Ex-autoridade mexicana diz que Flávio chegou aos EUA e cita Rubio
Ex-subsecretário do governo López Obrador afirma no X que o senador chegou “em segurança” aos EUA. Não há confirmação oficial, e o Departamento de Estado não comenta
📋 Em resumo ▾
- O empresário mexicano Simón Levy afirmou no X, nesta terça (27/10), que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou “em segurança” aos Estados Unidos e que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, seria “o cérebro” da operação. Ele não apresentou provas.
- Fontes ligadas à PF confirmaram que Flávio deixou o Brasil rumo aos EUA.
- Não há confirmação oficial do governo brasileiro nem do americano.
- A Argentina diz que não tem registro da entrada de Flávio e que não recebeu pedido de asilo.
- Deputados do PT pediram ao ministro Alexandre de Moraes (STF) a prisão preventiva de Flávio e a inclusão do nome dele no alerta vermelho da Interpol, caso haja mandado.
- Por que isso importa: se a saída for confirmada, Flávio terá deixado o país em descumprimento de uma ordem do STF.
- A eventual participação do governo americano, que ninguém comprovou, transformaria o caso em crise diplomática.
O empresário e ex-integrante do governo mexicano Simón Levy afirmou nesta terça-feira (27/10), em publicação no X, que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou em segurança aos Estados Unidos. Levy também atribuiu ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, a articulação que teria permitido a viagem. A declaração não veio acompanhada de documentos nem de confirmação oficial das autoridades americanas.
“Como relatei há algumas horas, Flávio Bolsonaro chegou em segurança aos Estados Unidos.”
— Simón Levy, no X (tradução exibida na própria publicação)
Na sequência, Levy escreveu que “o cérebro por trás dessa operação” seria Rubio e que Flávio passaria a liderar a oposição ao presidente Lula a partir dos EUA. Horas antes, ele já tinha publicado que Flávio “não está mais no Brasil e está a caminho dos Estados Unidos”.
Quem é Simón Levy
O perfil @SimonLevyMx pertence a Simón Levy Dabbah, empresário e advogado. Ele foi subsecretário de Turismo do México no governo de Andrés Manuel López Obrador, entre dezembro de 2018 e maio de 2019. Também dirigiu a PROCDMX, agência de investimentos e desenvolvimento da Cidade do México, e comenta com frequência temas de política internacional.
Parte da imprensa brasileira descreve Levy como “aliado” ou “próximo” de Donald Trump, mas sem detalhar que relação é essa. O Painel Político não encontrou confirmação de que Levy tenha qualquer cargo ou papel oficial no governo americano. Por isso, a afirmação dele sobre Rubio deve ser lida como declaração de um comentarista, não como informação oficial.
O que se sabe sobre o paradeiro de Flávio
As informações do dia, em ordem de confiabilidade:
- Oficial: o prazo de 24 horas dado por Moraes para a entrega dos passaportes terminou às 11h sem cumprimento. A PF cancelou os passaportes comum e diplomático.
- Oficial (Argentina): o governo argentino diz que não há registro da entrada de Flávio no país e que não recebeu pedido de asilo.
- Fontes da PF, sem nota oficial: segundo a Gazeta do Povo, fontes ligadas à corporação confirmam que Flávio saiu do Brasil rumo aos EUA.
- Fontes da família: reportagens de Folha, UOL, Jovem Pan e Metrópoles atribuem a pessoas próximas da família a informação de que ele estaria em viagem para os EUA.
- Sem comprovação: a chegada aos EUA e a participação de Rubio, segundo Simón Levy.
Segundo o texto-base desta matéria, policiais federais foram à sede do PL, em Brasília, nesta terça, enquanto aliados diziam ter dificuldade para localizar o senador.
A participação de Rubio: o que falta
Não há confirmação independente de que Marco Rubio tenha participado de qualquer operação ligada à viagem de Flávio. O Departamento de Estado, que Rubio comanda, foi procurado pela imprensa e não se manifestou.
Isso importa porque, se fosse verdade, a acusação teria peso diplomático. Significaria que o governo dos EUA ajudou um investigado a deixar o Brasil contra uma ordem do Supremo. Até agora, é só a palavra de Levy.
O pedido de prisão
Os deputados Lindbergh Farias (PT-RJ), Rogério Correia (PT-MG) e Ana Elisa (PT-MG) pediram ao ministro Alexandre de Moraes:
- a prisão preventiva de Flávio Bolsonaro;
- a inclusão do nome dele no alerta vermelho da Interpol, caso seja expedido mandado de prisão;
- uma manifestação urgente da Procuradoria-Geral da República (PGR).
O argumento é o risco de fuga, reforçado pela não entrega dos passaportes no prazo.
O que isso significa:
- Prisão preventiva é uma prisão antes de qualquer condenação, usada quando há risco de fuga, de atrapalhar a investigação ou de repetir o crime. Não é pena.
- O alerta vermelho da Interpol é um aviso internacional que pede às polícias de outros países que localizem e prendam provisoriamente uma pessoa procurada. Ele só pode ser pedido depois que há um mandado de prisão.
- Um pedido de deputados não é uma decisão. Até a publicação, Moraes não havia decidido sobre o pedido, e não havia mandado de prisão contra Flávio.
Flávio é investigado no STF por suposta lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. Ele não foi indiciado, denunciado nem condenado.
O outro lado
Até a publicação, Flávio Bolsonaro não se manifestou, e nem o PL nem a defesa dele responderam ao pedido de prisão. O Departamento de Estado dos EUA também não comentou. O Painel Político procurou a assessoria do senador e aguarda resposta.
No fim da tarde, a dúvida mudou de natureza. De manhã, a pergunta era se Flávio tinha saído do Brasil. Agora, com fontes da PF ouvidas pela Gazeta do Povo e pessoas da família dizendo que sim, a pergunta passa a ser como ele saiu e quem ajudou. A versão de Simón Levy oferece uma resposta para as duas perguntas, mas sem nenhuma prova, e vem de alguém sem cargo no governo que ele cita. O que vai separar fato de especulação são três coisas: uma confirmação oficial da PF ou do governo americano, a decisão de Moraes sobre o pedido de prisão e, se ele estiver mesmo nos EUA, uma eventual manifestação do próprio Flávio.
🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.
