Credores da Apex Partners discutem criação de associação em Vitória
Encontro em Vitória reuniu 150 participantes para articular representação coletiva. Dívida do grupo pode chegar a R$ 1 bilhão após auditoria em 178 empresas
📋 Em resumo ▾
- Investidores e credores da Apex Partners e Rhino Securitizadora discutem formação de associação
- Fórum independente em Vitória reuniu cerca de 150 pessoas com diferentes exposições financeiras
- Objetivo é organizar representação coletiva diante de possível recuperação judicial e dívida de R$ 1 bi
- Estrutura envolve 178 pessoas jurídicas, o que dificulta mapeamento preciso do passivo real
- Por que isso importa: A articulação dos credores pode definir os rumos da maior crise do setor de securitização no ES
Investidores e credores ligados à Apex Partners e à Rhino Securitizadora iniciaram discussões para criar uma associação que organize a atuação do grupo diante da crise financeira das empresas. A proposta ganhou força durante um fórum independente realizado neste sábado (29), em Vitória, reunindo participantes que buscam informações sobre seus investimentos e os próximos passos jurídicos e financeiros do caso.
A iniciativa já conta com cerca de 150 pessoas cadastradas e pretende agregar investidores com diferentes tipos de exposição, incluindo detentores de debêntures Rhino/Apex, cotistas de fundos da Carbyne e pessoas com valores em atraso. A avaliação predominante é que uma estrutura coletiva aumentará a capacidade de negociação e facilitará a definição de estratégias caso a crise evolua para uma recuperação judicial.
“A organização coletiva é vista como forma de reduzir a fragmentação dos credores e ampliar sua capacidade de interlocução com a empresa e o Judiciário.”
Desafios da diversidade de credores
A possível associação ainda está em fase de discussão e não possui caráter oficial dentro de um eventual processo de recuperação judicial. O encontro não corresponde a um Comitê de Credores previsto na Lei 11.101/2005, nem substitui assembleias formais de credores ou debenturistas. O cadastramento também não significa adesão automática a processos judiciais nem concede autorização legal para representação individual.
Um dos principais desafios é a heterogeneidade das aplicações envolvidas. Os investidores possuem contratos e produtos financeiros distintos, que podem exigir caminhos jurídicos diferentes para a tentativa de recuperação dos recursos. Nesse cenário, a associação funcionaria como um instrumento de articulação política e informacional, e não necessariamente como representante processual único.
Passivo bilionário sob revisão
A busca por informações também envolve a dimensão exata do passivo da Apex. Dados apresentados no processo judicial apontam endividamento próximo de R$ 1 bilhão em 30 de junho de 2026, mas o montante deverá passar por revisão contábil e jurídica.
O levantamento preliminar inclui:
- R$ 452,1 milhões em debêntures;
- R$ 309,8 milhões em obrigações de cashback;
- R$ 201,7 milhões em dívidas bancárias;
- R$ 35,2 milhões em tributos em atraso.
Uma auditoria independente deverá verificar a composição dessas obrigações e incorporar informações posteriores à data-base do levantamento inicial. Com isso, o valor total da dívida poderá ser alterado significativamente, impactando diretamente as projeções de recuperação dos ativos.
Complexidade societária e fluxo de informações
A análise do passivo é dificultada pela estrutura empresarial associada ao grupo, formada por 178 pessoas jurídicas. A quantidade de empresas e as relações financeiras cruzadas entre elas tornam complexo identificar responsabilidades, ativos e obrigações específicas de cada companhia, exigindo trabalho forense detalhado.
Além da organização política, o fórum tenta centralizar a comunicação entre os afetados. Um site criado pelo grupo disponibiliza área para reunir perguntas destinadas à Apex e concentrar informações consideradas relevantes. Há demanda crescente pela criação de canais oficiais de comunicação entre a empresa, debenturistas e outros potenciais credores, hoje supridos apenas por iniciativas informais.
Parte dos credores já recorreu à Justiça individualmente, enquanto outros aguardam desdobramentos da medida cautelar apresentada pelos atuais gestores da Apex. As restrições legais vigentes influenciam a possibilidade de cobranças individuais, reforçando a necessidade de coordenação.
Se um pedido de recuperação judicial for formalizado, a associação poderá servir como base para a formação de um comitê oficial. Caso contrário, diferentes grupos de credores poderão avaliar iniciativas próprias, fragmentando ainda mais a negociação. O desfecho dependerá tanto da transparência da empresa quanto da capacidade de união dos investidores.
Versão em áudio disponível no topo do post.