Coronel Walnir Ferro - Homem de missão e um sonho
Por Amadeu Guilherme Matzenbacher Machado*

As redes sociais de Rondônia registraram o falecimento do Coronel Ferro, ocorrido no dia 17 de março de 2025.
Todas as manifestações pesarosas registraram o evento e enviaram condolências à família enlutada, sendo destaque a trajetória brilhante que ele teve como brioso e destemido policial militar.
Estaria sendo repetitivo seguindo a mesma linha.
Claro que o Coronel reuniu e forjou mérito indiscutível, saindo lá da Guarda Territorial e ascendendo, por sua dedicação e comprometimento, ao posto mais elevado dentro da Polícia Militar.
Um perfil de austeridade compatível às rigorosas exigências para o escalonamento do piso ao teto da carreira que abraçou.
Quero, no entanto, fazer menção a um outro lado: a figura humana do Ferro.
Ele adorava praticar esportes, especialmente o futebol. Era marrento e com razão, pois batia uma bola como poucos. Jogava sempre para ganhar e não refugava uma bola dividida.
Ao mesmo tempo era uma pessoa divertida, tirando graça com quase tudo, exceto quando o assunto era a corporação, que ele amava, e a segurança pública da população.
Houve uma época, já bem distante, que foi organizado um torneio de futebol de salão, que hoje é chamado “futsal”. Esta competição reunia times de profissionais liberais - médicos, dentistas, engenheiros, advogados - e foi estendido convite para oficiais da Polícia Militar se juntarem a abrilhantarem a competição.
As primeiras edições desse campeonato ocorreram no belo ginásio coberto do Flamengo, que hoje, lamentavelmente, virou uma tapera e está a merecer uma revitalizada por parte dos setores envolvidos em políticas culturais, pois aquele local sediou eventos culturais e esportivos que marcaram a história de Porto Velho.
Depois de algum tempo os jogos passaram a acontecer no Ginásio Cláudio Coutinho.
As partidas eram precedidas de divertidas reuniões e lá estava o Ferro fazendo pilhéria e antecipando que ganharia fácil.
Lembro que jogava uma rapaziada com ele. Todos jovens oficiais. O Carvalho e o Zimermann são os que me recordo, além, claro do Ferro.
As partidas eram muito disputadas. Vez por outra algum entrevero rapidamente resolvido e após o jogo rolava uma cerveja e muita risada, independentemente do resultado.
Quando eu estava chefiando a Casa Civil, do Governo do Estado, o Ferro era o Comandante Geral da Polícia Militar e, por conta de nossos cargos, nos reuníamos com alguma frequência.
Passamos por momentos difíceis que exigiam ações rápidas e eficazes. Ferro trazia o planejamento e demonstrava sua aptidão para o enfrentamento das questões afetas à segurança pública.
Era, verdadeiramente, um homem de missão.
Exaurida a pauta institucional divagávamos sobre assuntos variados.
Certa ocasião ele me contou que estava muito próximo de descobrir os tesouros da lendária Urucumacuã.
Dizia-me o Coronel que tinha uma expedição trabalhando no local, que ficava entre Vilhena e Pimenta Bueno.
Nessa aventura havia a participação de indígenas de uma reserva próxima, que confirmavam a existência daqueles tesouros, os quais já haviam sido perseguidos pelo então Major Cândido Rondon.
Uma enorme escavação estava sendo feita e cada vez que nos encontrávamos eu perguntava ao Coronel como estava o seu projeto.
A resposta era de otimismo e que a descoberta da alardeada imensa riqueza era uma questão de tempo.
Em algumas oportunidades eu o ajudei com situações que ele me relatava. Eram imensas as dificuldades na exploração do local.
Ele estava entusiasmado e sempre me dizia que se conseguisse achar aquela decantada mina com ouro e pedras preciosas o Estado de Rondônia seria o beneficiário daquela fortuna e as dificuldades que vivenciávamos na época seriam resolvidas.
Tais afirmações revelavam o amor que ele tinha pela sua terra e pelo seu povo. O seu sonho não era egoístico. Era altruísmo puro.
Tudo não passou de um sonho, ao qual ele dedicou ingentes esforços.
Fica então este registro, com certeza desconhecido, da pessoa, do cidadão Walnir Ferro de Souza, a quem reverencio como dileto amigo e um nobre Rondoniense, que na passagem terrena cumpriu sua missão com galhardia, destemor, austeridade e intenso amor por sua terra e sua gente.
Vá em paz e com o peito estufado meu estimado Coronel Ferro, para o merecido descanso.
Amadeu Guilherme Matzenbacher Machado* é advogado e ex-presidente do Tribunal de Contas de Rondônia