Radar do Judiciário

Delegado e policiais são presos em megaoperação contra esquema de corrupção ligado ao PCC

Investigação revela esquema milionário de proteção ao crime organizado e lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 100 milhões desde 2018

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Delegado foi preso pela PF nesta terça-feira

A Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo deflagraram nesta terça-feira (17) a Operação Tacitus, que resultou na prisão do delegado Fábio Baena Martin e mais três policiais civis suspeitos de integrar uma organização criminosa que prestava serviços ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação conta com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil e mobilizou 130 agentes federais e promotores.

Entre os presos estão, além do delegado Baena, que atuava na 3ª Delegacia de Repressão a Homicídios Múltiplos, os policiais civis Ahmed Hassan e Robinson Granger de Moura, conhecido como "Molly". A operação também busca Rogério de Almeida Felício, conhecido como "Rogerinho", que está foragido e, segundo investigações, trabalha como segurança do cantor Gusttavo Lima.

O caso ganhou novos contornos após estar diretamente relacionado ao assassinato do empresário e delator Vinícius Gritzbach, executado em 8 de novembro no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Antes de sua morte, Gritzbach havia denunciado o delegado Baena por extorsão, em delação premiada.

Vinicius foi assassinado no aeroporto de Guarulhos

Segundo as investigações, o grupo criminoso atuava em diversas frentes:

A Justiça determinou, além das 8 prisões temporárias, o cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bragança Paulista, Igaratá e Ubatuba. Durante as diligências, foram apreendidos valores em dinheiro, armas e joias de alto valor, evidenciando o patrimônio suspeito acumulado pelos investigados.

"As investigações apontam que a facção, com o apoio dessa organização criminosa, movimentou mais de R$ 100 milhões desde 2018", afirmou fonte ligada à investigação. O nome da operação, "Tacitus", vem do latim e significa "silencioso" ou "não dito", fazendo referência ao modo discreto de atuação do grupo

A defesa do delegado Baena, representada pelo advogado Daniel Bialski, classificou a prisão como "abusiva" e afirmou que só se manifestará após ter acesso à decisão judicial que determinou as prisões. Os demais investigados ainda não se manifestaram através de seus representantes legais.

Os suspeitos podem responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e ocultação de capitais, com penas que, somadas, podem chegar a 30 anos de reclusão. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a Corregedoria da Polícia Civil acompanha a operação e colabora com as investigações.

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