Poder e Bastidores

Crise na Bombril: controladora vendeu ações dias antes de pedido de recuperação judicial bilionário

Empresa histórica do mercado brasileiro enfrenta dívida de R$ 2,3 bilhões e levanta suspeitas com movimentação atípica de ações; valor das ações despenca mais de 36% após anúncio

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Em meio a uma das maiores crises de sua história de mais de 70 anos, a Bombril, tradicional fabricante de produtos de limpeza, protagonizou uma controversa movimentação acionária dias antes de protocolar seu pedido de recuperação judicial. A Newco International Ltd, empresa controladora ligada a Ronaldo Sampaio Ferreira, neto do fundador e atual presidente do Conselho de Administração, vendeu 103.273.447 ações ordinárias da companhia em 3 de janeiro, apenas um mês antes do pedido de proteção judicial.

Cronologia da crise

A operação, que representa 75% das ações ordinárias da empresa, foi realizada por um valor estimado de R$ 189 milhões, considerando o preço de fechamento das ações preferenciais na data da transação. O montante representa menos de 10% do endividamento total da companhia, que alcança R$ 2,3 bilhões.

Em nota posterior à divulgação da venda, a assessoria de imprensa da Bombril tentou esclarecer a situação, afirmando que "não houve compra ou venda de ações" e sim "uma simplesmente organização interna em que o controlador pessoa física passou parte de suas ações para a sociedade da qual é o único sócio."

Situação crítica

O pedido de recuperação judicial, protocolado na segunda-feira (10), revela uma situação financeira extremamente delicada. Segundo documentos apresentados à justiça, a empresa enfrenta:

As unidades fabris sob risco de penhora estão localizadas em:

Impacto no Mercado

O mercado reagiu fortemente ao anúncio da recuperação judicial. As ações preferenciais da empresa (BOBR4) registraram queda expressiva de 36,5% durante o pregão de terça-feira (11), sendo negociadas a R$ 1,46, evidenciando a preocupação dos investidores com o futuro da companhia.

Estrutura acionária

A atual composição acionária da empresa inclui, além da família fundadora, o investidor Silvio Tini, que detém participação relevante através de:

Perspectivas e desafios

A empresa, que já enfrentou turbulências anteriores, incluindo o controverso período sob comando do empresário italiano Sérgio Cragnotti entre os anos 1990 e início dos 2000, agora busca reestruturação para manter suas operações. Segundo especialistas do mercado, o principal desafio será equacionar o passivo tributário e recuperar a capacidade de geração de caixa operacional.

A recuperação judicial da Bombril representa mais um capítulo desafiador na história de uma das marcas mais tradicionais do mercado brasileiro, conhecida por seu icônico slogan "Mil e Uma Utilidades" e pela figura do garoto-propaganda Carlos Moreno, que por décadas foi o rosto da empresa em suas campanhas publicitárias.

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O processo de recuperação judicial abrange dívidas de R$ 332,8 milhões em débitos com fornecedores e credores, enquanto a maior parte do passivo, cerca de R$ 2 bilhões, corresponde a autuações fiscais que estão sendo discutidas judicialmente. A empresa argumenta que busca proteção legal para evitar a falência e renegociar suas dívidas, mantendo a operação de suas fábricas e os empregos de seus funcionários.

Com informações do NeoFeed