Erros foram cometidos (Mas juro que não fui eu): Por que políticos e cidadãos preferem a autojustificação à responsabilidade
Nova edição da obra-prima de Carol Tavris e Elliot Aronson chega ao Brasil pela Editora Goya e expõe os mecanismos psicológicos que corroem democracias – inclusive a nossa

Admitir um erro é uma das tarefas mais difíceis da experiência humana. Em vez de reconhecer falhas, indivíduos, governos e instituições preferem construir narrativas de autojustificadoras que protegem o ego a qualquer custo. Essa é a tese central de Erros foram cometidos (mas juro que não fui eu), clássico da psicologia social escrito por Carol Tavris e Elliot Aronson, que ganha sua primeira edição brasileira pela Editora Goya (selo da Aleph) em 2025.
Logo nas primeiras páginas, os autores acertam o alvo com precisão cirúrgica: “A locução passiva ‘erros foram cometidos’ é uma maneira de reconhecer que algo saiu errado sem que ninguém precise se responsabilizar por isso”. A frase, que virou clichê em discursos políticos mundo afora, resume perfeitamente como a linguagem pode servir de escudo contra a responsabilidade.
O livro mostra que esse mecanismo não é exclusivo de políticos. Ele está presente no cotidiano: quem nunca insistiu num relacionamento tóxico, gastou mais dinheiro consertando um carro ruim ou permaneceu num emprego infeliz apenas para não admitir que errou na escolha inicial? Esse fenômeno, batizado de dissonância cognitiva, faz com que, quanto mais investimos numa decisão errada, mais nos convencemos de que ela estava certa.
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