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Deputados dos EUA cobram Rubio sobre papel do governo na fuga de Flávio

Os parlamentares fazem uma série de perguntas sobre o que o governo Trump sabia da ordem do STF. Nos EUA, Flávio contesta a eleição e se diz “líder do Brasil”

Deputados dos EUA cobram Rubio sobre papel do governo na fuga de Flávio
📷 Wilton Junior/Estadão
📋 Em resumo ▾
  • 25 deputados democratas dos EUA enviaram carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, pedindo explicações imediatas sobre o papel do governo americano na saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil.
  • A pergunta central é se o Departamento de Estado, a Embaixada em Brasília ou outro órgão ajudaram Flávio a viajar apesar da ordem do STF.
  • O Departamento de Estado não respondeu. A imigração americana confirmou que a família foi inspecionada e liberada na chegada à Flórida.
  • Nos EUA, Flávio publicou carta em que contesta a eleição sem provas e se diz “líder do Brasil”.
  • Por que isso importa: se ficar provado que órgãos americanos ajudaram na fuga, o caso vira crise diplomática e pode virar investigação no Congresso dos EUA.
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Um grupo de 25 deputados democratas da Câmara dos Estados Unidos enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, pedindo “uma prestação de contas imediata” sobre o papel do Departamento de Estado na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil e na entrada dele nos EUA. A carta foi enviada na quinta-feira (29/10) e é liderada pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia, e Dina Titus, de Nevada. As informações são do site Politico.

Quem são os autores: os democratas são minoria na Câmara, controlada pelos republicanos de Trump. Por isso, a carta não obriga o governo a responder. É um pedido de informações, não uma investigação formal.

A pergunta central

“A questão central é simples: o Departamento de Estado, a Embaixada dos EUA no Brasil ou qualquer outra agência do governo americano ajudou o senador Bolsonaro a viajar ou entrar nos Estados Unidos, apesar da restrição judicial brasileira à sua saída?”
— Carta de deputados democratas a Marco Rubio (tradução livre)

Segundo os deputados, se houve ajuda, o Congresso precisa saber o que foi oferecido, quem autorizou, quando aconteceu e que informações os funcionários americanos tinham naquele momento.

As principais perguntas

Os parlamentares querem respostas por escrito para perguntas como:

  1. Quando o Departamento de Estado e a Embaixada em Brasília souberam que o STF tinha mandado Flávio entregar os passaportes e o proibido de sair do país?
  2. Algum funcionário americano recebeu ou discutiu a ordem judicial antes da saída de Flávio?
  3. Antes de autorizar o visto, o Departamento verificou se Flávio podia legalmente deixar o Brasil?
  4. O governo sabia que Flávio não entregou os passaportes no prazo?
  5. Quem autorizou a decisão de conceder vistos à família?
  6. Os vistos foram aprovados antes de o governo saber da ordem judicial? Se sim, a decisão foi revista depois?
  7. Algum funcionário americano, da embaixada ou da Casa Branca, conversou com Flávio, a família, advogados ou intermediários sobre a viagem?
  8. Algum funcionário ajudou com voo, documentos, transporte, acesso a aeroporto ou outra logística?
  9. Houve coordenação com a imigração (CBP) e com o Departamento de Segurança Interna sobre a chegada de Flávio?
  10. O Departamento consultou o Departamento de Justiça sobre as implicações de receber uma figura política que deixou o país descumprindo uma ordem judicial?


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A carta cita reportagem do jornal The New York Times de 27 de outubro e afirma que outras reportagens levantaram dúvidas sobre se funcionários americanos sabiam ou participaram dos preparativos da saída.

O que diz o governo americano

  1. Departamento de Estado: não respondeu ao pedido de comentário do Politico;
  2. Casa Branca: encaminhou as perguntas ao Departamento de Estado e à imigração;
  3. Departamento de Segurança Interna (DHS): não comentou as suspeitas de envolvimento do governo. Disse apenas que Flávio e a família foram recebidos e inspecionados pela imigração (CBP) ao chegar ao sul da Flórida e liberados, conforme os procedimentos normais.


Na terça (27), um funcionário do Departamento de Estado tinha dito que os EUA vão emitir vistos para Flávio e a família. Visto não é asilo político, e o governo americano não confirmou a concessão de asilo.

Flávio contesta a eleição

Já nos EUA, Flávio publicou nas redes uma carta aberta em que contesta o resultado da eleição. Segundo o Jornal de Brasília, ele alegou fraude, sem apresentar provas, e se declarou o “verdadeiro presidente eleito”. Depois, apagou a publicação e divulgou outra versão, em que se apresenta como “líder do Brasil”.

O que é fato: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proclamou o resultado do 2º turno: Lula (PT) venceu com 51,79% dos votos válidos. Não há indício de fraude na eleição.

Foto com Eduardo e Ramagem

Na noite de quarta-feira (28), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o ex-deputado Alexandre Ramagem publicaram fotos ao lado de Flávio nos EUA. Os dois vivem no país e têm ordem de prisão no Brasil:

  1. Eduardo foi condenado pelo STF a quatro anos de prisão por coação, e o ministro Alexandre de Moraes mandou prendê-lo no início de outubro;
  2. Ramagem, ex-diretor da Abin, foi condenado por participação na tentativa de golpe e teve a prisão preventiva decretada em novembro de 2025, depois de deixar o Brasil descumprindo proibição de viajar.

A situação de Flávio no Brasil

  1. Flávio descumpriu a ordem do STF: não entregou os passaportes e saiu do país;
  2. ainda não há mandado de prisão contra ele. Por isso, juridicamente, ele ainda não é foragido;
  3. segundo o Diário Carioca, a PF avalia pedir a prisão preventiva e o bloqueio de bens. A ideia do bloqueio seria uma “asfixia financeira” para pressioná-lo a voltar. Não há decisão de Moraes;
  4. Flávio é investigado, e não acusado, em inquéritos no STF sobre suposta lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz e sobre o financiamento do filme Dark Horse. Ele nega irregularidades.

O outro lado

O Departamento de Estado não respondeu à carta. Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre ela. O Painel Político procurou a assessoria do senador e aguarda resposta. (Alan: ajuste esta linha conforme o contato feito.)

A carta dos democratas não obriga o governo Trump a responder, mas transforma a fuga de Flávio num assunto de política interna americana a menos de uma semana das eleições de meio de mandato. Se os democratas retomarem a Câmara em 3 de novembro, como apontam as projeções, essas perguntas podem voltar em janeiro como investigação formal, com poder de convocar testemunhas e exigir documentos. Até lá, Flávio está em Miami ao lado de dois foragidos da Justiça brasileira, contestando sem provas uma eleição que perdeu por 4,4 milhões de votos. A decisão sobre a prisão, que mudaria a condição jurídica dele, continua com Moraes.

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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