Planalto no Senado
Nos bastidores de Brasília, inimigos históricos selaram um acordo de conveniência para enterrar a indicação ao STF e blindar inquéritos sensíveis
📋 Em resumo ▾
- O Pacto de Bastidores: A derrota de Jorge Messias (42 a 34) não foi ideológica, mas fruto de um "xadrez 4D" liderado por Davi Alcolumbre para proteger interesses do "Centrão do STF" e conter a ala de André Mendonça.
- Barganha de Sobrevivência: O apoio da oposição bolsonarista foi comprado com a derrubada do veto ao "PL da Dosimetria" e o engavetamento estratégico da CPI do Caso Master, blindando Alcolumbre em troca de apoio para 2027.
- O Isolamento do Planalto: O episódio revela um Executivo sem interlocução e refém de uma "Frente Ampla do Centrão", onde emendas e conveniências paroquiais mandam mais que as bandeiras partidárias.
- Por que isso importa: O veredito do Senado enterra o mito da polarização ideológica no topo do poder, expondo que o governo Lula opera sob a tutela de um Parlamento que prioriza acordos de não agressão e a sobrevivência jurídica de seus integrantes.
Xadrez da conveniência - Por Márcio Coimbra*
Nos bastidores de Brasília, onde o silêncio costuma ser mais eloquente que os discursos oficiais, o desgaste do Planalto sinaliza uma mudança profunda no equilíbrio de forças do país. A rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, por 42 a 34, ultrapassou o mero tropeço protocolar, sendo uma clara demonstração de força meticulosamente articulada por Davi Alcolumbre. Para quem transita pela Comissão de Constituição e Justiça e capta as nuances fora do alcance das câmeras, o cenário ficou nítido: não se tratou de um embate ideológico entre direita e esquerda, mas de uma "guerra de conveniências" na qual adversários históricos se aliaram em nome da sobrevivência política.
O equívoco de quem analisa a política apenas pela superfície é negligenciar o "xadrez 4D" que uniu figuras como Alexandre de Moraes, o próprio Alcolumbre e o núcleo duro do bolsonarismo contra o Advogado-Geral da União. O grupo agiu sob um propósito compartilhado: impedir que a ascensão do indicado fortalecesse a ala de André Mendonça. Relator do sensível Caso Master, o magistrado — embora alçado ao posto por Jair Bolsonaro — tornou-se um aliado próximo e defensor de Messias, o que acendeu o sinal de alerta no chamado "Centrão do STF".
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