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Credores resistem a plano da Braskem e pressionam Petrobras por aporte

Detentores de títulos rejeitam a proposta mais recente e exigem que os acionistas — Petrobras e IG4 — assumam um compromisso firme de capital; sem isso, cresce o risco de recuperação judicial. Prazo: 9 de outubro

Credores resistem a plano da Braskem e pressionam Petrobras por aporte
📷 Bloomberg
📋 Em resumo
  • Os bondholders (investidores que detêm títulos de dívida) da Braskem resistem à proposta de reestruturação da empresa e pressionam a Petrobras — sua acionista — a aportar capital novo.
  • A disputa envolve uma dívida total de US$ 11 bilhões, dos quais cerca de US$ 7 bilhões são de detentores de títulos globais.
  • A proposta mais recente prevê US$ 2 bilhões em recursos novos dos credores, com recompra de dívida por até 50% do valor de face (um "haircut", ou calote parcial).
  • A Petrobras, embora queira evitar a recuperação judicial da Braskem, sinalizou que não pretende socorrê-la com capital, segundo fonte próxima às negociações.
  • Por que isso importa: o prazo (9 de outubro) cai no meio das eleições, e uma eventual recuperação judicial da Braskem é tema sensível justamente porque a estatal é acionista
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Os detentores de títulos de dívida (bondholders) da Braskem estão resistindo à proposta de reestruturação apresentada pela petroquímica, o que aumenta a pressão sobre a Petrobras — uma das controladoras da empresa — para injetar recursos novos. Segundo pessoas a par das negociações ouvidas pela Bloomberg, o impasse em torno de uma dívida de US$ 11 bilhões se agravou depois que os acionistas suavizaram a linguagem sobre um eventual aporte de capital, e voltou a colocar em cena a possibilidade de uma recuperação judicial.

O que está na mesa

Pela proposta mais recente da Braskem, apresentada no fim de agosto, os credores forneceriam cerca de US$ 2 bilhões em recursos novos. Desse total, aproximadamente US$ 1,25 bilhão seria destinado a um leilão de recompra de dívida por até 50% do valor de face — ou seja, os credores aceitariam receber metade do que lhes é devido —, e os US$ 750 milhões restantes iriam para capital de giro.

Aqui está a mudança de tom que azedou as conversas: as discussões iniciais não previam calote (o chamado "haircut", a redução do valor da dívida). Agora, além de aceitar receber menos, os credores exigem uma contrapartida — que os acionistas assumam um compromisso firme e exequível de aporte. Alguns já deixaram claro: sem dinheiro novo dos donos, não há acordo.

A Petrobras no centro — e resistindo

É nesse ponto que a Petrobras entra no foco. A estatal, que mantém participação acionária na Braskem ao lado da gestora IG4 Capital, tem se envolvido cada vez mais nas negociações e quer evitar que a empresa entre em recuperação judicial. Mas, até aqui, não se mostrou disposta a oferecer o compromisso de capital que os credores exigem — e uma fonte próxima às negociações chegou a afirmar que não se espera que a Petrobras resgate a companhia com aporte ou oferecendo ativos como garantia.

A distância entre as partes é tão grande que, segundo algumas das fontes, alguns credores cogitam nem apresentar uma contraproposta. É por isso que o cenário de recuperação judicial — mais drástico que a recuperação extrajudicial em curso — voltou a ganhar peso nas discussões.

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Extrajudicial x judicial: entenda a diferença

Vale distinguir os dois caminhos, porque não são a mesma coisa. A Braskem está hoje em recuperação extrajudicial: um processo negociado, protocolado em 24 de agosto, em que a empresa tenta fechar um acordo com a maioria dos credores e levá-lo à Justiça apenas para homologação. Para aprovar o plano definitivo, precisa da adesão de mais da metade dos credores.

Já a recuperação judicial é o cenário que a empresa quer evitar: um processo conduzido sob supervisão direta da Justiça, mais longo, mais litigioso e com maior perda de controle pelos acionistas. É a diferença entre renegociar a dívida com um acordo costurado e entregar a reorganização inteira ao juiz.

Os prazos — e por que a eleição importa

O calendário é apertado e politicamente sensível. As partes têm até 9 de outubro para chegar a um acordo sobre os termos básicos (o "term sheet") — data que cai entre o primeiro e o segundo turno das eleições. A Braskem tem até o fim de novembro para apresentar um plano definitivo, com apoio de mais da metade dos credores, e assim escapar da recuperação judicial.

A coincidência com o período eleitoral não é detalhe. Como a Petrobras é acionista, qualquer decisão de aportar bilhões de reais de uma estatal numa empresa endividada — ou, ao contrário, de deixá-la ir à recuperação judicial — vira munição política imediata, num momento em que o governo é cobrado por tudo que envolve o caixa da Petrobras.

Como a Braskem chegou aqui

A maior produtora de petroquímicos da América Latina acumula anos de turbulência. O caixa foi corroído após o desastre ambiental em Maceió, ligado à extração de sal-gema, que provocou o afundamento de bairros inteiros e bilhões em indenizações. Somaram-se um longo período de preços deprimidos no setor petroquímico global e as sucessivas tentativas frustradas do grupo Novonor (ex-Odebrecht) de vender sua fatia de controle — vendida, no fim, à IG4. Em junho, a empresa entrou com uma medida cautelar para ganhar tempo; em agosto, formalizou a recuperação extrajudicial.

O tamanho do estresse aparece no mercado: os rendimentos dos títulos da Braskem em dólares com vencimento em 2030 dispararam para cerca de 26% — patamar típico de dívida de empresas em dificuldade financeira (o chamado distress), quando os investidores passam a exigir juros altíssimos para carregar o risco de calote.

O que vem agora

Nas próximas semanas, três coisas vão definir o desfecho: se a Petrobras cede e assume algum compromisso de capital, se os credores flexibilizam suas exigências, e se o prazo de 9 de outubro é cumprido. Se nada disso acontecer, a Braskem caminha para uma recuperação judicial — um desgaste que respingaria diretamente na estatal e, por tabela, no governo, em plena reta final da eleição.

Versão em áudio disponível no topo do post.


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