Corrida pela prefeitura de Porto Velho, hoje, não tem favoritos, mas o cenário pode mudar radicalmente
Via Painel Político

A leitura é simples e didática, basta acompanhar o raciocínio. Dos nomes postos atualmente para disputar a prefeitura de Porto Velho, nenhum é ‘franco favorito’. Mariana Carvalho, Fernando Máximo, Léo Moraes, Chrisóstomo, Cristiane Lopes, Vinicius Miguel e Maurício Carvalho estão todos no mesmo patamar atualmente. Mas dois ‘players’ ainda não deram as caras, Marcelo Cruz e algum candidato pelo Partido dos Trabalhadores. “Há, mas Porto Velho é conservadora de direita, o PT está morto aqui’, dirão alguns afoitos. Não é bem assim.
Qualquer pessoa mais atenta que acompanha o cotidiano político regional, sabe que o PT historicamente sempre navegou entre 16 a 20% de um eleitorado fiel. Pode até não ganhar eleição, mas ajuda (e muito) a decidir.
Já Marcelo Cruz é presidente do poder Legislativo, conta com apoio do governador (basta bater o pé e em precisa fazer muito esforço) e vem numa escalada de crescimento junto a seu eleitorado. Os demais (à exceção de Máximo), já foram testados e os tetos são conhecidos. Some-se a isso, o cansaço do eleitor que vem demonstrando uma vontade irrefreável de apostar em nomes novos, independente de pautas mais à direita ou mais à esquerda.
Mariana aposta no apoio do atual prefeito Hildon Chaves, ex-promotor de Justiça que convenhamos, aprendeu o caminho das pedras e sonha com voos mais altos. Se suas asas são de cera, como as de ícaro e vão derreter mais próximo do Sol, o tempo irá dizer. É bom lembrar que para voar alto e longe, as asas precisam ser fortes e se faz necessário conhecer também os caminhos celestes, que no caso é a capacidade de construir alianças, ter humildade e como diria o filósofo Ivo Cassol, entender que ‘ninguém é bão suzinho (sic)’.
Vinicius Miguel tem uma longa estrada. É capaz, é carismático, mas ainda prefere ouvir seus próprios conselhos a ouvir vozes que trilharam por mais tempo as rodovias lamacentas que costumam chegar em determinados pontos com atoleiros intransponíveis, onde muitos ficaram e nunca mais saíram.
A fábula Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol tem uma passagem interessante que ilustra bem esse cenário. Alice se vê em dúvida sobre qual caminho tomar quando se vê diante de uma verdadeira encruzilhada. Então ela encontra um gato, para quem pergunta:
“- O senhor poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar?”
O gato responde: “- Isso depende muito! Para onde você quer ir?”
Alice responde: “- Não me importo muito para onde vou!”
Então o gato, sabiamente, responde: “- Então também não importa o caminha que você vai escolher!”
Insatisfeita, Alice comenta: “- Tudo o que eu quero é chegar em algum lugar!”
E o gato retruca: “- Oh, você pode ter certeza de que vai chegar a algum lugar se caminhar bastante!”. Assim podemos classificar algumas pré-candidaturas que foram postas. Elas podem até ir, e vão chegar em algum lugar, talvez não o que queira, mas aí teríamos que usar outras metáforas, e para bom entendedor, basta, no máximo, meia palavra…
E o PT?
Então…não ganha, mas decide. E para onde vai a legenda? Com Máximo, Mariana, Lopes e Chrisóstomo, a probabilidade é zero. Outros nomes como Vinicius Miguel e até mesmo Benedito Alves, ex-conselheiro sondado pelo MDB e outras legendas, existe uma possibilidade real de aliança. Mas apenas um nome não basta. É preciso ter musculatura e um grupo forte, alinhado com outros segmentos, sem a pecha de ser ‘lulista’ ou ‘bolsonarista’. Navegar em águas tão turbulentas como as que se formaram a partir da polarização que tomou conta do país nos últimos anos não é para qualquer um.
Eu arriscaria uma aliança mais ampla, que sempre esbarra em questões pequenas como vaidades ou resquícios de mágoas construídas em eleições passadas. Política é a arte de dialogar, de engolir sapos e seguir em frente, pensando em governabilidade, no que é melhor para a sociedade. Essa capacidade é para poucos, e é o que difere os grandes dos medíocres. E a mediocridade, essa sim, é um atoleiro instransponível.
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