Desembargador que estava desaparecido desde 14 de abril, é encontrado morto no Rio
Magistrado do TRF-2, afastado pelo CNJ, foi localizado sem sinais de violência após mais de um mês desaparecido; investigação apura circunstâncias
📋 Em resumo ▾
- Corpo do desembargador Alcides Martins Ribeiro Filho foi encontrado na Vista Chinesa, Parque Nacional da Tijuca, na tarde de 19 de maio
- Polícia Civil confirma ausência de sinais aparentes de violência; perícia e laudo do IML ainda pendentes
- Magistrado estava afastado do cargo pelo CNJ desde maio de 2025 por suspeita de violência doméstica
- Caso mobilizou alto escalão do TRF-2 e Gabinete de Segurança Institucional; família aguarda esclarecimentos
- Por que isso importa: desfecho reacende debate sobre transparência, saúde mental no Judiciário e proteção a vítimas
O desembargador federal Alcides Martins Ribeiro Filho (TRF-2) foi encontrado morto na tarde desta terça-feira, 19, nos arredores da Vista Chinesa, no Parque Nacional da Tijuca, Zona Sul do Rio. O corpo foi localizado por agentes da Delegacia de Descoberta de Paradeiros e do Corpo de Bombeiros, sem sinais aparentes de violência. O magistrado estava desaparecido desde 14 de abril. O caso reacende debates sobre o Judiciário.
Cronologia do desaparecimento e das buscas
O magistrado de 64 anos foi visto pela última vez no dia 14 de abril, quando sacou R$ 1 mil e embarcou em um táxi com destino à Vista Chinesa, tradicional mirante localizado na Floresta da Tijuca. Desde então, não houve registros de seu paradeiro.
A informação repassada pelo taxista foi crucial para direcionar as buscas. Na última quarta-feira, a família realizou uma missa em homenagem ao desembargador na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, na Tijuca. O irmão, José Paulo Martins Ribeiro, contador aposentado de 67 anos, relatou à época o desgaste emocional:
"Estou com a cabeça carregada e sem conseguir comer"
Separado, Alcides Martins Ribeiro Filho tem três filhos: uma mulher, um homem e uma menina de 8 anos. A família manteve contato permanente com a Polícia Civil durante as buscas.
Afastamento pelo CNJ e processo em segredo
Em maio de 2025, o Conselho Nacional de Justiça afastou cautelarmente o desembargador por suspeita de agressões contra a ex-mulher. Na ocasião, ele chegou a ser conduzido algemado para delegacia.
O processo por violência doméstica tramita em segredo de justiça no Superior Tribunal de Justiça, com denúncia do Ministério Público Federal. Foi deferida medida protetiva de urgência em favor da vítima.
A Defensoria Pública do Estado do Rio, que atua como assistente qualificada da ex-mulher, emitiu nota reafirmando compromisso com a proteção de mulheres em situação de violência: "A Instituição repudia qualquer tentativa de culpabilização ou revitimização da assistida, ainda que no contexto de um cenário aflitivo como o do desaparecimento do desembargador federal".
"A Instituição repudia qualquer tentativa de culpabilização ou revitimização da assistida"
O irmão do magistrado defendeu publicamente a inocência: "Não é verdade que ele é um cara violento". José Paulo sugeriu que o desaparecimento poderia ter sido uma fuga para amenizar a tensão psicológica causada pela situação processual e pelo afastamento da filha caçula.
Repercussão institucional e familiar
Nos bastidores do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, o caso foi tratado com elevada preocupação. O Gabinete de Segurança Institucional do tribunal realizou reuniões semanais com investigadores da Polícia Civil para acompanhar as apurações.
A ausência de sinais aparentes de violência no local não encerra a investigação. A Delegacia de Homicídios da Capital conduziu a perícia, e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal para exames que deverão esclarecer a causa da morte.
Próximos passos da investigação
A Polícia Civil mantém sigilo sobre detalhes da apuração. O laudo do IML e eventuais exames complementares serão determinantes para classificar a morte como natural, acidental, suicídio ou homicídio.
Enquanto aguardam o resultado, familiares e servidores do TRF-2 acompanham o desfecho com expectativa. O caso expõe, mais uma vez, a interseção delicada entre vida pessoal, saúde mental e responsabilidade funcional no alto escalão do Judiciário.
O desfecho da investigação poderá influenciar não apenas o entendimento sobre as circunstâncias da morte, mas também o debate público sobre mecanismos de apoio a magistrados em crise e a efetividade das medidas protetivas em casos de violência doméstica. Enquanto isso, uma pergunta permanece: como equilibrar transparência institucional, respeito às famílias e direito à informação em casos sensíveis que envolvem o poder Judiciário?
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