Críticas a Lula criam mal-estar e transformam casa de Kakay, aliado em "território proibido"
Ausência de figuras importantes do PT em evento de Kakay expõe tensão entre o advogado e o governo

A casa do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, em Brasília, sempre foi um ponto de encontro para figuras influentes da política nacional. No entanto, após recentes críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o local se tornou um espaço evitado por aliados do governo, gerando um evidente mal-estar entre o advogado e a cúpula petista. A informação é de Octávio Guedes, no G1.
Kakay afirmou publicamente que Lula estaria sendo "capturado" por um grupo restrito de assessores que limita sua capacidade de articulação política. A declaração foi interpretada como um recado indireto à primeira-dama, Janja da Silva, e ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, o que teria incomodado setores do Planalto.
O reflexo desse descontentamento ficou evidente no evento realizado na casa do advogado na segunda-feira (17), onde ocorreu o lançamento do podcast "Lisboa Connection", do jornalista Guilherme Amado. Embora diversas lideranças do PT e do governo tivessem sido convidadas e até confirmado presença, muitos não compareceram, alimentando rumores de um boicote.
Entre as ausências notáveis estavam a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Apesar de negarem qualquer veto oficial, a ausência coletiva reforçou a percepção de que as declarações de Kakay geraram desconforto entre os governistas.
Por outro lado, nomes de peso do meio jurídico e político prestigiaram o evento, como os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e Dias Toffoli, além dos ministros da Defesa, José Múcio, e da Justiça, Ricardo Lewandowski.
O episódio expõe as delicadas relações entre o governo e aliados históricos, evidenciando que críticas, mesmo vindas de figuras próximas, podem gerar repercussões significativas dentro da base governista.
