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Ex-candidata à Presidência do Equador é presa a 5 semanas das eleições locais

A Polícia Nacional do Equador deteve a ex-candidata presidencial Luisa González nesta quinta-feira, em operação ligada a um caso de suposta lavagem de dinheiro na campanha de 2023

Ex-candidata à Presidência do Equador é presa a 5 semanas das eleições locais
📷 Armando Prado/AFP
📋 Em resumo ▾
  • A ex-candidata presidencial equatoriana Luisa González, do partido Revolução Cidadã (correísmo), foi detida na madrugada desta quinta-feira (22) em Canuto, na província de Manabí
  • A Procuradoria-Geral do Equador confirmou que a operação resultou na detenção de três pessoas — González e outras duas ainda não identificadas — em Manabí e Pichincha, com o objetivo de formalizar acusações por suposta lavagem de dinheiro
  • O caso, inicialmente chamado de “Caixa Pequena”, foi renomeado pela Justiça equatoriana para “Caso Labirinto”; investiga supostas irregularidades no financiamento da campanha presidencial de 2023 de González, incluindo a suspeita de que recursos em espécie teriam entrado da Venezuela
  • O ex-presidente Rafael Correa, hoje asilado político na Bélgica, chamou a prisão de perseguição política
  • Por que isso importa: a detenção ocorre a cinco semanas de eleições locais no Equador (29 de novembro), nas quais o partido de González já havia sido suspenso pela Justiça eleitoral a pedido da Procuradoria — aprofundando a disputa entre o correísmo e o governo do presidente Daniel Noboa
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A Polícia Nacional do Equador deteve, na madrugada desta quinta-feira (22), a ex-candidata presidencial Luisa González, principal liderança do partido de esquerda Revolução Cidadã e pupila política do ex-presidente Rafael Correa. A prisão ocorreu em Canuto, localidade rural do cantão de Chone, na província de Manabí, onde González nasceu e cresceu, segundo apurou o jornal argentino-equatoriano Infobae.

O que a Procuradoria confirmou

A Procuradoria-Geral do Estado (equivalente ao Ministério Público equatoriano) confirmou a operação por volta das 7h, após a notícia já circular nas redes sociais a partir de uma publicação do ex-presidente Correa. Em nota, o órgão informou que “a Procuradoria e a Polícia executaram nesta madrugada ordens de detenção em Pichincha e Manabí”, com o objetivo de formular acusações formais contra três pessoas por suposta lavagem de dinheiro — segundo reportagem do portal El Diario (Equador). A publicação oficial, segundo o mesmo veículo, não citou Luisa González nominalmente, mas resultou em sua detenção, confirmada depois por fontes da Polícia Nacional da Zona 4 ao site Primicias.

As outras duas pessoas detidas na mesma operação não tiveram a identidade revelada até a publicação das reportagens consultadas.

O “Caso Labirinto” — o que se investiga

Segundo o El Diario, o processo que resultou na prisão foi inicialmente conhecido como “Caso Caixa Pequena” (Caja Chica) e foi formalmente renomeado pela Justiça equatoriana para “Caso Labirinto”. A investigação apura supostas irregularidades no financiamento de campanha e nos gastos com publicidade eleitoral durante a candidatura presidencial de González em 2023 — a Procuradoria cita, segundo a reportagem, “inconsistências nos aportes e na origem lícita dos recursos”.

É o mesmo caso, com nome atualizado, mencionado pela reportagem que deu origem a esta matéria: em janeiro de 2026, o Ministério Público equatoriano já havia informado que González era investigada por suposto financiamento irregular de sua campanha de 2023, com suspeita de entrada de dinheiro em espécie vindo da Venezuela. À época, a residência da política foi alvo de busca, e uma fotografia sua — de pijama, rosto borrado — chegou a ser divulgada pela própria Procuradoria nas redes sociais, episódio que gerou críticas de setores da esquerda equatoriana.

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É importante marcar a diferença de status: até a publicação das reportagens consultadas nesta quinta-feira, González havia sido detida com o objetivo de formular acusações formais contra ela — não há, nas fontes apuradas, confirmação de que as acusações já tenham sido formalmente apresentadas, de audiência marcada, ou de qualquer condenação. Ela segue, portanto, sob presunção de inocência.

Segundo o site Primicias, outros nomes têm sido citados como investigados no âmbito mais amplo do Caso Labirinto/Caixa Pequena desde o início de 2026, entre eles o próprio Rafael Correa, o também ex-candidato presidencial Andrés Arauz, e os ex-ministros Fausto Herrera e Patricio Rivera — sem que a reportagem especifique se algum deles responde no mesmo grau de investigação que González ou se foi alvo de mandado nesta operação específica.

Quem é Luisa González

Advogada, evangélica e mestre em administração e economia, Luisa González, 48 anos, foi deputada da Assembleia Nacional por Manabí entre 2021 e 2023 antes de assumir a presidência do partido Revolução Cidadã. Tornou-se a principal candidata da legenda nas eleições extraordinárias de 2023 e nas eleições gerais de 2025, perdendo em ambos os casos no segundo turno para o atual presidente, Daniel Noboa. É considerada herdeira política de Rafael Correa, que governou o Equador entre 2007 e 2017 e hoje vive como asilado político na Bélgica, de onde contesta uma condenação por suborno no Equador.

O contexto eleitoral

A detenção ocorre cerca de cinco semanas antes das eleições locais equatorianas, marcadas para 29 de novembro. González já estava impedida de concorrer: segundo o Infobae, em março de 2026 o Tribunal Contencioso Eleitoral (TCE) suspendeu o partido Revolução Cidadã a pedido da Procuradoria, o que o impede de participar do pleito. Um mês antes da prisão, o mesmo tribunal havia ratificado a desclassificação de González como candidata à prefeitura de Manabí — cargo ao qual ela havia tentado concorrer, sem sucesso, pela legenda indígena Pachakutik, braço político da Conaie.

O que diz o correísmo

Rafael Correa foi quem primeiro divulgou a prisão, antes mesmo da confirmação oficial. Pouco antes das 7h, escreveu na rede social X: “Prenderam Luisa González. JÁ BASTAAA!!!!”. Horas depois, ao compartilhar a publicação oficial da Procuradoria sobre a operação de lavagem de dinheiro, questionou: “Já não resta ninguém decente no sistema de Justiça? Tudo está podre assim?” — mensagem acompanhada de uma imagem com a legenda “Medalha de ouro em corrupção. Justiça do Equador está nas piores colocações a nível mundial”.

Segundo o Infobae, fontes do correísmo ouvidas pela agência EFE disseram não ter mais informações sobre o caso além do que já havia sido divulgado. O mesmo veículo registra que setores do correísmo classificam a ação como perseguição política por parte do governo de Daniel Noboa — classificação que, até a publicação das reportagens consultadas, não havia sido respondida publicamente pelo governo equatoriano.

Não há, nas fontes apuradas até o momento, qualquer manifestação de Luisa González ou de sua defesa sobre a prisão.

O que se sabe até aqui é que a principal liderança da esquerda equatoriana foi detida horas depois de seu maior aliado político anunciar o fato nas redes — antes mesmo de a própria Procuradoria confirmar, e sem que as acusações contra ela tenham sido formalmente apresentadas em audiência. Entre a versão do correísmo, que fala em perseguição, e a da Procuradoria, que fala em lavagem de dinheiro apurada desde janeiro, falta ainda a peça que normalmente decide esse tipo de disputa: o que vai ser dito, sob contraditório, numa audiência de formulação de cargos que, até esta publicação, ainda não tinha data divulgada.

🔊 Versão em áudio disponível no topo do post.

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